Febre amarela: Espírito Santo vai receber mais 1 milhão de doses da vacina

Em Minas, quase 100 pessoas já morreram em decorrência da doença

por Agência Brasil 03/03/2017 15:19
Reprodução/Internet/Gabriel Lordêllo/Arquivo
(foto: Reprodução/Internet/Gabriel Lordêllo/Arquivo)

O Espírito Santo vai receber 1 milhão de doses extras da vacina contra a febre amarela. A previsão do Ministério da Saúde é que, até o início da próxima semana, 500 mil doses tenham sido entregues ao estado. Após a chegada de todo o novo quantitativo, o Espírito Santo terá recebido um total de 3,6 milhões de doses da vacina.

De acordo com a pasta, o estado já atingiu uma cobertura vacinal de 73% para a febre amarela. O número representa mais de 1,1 milhão de doses aplicadas entre janeiro e fevereiro em 60 municípios considerados áreas de risco. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (2) durante visita do ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao Espírito Santo.

Segundo Barros, a expectativa do governo federal é que, com a nova remessa de doses, o estado consiga atingir a cobertura vacinal adequada – acima de 90%. “Isso será uma novidade, já que o Espírito Santo não era área de vacinação regular antes do surto. Chegar a este número, em tão pouco tempo, demonstra o empenho de todo o estado no combate à febre amarela”, avaliou.

Desde o início do ano, o ministério tem enviado doses extras aos estados que registram casos suspeitos, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificações. Ao todo, 14,6 milhões de doses foram enviadas para Minas Gerais (6,5 milhões), São Paulo (3,2 milhões), Espírito Santo (2,6 milhões), Rio de Janeiro (1 milhão) e Bahia (900 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados.

Casos

Até a última sexta-feira (24), foram confirmados 326 casos de febre amarela no Brasil. No total, foram notificados 1.368 casos suspeitos, dos quais 916 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Dos 220 óbitos notificados, 109 foram confirmados, 105 ainda são investigados e seis foram descartados.

Os estados de Minas Gerais, do Espírito Santo, de São Paulo, da Bahia, do Tocantins, Rio Grande do Norte e de Goiás continuam com casos em investigação e/ou confirmados.

Minas Gerais confirma 99 mortes por febre amarela

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) publicou na tarde desta sexta-feira (3) mais um boletim epidemiológico com dados sobre a febre amarela no estado. São 99 mortes com confirmação para a doença, nas quais 87,8% envolvem vítimas do sexo masculino com média de idade de 45 anos. Outros 82 óbitos seguem em investigação.

Ao todo, o estado contabiliza 1.063 notificações, das quais 57 foram descartadas e 260 casos confirmados. Os boletins da SES-MG estão sendo divulgados às terças e sextas-feiras. O atual surto é considerado o maior no Brasil desde 1980, quando o Ministério da Saúde passou a disponibilizar dados da série histórica. Até então, o ano com a situação mais grave havia ocorrido em 2000, quando morreram 40 pessoas.

O total de municípios mineiros com casos confirmados de infecção é 46. Outras 88 cidades possuem casos suspeitos. Os quadros mais preocupantes são os de Ladainha, Novo Cruzeiro e Caratinga. Nestas cidades já houve, respectivamente, 30, 24 e 23 confirmações de febre amarela.

Belo Horizonte ainda não possui nenhuma notificação de infecção em humanos, mas registrou resultado positivo na análise de macacos encontrados mortos . Há algumas semanas, a Secretaria de Saúde da capital mineira informou que cinco moradores foram internados e já receberam alta. No entanto, todos eles estiveram em áreas afetadas pelo surto e a hipótese trabalhada é uma possível infecção em outros municípios.

A febre amarela atinge humanos e macacos. A doença é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, América Central e África. No meio rural e silvestre, ela é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do vírus Zika e da febre chikungunya. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942. Até o momento, nenhum dos casos em Minas Gerais são considerados urbanos pelos órgãos públicos.

A principal medida de combate à doença é a vacinação da população. O imunizante é ofertado gratuitamente nos postos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde. A aplicação ocorre em dose única, devendo ser reforçada após dez anos. No caso de crianças, o Ministério da Saúde recomenda a administração de uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos.

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