Entenda a diferença da vacina da gripe do SUS e da rede particular

População ainda não conhece a diferença entre a vacina trivalente, disponível no SUS, e tetravalente, adquirida na rede particular. Ambas oferecem proteção ao vírus H1N1, mas imunizam contra outras cepas da Influenza A e Influenza B

por Valéria Mendes 02/04/2016 09:00

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	Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press
Brasileiros se preocupam muito com a Influenza A, principalmente com (foto: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press)
O Ministério da Saúde começou a distribuir nesta sexta-feira (01/04) as primeiras doses da vacina contra a gripe para os estados que quiserem adiantar a campanha de vacinação marcada para começar oficialmente no dia 30. O que motivou a decisão foi a antecipação do surto da doença que assusta principalmente São Paulo. Neste ano, já foram confirmados 305 casos de um subtipo da gripe Influenza A, o H1N1, em 11 estados e no Distrito Federal. Desde janeiro, 46 pessoas morreram em decorrência da doença no país. O número assusta porque já é maior que o total de 2015, quando 141 pessoas tiveram a doença e 36 foram a óbito. Até agora, em Minas, foram notificados três casos de H1N1, sendo que dois evoluíram para óbito. Por aqui, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) decidiu não mudar o período de imunização por considerar que o estado “apresenta um quadro dentro do esperado para a sazonalidade da Influenza”.

A preocupação com a gripe H1N1, que já esvaziou das prateleiras das farmácias da cidade de São Paulo o medicamento indicado para combater o vírus, também tem levado pessoas a procurar por doses restantes da vacina da gripe de 2015 não só na capital paulista, mas em outras cidades do país.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Isabella Ballalai, explica que a proteção para o H1N1 oferecida pela vacina trivalente, disponível no ano passado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a mesma da vacina deste ano. Então, considerando apenas esse subtipo de gripe, foi adotada como medida de emergência em São Paulo a estratégia de usar as doses que sobraram de 2015 para conter o surto de H1N1 naquele estado. Porém, tanto o subtipo H3N2 quanto o subtipo da Influenza B de 2016 são diferentes da vacina de 2015. Portanto, quem tomou a vacina de 2015 para se proteger do surto atual, deverá voltar ao posto de saúde para atualizar a imunização. O intervalo recomendado entre uma e outra é de 30 dias.

De um ano para outro, a vacina da gripe é alterada de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) que leva em consideração os vírus que mais estão circulando em cada hemisfério. Professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, o pediatra e epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro lembra ainda que as vacinas de gripe têm eficácia de 6 meses a um ano, dependendo da reposta do indivíduo à imunização. “Mesmo que a vacina oferecida em 2016 fosse idêntica a de 2015, seria necessário repetir”, reforça.

Coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini, Marilene Lucinda afirma que na composição da vacina trivalente de 2016 consta a proteção para dois subtipos do vírus Influenza A, o H1N1 California e o H3N2 Hong Kong, e um subtipo da Influenza B, o Brisbane. A tetravalente, só encontrada na rede privada, oferece a proteção a mais para outro subtipo do vírus Influenza B, o Victoria. A presidente da Sbim, Isabella Ballalai, afirma que 80% dos casos de gripe que ocorrem no Brasil são do tipo Influenza A e 20% do Influenza B. “Os vírus da Influenza A e B são da mesma ordem de gravidade quando acometem indivíduos de grupo de risco. A diferença é a facilidade da Influenza A causar pandemia porque o vírus se modifica com uma velocidade maior. No caso da Influenza B, os surtos são mais localizados”, explica. Em Belo Horizonte, o preço médio da trivalente é R$ 70 e da quadrivalente, R$ 90.

É considerado grupo prioritário para a vacina da gripe idosos (acima de 60 anos), gestantes, mulheres no período de até 45 dias após o parto (puerpério), crianças entre seis meses e menos de 5 anos de idade, profissionais de saúde, indígenas, além dos doentes crônicos (pessoas que têm diabetes, asma, bronquite e hipertensão). Em Minas, esse grupo representa 4.933.081 de pessoas, mas o estado receberá 5.278.400 doses da vacina contra gripe. Até o momento, a campanha de vacinação no estado será realizada entre os dias 30 de abril e 20 de maio.

A presidente da Sbim reforça que tanto a trivalente quanto a tetravalente são vacinas seguras, com eficácia igual, as mesmas indicações, as mesmas contraindicações e o mesmo esquema de doses. Ou seja, criança menor de 3 anos recebe meia dose de duas vezes com intervalo de um mês; criança menor de 9 anos, que nunca tomou a vacina da gripe, também precisa receber duas doses para garantir a imunidade e, no caso de adulto, é dose única.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações é a vacina tetravalente. Isso por que, segundo a presidente da entidade, acontece de a aposta da OMS para o vírus da Influenza B que vai circular em determinado hemisfério não coincidir com o vírus que, de fato, vai predominar. “Na última década, a OMS errou em 50% das vezes a aposta de vírus da Influenza B que circularia no Brasil”, afirma Isabella Ballalai. A especialista reforça que os Estados Unidos são o único país que vacina toda a população contra gripe. As demais nações fazem como o Brasil e imunizam os grupos prioritários. “Não há vacina disponível no mundo para todos”, acrescenta.

A incidência maior dos casos de gripe Influenza no Brasil ocorre no final do outono e início do inverno. A antecipação do surto tem sido explicada por profissionais da saúde como resultado de viagens de brasileiros aos Estados Unidos, Canadá e Europa que trouxeram o vírus ao hemisfério Sul.

Gripe

Transmissão
A transmissão ocorre por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir. A transmissão também pode ocorrer pelas mãos. Após o contato com superfícies contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, as mãos podem carregar o vírus diretamente para a boca, nariz e olhos.

Período
O período de transmissão em humanos geralmente se inicia 24 horas antes do início dos sintomas. As crianças transmitem a doença por um período de 10 a 14 dias, os imunodeprimidos por mais de 14 dias e o adulto saudável por pelo menos por sete dias.

Sintomas
Os sintomas da H1N1 são similares aos da gripe comum e incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fadiga. Algumas pessoas relatam diarreia e vômitos associados à enfermidade. Nas manifestações graves da doença, os pacientes podem apresentar um quadro de pneumonia, falência respiratória e morte.

Como se prevenir
– Manter as mãos sempre limpas, principalmente antes de consumir algum alimento
– Use lenço descartável para higienizar o nariz
– Quando for tossir ou espirrar, cubra o nariz a boca com o braço
– Lave as mãos depois de tossir ou espirrar
– Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca
– Não compartilhe objetos de uso pessoal
– Mantenha os ambientes bem ventilados
– Evite contato próximo com pessoas que apresentem sinais de gripe

Gripe x resfriado

O resfriado também é uma doença respiratória frequentemente confundida com a gripe. No entanto, é causado por vírus diferentes como o rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (RSV), que geralmente acometem crianças. Os sintomas do resfriado, apesar de parecidos com da gripe, são mais brandos e duram menos tempo, entre dois e quatro dias. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo e dor de garganta leve. A ocorrência de febre é menos comum e, quando presente, é em temperaturas baixas.

Fonte: Ministério da Saúde

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