Medicina reprodutiva evolui a passos largos e permite cada vez mais rastrear doenças genéticas

Especialistas garantem trabalhar em prol da vida humana

por Ellen Cristie 20/08/2016 09:04

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Arte: EM / D.A Press
Somente em Belo Horizonte há mais de 10 clínicas de reprodução assistida (foto: Arte: EM / D.A Press)
É verdade que as técnicas de reprodução assistida deram um salto nos últimos cinco ou 10 anos, proporcionando não somente o crescimento das taxas de gravidez, a redução do número de abortamentos ou alongamento do tempo de vida de um embrião no útero, como também tem tornado cada vez mais possível a possibilidade de a mulher gerar um filho aos 50 anos, o que parecia impossível tempos atrás.


Mas também não se pode negar que há alguns questionamentos inerentes à evolução das técnicas. A ciência não é capaz de explicar tudo e há muito o que evoluir no que se refere à reprodução assistida. Para o médico Bruno Scheffer, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida (Ibrra), cabe aos médicos trabalhar em prol da vida humana. “Nós que lidamos com reprodução assistida não estamos aqui em busca da cor dos olhos, do formato do rosto ou algo parecido. Estamos em busca de nenéns sem alterações cromossômicas. Estamos lutando em prol da vida humana”, frisa.


Na visão de Scheffer, que tem mais de uma década de experiência na área, é possível afirmar que Minas Gerais e São Paulo são polos importantes na área de reprodução assistida. “Com a evolução das técnicas e com o aperfeiçoamento dos profissionais, melhoramos as taxas de gravidez, reduzimos o número de perdas gestacionais (abortamentos antes de 20 semanas), sempre em busca do melhor embrião”, enfatiza.


No Ibrra, um equipamento – o Time Lapse – permite assistir ao desenvolvimento embrionário desde as divisões celulares até alcançar a fase de blastocisto. “O aparelho é um microscópio que capta imagens do desenvolvimento do embrião. Alguns equipamentos mais avançados chegam a analisar o meio em que o embrião se desenvolve”, explica Bruno. Para ele, o segredo da seleção está na combinação entre a análise morfológica do embrião, somada à análise morfocinética e à carga genética que ele traz consigo. “Estudos promissores mostram que, feito isso, as taxas de gravidez aumentam significativamente.”

TESTE NOS PAIS
De acordo com o especialista em medicina reprodutiva da Clínica Vilara Marco Melo, o uso de sequenciamento de DNA (NGS) em adultos tem mostrado resultados positivos, com altas taxas de eficácia. O teste é feito nos futuros pais por meio da retirada de parte da mucosa oral ou por exame de sangue. “Em vez de analisarmos o embrião, primeiramente estudamos o DNA dos possíveis pais, o que permite o estudo de mais de 500 doenças”, explica.

 

CONGRESSO EM BH
Somente em Belo Horizonte há mais de 10 clínicas de reprodução assistida. De 14 a 19 de setembro, a capital mineira será sede do 20º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA 2016). O impacto do meio ambiente na infertilidade, tratamentos alternativos, o papel da cirurgia reprodutiva e as indicações e os limites das técnicas são alguns dos temas a serem debatidos. Entre os convidados, autoridades internacionais como o inglês Simon Fishel, o norte-americano Joe Conaghan e o espanhol Carlos Simón. Informações: cbra2016.com.br

 

Diagnóstico eficaz
A análise de embriões pode antecipar mais de 500 doenças, entre as quais estão:

Anemia de Fanconi:
comprometimento da medula, que leva à falência medular progressiva.

Adenoleucodistrofia: perda da visão e da coordenação muscular.

Coréia de Huntington: perda precoce de memória e da coordenação motora.

Distrofia de Duchenne: degeneração dos músculos.

Doença de Gaucher: acúmulo anormal de certos tipos de lipídeos no baço, fígado, medula óssea
e pulmões, e em alguns casos no cérebro.

Fibrose cística:
o pulmão e o pâncreas funcionam mal.

Hemofilia:
desordem na coagulação do sangue e hemorragia.

Síndrome de Down: deficiência mental.

Síndrome de Edwards:
musculatura tensionada, dificuldade em abrir a mão e a boca.

Síndrome de Machado-Joseph: incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários.

Síndrome de Patau: cabeça grande, lábio leporino e número anormal de dedos.

Síndrome de Turner: mulheres com estatura baixa, pescoço curto e inférteis.

Talassemia: anemia e atraso no crescimento.

* Leia amanhã: As técnicas mais avançadas de reprodução assistida

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