Cronograma capilar conquista adeptas; método pode ser adotado sem receio?

Quem segue, se organiza e se informa em grupos com mais de 100 mil usuários nas redes sociais

por Revista do CB 15/04/2016 09:30

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Reprodução Internet / http://cacheia.com
O 'faça você mesma' tem suas vantagens e desvantagens (foto: Reprodução Internet / http://cacheia.com)
Você encontra uma máscara maravilhosa para os cabelos, usa semanalmente — ou até mais —, vê a transformação acontecer e, depois de um tempo, os fios se “acostumam” com o produto. Ou, pior, você recebe uma indicação de um creme que acaba piorando o aspecto do seu cabelo. Quem nunca passou por essas situações?

Na realidade, o cabelo não se habitua ao produto — pode ser que o fio simplesmente não precise dos ativos presentes no cosmético. Considerando que uma máscara capilar tem de 20 a 50 componentes, entre os milhares disponíveis no mercado, é normal que se erre o alvo.

Com base nessa constatação, ganhou força nos últimos anos o chamado método do cronograma capilar. Hoje, os adeptos se organizam nas redes sociais — existem grupos com mais de 100 mil usuários. A técnica parte do princípio que os fios têm necessidades diferentes, que variam de pessoa para pessoa ou até mesmo conforme as estações do ano. Isso explicaria por que um produto para de fazer efeito ou funciona só com certas pessoas.

O cronograma capilar que circula na internet é baseado em um ciclo de três semanas, em que cada lavagem deve ser feita com um tratamento específico. A princípio, o cronograma é fixo, principalmente porque nem todos os praticantes sabem diagnosticar adequadamente qual é a necessidade do cabelo, mas o método é mais eficaz quando adaptado. Cabelos sem química e expostos a poucas agressões podem precisar apenas de hidratação, enquanto fios mais castigados demandam reconstruções mensais. Tudo depende da observação de como o cabelo reage.

A estudante Liah Radomski, 19 anos, percebeu isso na prática. Os tons de verde e roxo que ela ostenta necessitam de constantes descolorações, o que fragilizou bastante os fios. “Com leituras e ajuda do grupo, fiz o diagnóstico e programei etapas mais específicas para as minhas necessidades”, explica Liah. Hoje, ela investe em tratamentos de nutrição, reconstrução ou apenas prevenção. “Compreender a estrutura do fio e cada etapa foi fundamental. Não dá para abandonar o cronograma só porque o cabelo está saudável”, afirma.

Algumas correntes afirmam que o cronograma é apenas maquiagem, pois o cabelo é formado por células mortas, que não reagiriam aos produtos, e só a nutrição de dentro para fora seria efetiva. O dermatologista Leonardo Spagnol conta que, de fato, populações subnutridas têm fios que chegam a esfarelar, mas afirma que esse fenômeno ainda não é bem compreendido. “Não existe vaso sanguíneo que vai da raiz até as pontas para nutrir o cabelo”, compara. Spagnol explica que a regularidade é importante no processo para manter os ganhos enquanto o fio não se recupera espontaneamente. “Essas reestruturações — reforço de queratina, por exemplo — são para tentar cobrir um buraco. Esse buraco pode abrir de novo”, explica.

O dermatologista conta ainda que uma característica importante dos cosméticos é ter o pH mais ácido, semelhante ao dos fios. Xampus infantis possuem pH básico, por volta de 7, para não serem agressivos no caso de caírem nos olhos das crianças. Os fios, porém, têm pH mais ácido, por volta de 5 e, por isso, esses xampus não devem ser usados por adultos. “A gente não tem cabelo de bebê”, observa.

Spagnol recomenda ainda que, periodicamente, seja usado um xampu antirresíduos para combater o acúmulo de silicones, que podem fazer parte das composições.“Todo processo químico estraga um pouco. Depois do processo, tem que tentar renutrir. Você terá uma melhor nutrição externa do fio, que ficará mais brilhoso e com menos frizz. Assim, você minimiza os danos”, explica.

Hidratação
Na etapa da hidratação, a primeira e mais básica, são usados produtos que vão repor a umidade dos fios. A água é responsável por reter todos os componentes que serão depositados nas fases posteriores, por isso, é a primeira que deve ser realizada. A maioria dos cabelos perde hidratação fácil, processo causado por vento, sol e uso de equipamentos quentes, como secadores e chapinhas. Alguns dos componentes recomendados para a hidratação são o dexpantenol, a babosa, o aloe vera e a glicerina. Fios hidratados brilham e têm toque macio.

Nutrição
A função da nutrição é criar uma barreira lipídica que mantenha a hidratação. Um cabelo desnutrido parece saudável após as hidratações, mas bastam algumas horas para que ele retorne ao aspecto ressecado. O cabelo bem nutrido apresenta peso, não embaraça facilmente, não tem frizz ou fios porosos — fios ásperos, com aspecto e cor irregulares. A nutrição é feita por meio de ceramidas e, principalmente, óleos vegetais, como argan, manteiga de karité e abacate. Uma das técnicas para repor os lipídios do cabelo é a umectação, em que o cabelo passa por uma massagem com óleos. Na umectação a seco, basta aplicar o óleo, deixá-lo agir por algumas horas e, em seguida, lavar normalmente. Imagina-se, porém, que a umectação seja mais potente após a lavagem. Como o xampu abre as cutículas, o óleo penetraria melhor. Nesse caso, o óleo deve ser aplicado diretamente sobre os cabelos lavados, sem condicionadores ou outros cremes, que podem fechar as cutículas. Alguns dos óleos indicados para a umectação são o azeite de oliva e o rícino.

Zuleika de Souza/CB/D.A.Press
No caso de Luane Tomé, as reconstruções semanais, pioraram a situação do cabelo (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)


Reconstrução
Um dos sinais de que a reconstrução é necessária é o cabelo elástico, que, quando molhado, tem aparência similar à goma de mascar, além da fácil quebra. A professora Graziela Martins começou o cronograma há três anos com os fios nesse estado, elásticos e quebradiços. “Fiz umas luzes e meu cabelo ficou muito ressecado, então procurei na internet algo que pudesse resolver meu problema”, conta. Após um mês de cronograma, a mudança já era visível. Hoje, ela foca em hidratações e nutrições. Essa é a única fase que, se realizada em excesso, pode ser perigosa para o cabelo. A reconstrução, geralmente à base de queratina e aminoácidos, como arginina e creatina, busca restituir as proteínas perdidas pelo cabelo e deixá-lo mais fortes. Por isso, se os fios receberem uma carga de queratina acima do ideal, podem tornar-se rígidos e quebrarem ainda mais. Foi o que aconteceu com a estudante Luane Tomé, de 18 anos. Ela conheceu o cronograma em 2015 por meio de um blog e decidiu iniciar a técnica. Na época, ela estava com o cabelo muito danificado por causa do uso de tintura e, por isso, começou com duas reconstruções semanais, o que só piorou a situação. “Meus fios ficaram rígidos”, conta.

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