Escolas de São Paulo desenvolvem games com os estudantes para envolvê-los nas disciplinas

Com princípios de programação, meninos e meninas desenvolvem games utilizando conteúdo do currículo regular

por Agência Estado 04/04/2016 10:52

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 Anderson Araújo/CB/D.A Press
Experiência com jovens de escolas particulares em São Paulo tem se mostrado positiva (foto: Anderson Araújo/CB/D.A Press)
Para uma geração apaixonada pelos games, as escolas encontraram a fórmula ideal de envolvê-los com as disciplinas do currículo regular: incentivá-los a produzir os próprios jogos. Com princípios de programação, os alunos de escolas particulares de São Paulo desenvolvem jogos eletrônicos em que utilizam conceitos das disciplinas.

No Colégio Porto Seguro, na zona sul da capital, os alunos fazem jogos como parte das atividades de português, história, geografia e matemática. Para isso, a escola usa desde plataformas específicas com linguagem de programação até jogos já conhecidos dos alunos, como o Minecraft, uma febre entre os adolescentes. "Os olhos dos alunos brilham com a possibilidade de aprenderem a como criar um game. Eles têm muita motivação e engajamento", disse Joice Lopes Leite, coordenadora de tecnologia da instituição.

No Colégio Santa Maria, o desenvolvimento de jogos eletrônicos era feito apenas em oficinas, mas, ao ver o envolvimento dos alunos, a direção decidiu incluir o projeto na grade curricular regular para os estudantes do 4º ano do ensino fundamental. "Os games fazem parte do cotidiano e a ideia de produzir o próprio jogo é muito motivadora. Eles têm muita curiosidade com a tecnologia e podemos usar isso para que tenham mais interesse nas outras disciplinas", afirmou Muriel Rubens Alves, coordenador de tecnologia do colégio.

As aulas de tecnologia acontecem uma vez a cada 15 dias e os alunos têm um bimestre para montar um jogo com um tema proposto pelos professores. "Com essa proposta, eles desenvolvem raciocínio lógico, aprendem a se organizar e o mais importante é que ficam engajados. Os alunos percebem que o professor não precisa nem sabe tudo, mas que eles podem ir atrás desse conhecimento", contou Alves. Segundo ele, para qualquer tipo de jogo, os adolescentes também trabalham com a produção de textos, já que precisam montar um enredo e regras específicas.

No Colégio Rio Branco, na região central de São Paulo, as aulas de criação de games são extracurriculares para os alunos do ensino fundamental 2 (turmas do 6º ao 9º ano). As aulas iniciais são para que eles entendam os princípios da linguagem de programação e fiquem mais confortáveis com esse universo. "Mas a maioria já chega até familiarizada com essa linguagem por conta do que jogam em casa, como o Minecraft", disse Jorge Farias, professor de tecnologia da escola paulistana.

Para ele, o maior benefício do desenvolvimento dos jogos é que os alunos ganham autonomia e aprendem a trabalhar em cooperação para criar o próprio projeto. "Eles criam as próprias regras e, por isso, têm mais liberdade de pensamento do que simplesmente jogar o que outras pessoas desenvolveram. E eles gostam de dividir com os colegas o que descobriram sozinhos, então ficam muito mais solidários."

Futuro
Para Farias, os jogos não apenas envolvem os alunos, mas também introduzem uma linguagem que futuramente vão precisar durante a vida. "Muitos desses jovens vão trabalhar com a linguagem de programação, que é cada vez mais difundida e vai ser cobrada futuramente no mercado de trabalho", disse.

Já Alves afirmou que é uma tendência do colégio colocar a tecnologia não como um material de apoio, mas como uma ferramenta para potencializar o aprendizado.

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