Cientistas criam embalagem que não 'rouba' xampu ou detergente

Eles detalharam o que dizem ser a textura perfeita para que produtos de higiene e de limpeza escorram livremente para fora de garrafas plásticas

por Correio Braziliense 28/06/2016 16:07

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Philip Brown / The Ohio State University
Detergente é testado sobre nova superfície (à direita): menos aderência (foto: Philip Brown / The Ohio State University)
Uma pesquisa da Universidade Estadual de Ohio promete acabar com uma pequena chateação cotidiana: aquele restinho de xampu que insiste em não sair da embalagem, por mais que a pessoa sob o chuveiro agite freneticamente o recipiente. Cientistas da instituição publicaram ontem na revista especializada Philosophical Transactions of the Royal Society o que dizem ser a textura perfeita para que produtos de higiene e de limpeza escorram livremente para fora de garrafas plásticas.

A técnica envolve revestir as embalagens plásticas com estruturas microscópicas em formato de y que mantêm produtos como xampu, detergente e sabonete líquido sobre minúsculos bolsões de ar. Dessa forma, o conteúdo não adere ao interior da embalagem, garantindo seu uso até a última gota. Essas estruturas em forma de y são construídas a partir de partículas ainda menores de sílica, um ingrediente do vidro.

Depois de bolar a estratégia, a dupla de engenheiros Bharat Bhushan e Philip Brown testou com sucesso a estratégia em superfícies de polipropileno, um dos materiais mais usados nas embalagens expostas nas gôndolas de supermercado. Segundo os dois, a nova superfície repele líquidos em geral, mas o grande desafio foi conseguir criar um meio de evitar a aderência dos produtos de higiene. Isso porque os surfactantes, as moléculas orgânicas usadas na fabricação de xampu e sabão, aderem mais facilmente ao plástico do que umas às outras. “Comparado ao sabão, o ketchup sai muito facilmente de uma garrafa, porque a maior parte dele é água, e as moléculas de água aderem mais umas às outras do que à embalagem”, explicou Bhushan em um comunicado à imprensa.

O invento ainda será patenteado, mas não deve demorar muito para chegar ao mercado, pois a pesquisa foi feita por sugestão de uma empresa fabricante de xampus, preocupada em reduzir a poluição que seus produtos causam na natureza. “Parece o que podemos chamar de um problema de primeiro mundo: ‘Eu não consigo tirar todo o xampu da minha garrafa’. Mas os fabricantes realmente têm interesse nisso, porque eles fabricam bilhões de embalagens que vão parar no lixo com o produto ainda dentro delas”, afirmou Bhushan.

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