Decisão de trocar a ração pronta por alimentos in natura conquista tutores

A ideia é melhorar o aspecto nutricional da refeição, garantindo mais saúde aos bichinhos

por Revista do CB 26/11/2016 10:00

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Arquivo Pessoal
A saúde do gatinho Apolo melhorou depois que parou de comer ração seca (foto: Arquivo Pessoal)
O bem-estar dos bichinhos de estimação é prioridade. Pensando nisso, muitos tutores proporcionam ao pet uma dieta natural. São refeições à base de alimentos não processados, livres dos conservantes da ração industrializada. Quem obteve muitos benefícios com a mudança de hábito alimentar foi o gatinho Godot, 15 anos. A dona do felino, a professora Simone Lima, 52, conta que adiou diversas vezes a mudança de cardápio, mas tomou a decisão quando o bichano começou a sofrer de problemas renais. “A demanda nutricional do gato é grande e eu me preocupava muito porque a ração industrializada seca quase não oferece umidade, o que é primordial para os gatos, uma vez que eles não sentem muita sede”, explica.

Após dois anos com a nova dieta, Godot, que é idoso, continua muito ativo e saudável, e até seu pelo está mais bonito. O problema renal foi totalmente revertido. “Os parâmetros fisiológicos dele melhoraram muito. E isso foi conquistado pela comida — mais úmida e com ingredientes saudáveis”, comemora Simone. A transição foi feita aos poucos: a tutora misturava a ração industrializada na comida fresca, sempre acrescentando levedura nutricional. Depois de uma semana, Godot já adorava a nova alimentação.

Não é que a ração pronta seja ruim para os pets, como explica o casal de veterinários Bruna e Kaue Morales, especializados em nutrição. “O melhor tipo de ração depende muito do que cada dono quer, mas a natural, de fato, apresenta maior quantidade de água e não sobrecarrega tanto os rins”, comenta Bruna. “As melhorias são muitas, e para ter uma ideia do conceito da alimentação natural, é só pensar em uma pessoa que só consome produtos industrializados e compará-la a outra que tem uma dieta livre de conservantes”, complementa Kaue.

De acordo com Bruna, entre os benefícios, é possível notar que as fezes dos animais ficam menores, mais sequinhas e quase sem odor, pois a absorção de nutrientes é maior. Além disso, a pelagem fica mais bonita e brilhante. “A alimentação natural supre todas as necessidades nutricionais do animal e é totalmente possível de ser preparada em casa. Para isso, basta ter orientação veterinária quanto à quantidade e tipos de alimentos permitidos para cada pet, e quais são as suplementações necessárias”, ensina a veterinária.

O gatinho Apolo, 8 meses, sofre de prolapso no ânus (hemorroida) e tinha muita dificuldade na hora de defecar. Pensando na melhora do bichano, a bancária Luciana Schlottfeldt, 37 anos, decidiu investir em alimentação natural e úmida. “Fiquei um pouco receosa no início, mas ele nunca recusou a nova dieta — as carnes variam e ele não enjoa”, conta. A qualidade de vida de Apolo melhorou da água para o vinho.

Minervino Junior/CB/D.A Press
June Medeiros conta que a nova dieta fortaleceu o sistema imunológico da mascote Bebel (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Foi por indicação de um veterinário de abordagem mais alternativa que Luciana decidiu adaptar a dieta de Apolo. Como não tem tempo de preparar a refeição, ela recorre a um fornecedor. “Eu compro porções e congelo. Não gosto de cozinhar, mas sei que seria o ideal. Para isso, teria que saber bem sobre a alimentação, porque tenho consciência que não pode ser qualquer comida, como as que a gente come.” A ideia agora é manter a dieta natural. “Acredito que a alimentação orgânica e sem conservantes é ideal para todo mundo, não só para os pets”, reconhece.

Desde o ano passado, a cadela Bebel enfrenta um câncer na pata. Com o objetivo de fortalecer o sistema imunológico da mascote, sua tutora, a advogada June Medeiros, 50, buscou diversas opiniões. “Eu sempre quis mudar a dieta dela, mas ainda não tinha encontrado aqui, em Brasília, alguém que fizesse esse tipo de acompanhamento. Eu sei que a alimentação natural depende de uma orientação veterinária para que não haja deficiências nutricionais para o cachorro.” June conta que a decisão foi acertada. “Desde a mudança na dieta, ela tem mais disposição. O intestino da Bebel também tem funcionado bem e, apesar de ter tido uma doença grave, ela tem adoecido menos do que quando comia ração industrializada.”

O médico veterinário Luciano Pasin trabalha com nutrologia há 2 anos e está se especializando em oncologia. Ele ressalta que a alimentação natural é a melhor opção desde que os tutores sigam corretamente as orientações prescritas por um veterinário nutrólogo capacitado, em vez de fazerem por conta própria. Luciano trabalha somente com cães e afirma que, quando o cardápio é balanceado, não somente em proteínas, fibras, gorduras e carboidratos, mas também em vitaminas e minerais, a melhora é visível. “A imunidade reage, principalmente entre pacientes geriátricos ou com câncer. Os problemas de pele se resolvem; o emagrecimento acontece com muito mais rapidez; o metabolismo e os hormônios se equilibram; e os sinais de envelhecimento são retardados”, enumera.

Luciano adverte quanto ao preparo dos alimentos. “Métodos como fritar e grelhar excessivamente liberam substâncias potencialmente cancerígenas. Cozinhar no micro-ondas também diminui significativamente a quantidade e qualidade de vitaminas e fitonutrientes.” Alguns alimentos estão sempre presentes nos cardápios que Luciano elabora, como ovos, carnes magras, brócolis, abobrinha, cenoura, vagem, óleo de coco e azeite de oliva extravirgem. “Eu sei que é um pouco mais trabalhoso preparar a comida em casa, mas vale muito a pena. Não tem conservantes e eu sei o que a Bebel está comendo”, exalta June. “O fato de ter aliado o tratamento convencional do câncer com a alimentação natural e os nutracêuticos foi fundamental para a melhora dela. Ainda mais durante o processo de químio, que não é fácil.”

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