OMS investiga todas as complicações neurológicas causadas pelo zika

Os recém-nascidos afetados no útero pelo vírus podem apresentar anomalias particulares, como malformações da cabeça, irritabilidade, problemas para engolir, contração dos membros, convulsões, problemas de visão ou de audição e anomalias no cérebro

por AFP 26/10/2016 17:30

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) está estudando todas as complicações neurológicas relacionadas com o vírus zika, informaram nesta quarta-feira, em Genebra, dois encarregados da luta contra o vírus no organismo internacional.

Todas as anomalias relacionadas com o vírus, em especial a microcefalia, são conhecidas pelo nome Síndrome Congênita do Vírus Zika, afirmou Nathalie Broutet, coordenadora da agenda de pesquisa sobre o zika. A definição completa da síndrome ainda está em processo, acrescentou.

Boris Pavlin, responsável na OMS sobre a incidência do zika, disse que era necessário um orçamento de 112,5 milhões de dólares para lutar contra o vírus.

Segundo a OMS, os recém-nascidos afetados no útero pelo vírus podem apresentar anomalias particulares, como malformações da cabeça, irritabilidade, problemas para engolir, contração dos membros, convulsões, problemas de visão ou de audição e anomalias no cérebro.

O vírus zika também pode provocar abortos ou resultar no nascimento de natimortos.

A OMS indica que algumas destas anomalias não podem ser detectadas no útero, e só aparecem depois do nascimento, como convulsões ou problemas auditivos.

Desde 2015, 23 países anunciaram ter registrado casos de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré - doença neurológica grave em adultos que pode provocar paralisia temporária - potencialmente relacionados com o zika.

Segundo Pavlin, 19 países relataram uma incidência em aumento dos casos de Guillain-Barré em seus territórios, com vínculos confirmados com o zika.

O Brasil é o país que registrou mais casos de microcefalia potencialmente relacionados com o zika, com um total de 2.033, seguido pela Colômbia, com 46 casos.

Dez casos foram registrados na Guiana Francesa e 8 na Polinésia Francesa.

Segundo um estudo publicado em junho passado pela revista médica britânica The Lancet, o diagnóstico da infecção pelo vírus zika não deveria se basear unicamente na detecção da microcefalia nos recém-nascidos, mas levar em conta também outras anomalias cerebrais.

A microcefalia pode ser detectada durante a gravidez. Segundo a legislação de alguns países, o diagnóstico pode autorizar um aborto terapêutico. Este não é, por exemplo, o caso do Brasil.

Duas vacinas experimentais contra o zika estão sendo avaliadas, segundo a OMS, e os resultados da fase 1 dos testes clínicos estão sendo examinados.

Segundo o último balanço da OMS, 73 países estão afetados pelo vírus desde 2015, a maioria deles na América Latina e no Caribe.

O vírus zika, considerado pela OMS como uma emergência de saúde pública mundial, é transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Aedes (aegypti e albopictus), embora o contágio também possa ocorrer por contato sexual.

A próxima avaliação do vírus pelo comitê de urgência da OMS será realizada em novembro.

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