Castigo físico nos animais ajuda ou atrapalha?

Adestramento pode ajudar em caso de cães desobedientes

por Juliana Cipriani 14/06/2016 13:00

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Ao lado da mulher, Lílian, o engenheiro Henrique Leite só conseguiu obediência de seu ptibul Sharky quando mudou os métodos para educá-lo
Na hora de educar os filhos, uma grande dúvida dos pais, mesmo depois da aprovação da Lei da Palmada, que vigora há quase dois anos, é bater ou não bater na criança para conseguir obediência. No universo da criação dos pets não é muito diferente. O que fazer com aquele cachorro que não obedece, faz as necessidades no lugar errado ou até mesmo morde seus tutores? No caso dos animais, o castigo físico ajuda ou atrapalha? Especialistas são unânimes em dizer que a agressão só gera mais agressividade e piora a situação.

Foi o que percebeu o engenheiro Henrique Thadeu Eccard de Souza Leite, de 32 anos, ao tentar ensinar sozinho o pitbul Sharky, hoje com 4 anos, criado em apartamento por ele e a mulher, Lílian Leite, de 29. “Dava palmadinhas com o jornal enrolado e ele ficava mais agressivo ou entendia que estava brincando e mordia mais. Às vezes, corrigia com o chinelo na bunda e começava a virar briga”, conta. A batalha durou até Sharky fazer 1 ano e 2 meses. Foi quando o casal desistiu e resolveu buscar ajuda profissional para educá-lo.

“Com o adestramento, pegamos a maneira correta de corrigir, elogiar e reforçar o comportamento positivo. Toda vez que ele errava, eu falava não e dava uma puxada no enforcador para simular uma mordida de um cão da matilha. Ele acertava e ganhava petisco”, conta Henrique. Em pouco tempo, Sharky começou a ser obediente e deixou de agredir outros animais na rua.

Tutora da golden retriever Valentina, de 3 meses, a estudante Izabela Fissicaro, de 22, também teve problemas com a cadelinha. “Li na internet que tinha que ignorar e estava tentando isso, só que ela não entendia nada e mordia nosso pé, roupa e mão. Chegou ao ponto de comer o fio da internet. Aí chamei um adestrador”, diz. Valentina não obedecia a regra de entrar em casa e chegou a se empolgar tanto que mordeu o namorado de Izabela. Com ajuda profissional, Izabela disse ter aprendido que mostrar que é mais forte não significa bater, pois pode traumatizar o cachorro.

SEM VALOR
O professor de cinotecnia da escola de veterinária da UFMG Fernando Antônio Bretas Viana diz que não se deve bater em um animal de forma alguma. “Esse animal pode ter traumas muito sérios e, dependendo da idade, isso vai causar alterações para o resto da vida, como medos, fobias e até agressividade. Esses comportamentos anômalos são bastante difíceis de ser resolvidos depois”, disse. Outro motivo para não bater é que, segundo o professor, poucos minutos depois de fazer algo errado, o bichinho não se lembra do que fez. “O dono chega duas horas depois, dá um coro e ele não sabe porque está apanhando. Não tem o menor valor em termos educacionais”, disse.

Segundo o professor, em casos como fazer xixi no lugar errado ou pular nas pessoas, o próprio tutor pode educar o cão, desencorajando a atitude ou chamando a atenção energicamente pela voz. Quando não é possível, a solução pode ser buscar um adestrador ou até um veterinário. “Algumas fobias ou agressividades extremas são coisas que poderiam ser tratadas medicamentosamente ou com cirurgias, como a castração.”

O técnico em comportamento canino Roberto Luiz da Silva, com 18 anos de profissão e campeão de adestramento, também diz que nunca se deve bater no seu pet. “O cão pode passar a ter medo, em vez de um bom relacionamento com o dono. Além disso, toda agressão leva a uma defesa que amanhã pode se tornar um comportamento de fuga. Ele pode aprender a ser agressivo”, afirma. Ainda de acordo com o adestrador, a agressão bloqueia o aprendizado do animal, que entra em esquiva. “Ele estará sempre pensando em uma forma de fugir, isso bloqueia a mente do cão para o aprendizado”, diz.

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