Hematologista esclarece dúvidas sobre tipo de câncer que acometeu governador do Rio

Luiz Fernando Pezão foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin

por Agência Estado 31/03/2016 11:18

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Minervino Junior/CB/D.A Press
De acordo com Daniel Tabak, especialista que trata o governador do RJ, a perspectiva para Pezão é de seis a oito ciclos de quimioterapia, com intervalos de 21 dias e 70% de chances de cura (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O diagnóstico do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, lançou luz sobre um dos tipos mais comuns de câncer: o linfoma. As células linfóides compõem o sistema linfático e são essenciais para a defesa do organismo. De acordo com o hematologista do Centro de Câncer de Brasília (Cettro), Jorge Vaz, há dois grandes grupos desse tipo de tumor: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não-Hodgkin, sendo o segundo associado a 80% dos casos da doença.

Segundo a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), há mais de 60 formas diferentes de linfoma não-Hodgkin. O governador Pezão tem o chamado "linfoma anaplásico de grandes células T-ALK positivo" que, embora de comportamento agressivo, é curável. A doença pode acometer qualquer parte ou órgão do corpo humano, visto que há células linfoides em todos os órgãos. Contudo, 90% surgem no sistema linfático. Entre os sintomas usuais destacam-se: inchaço de gânglios no pescoço, na axila ou na virilha, febre, suor noturno, coceira na pele, dores no corpo e perda de peso

Jorge Vaz esclarece que não há fatores genéticos associados à doença e que seu surgimento também não está associado a fatores comportamentais, tais como alimentação, exposição a agentes químicos ou hábitos de vida. "Os principais fatores de risco conhecidos estão associados apenas com alguns tipos específicos de linfoma, a exemplo da infecção pelos vírus HTLV (relacionado com o linfoma de células T do adulto) e da bactéria Helicobacter pylori (associada ao linfoma tipo MALT gástrico)", afirma o especialista.

O tratamento varia. No caso dos linfomas de Hodgkin, a maioria é tratada com quimioterapia associada ou não à radioterapia. Já nos linfomas não-Hodgkin, o tratamento depende diretamente da identificação do subtipo da doença. Embora a base seja a quimioterapia, outra poderosa arma de combate é a imunoterapia, com o uso de anticorpos monoclonais, além de eventual necessidade de transplante de medula óssea e radioterapia.

De acordo com Daniel Tabak, especialista que trata o governador do RJ, a perspectiva para Pezão é de seis a oito ciclos de quimioterapia, com intervalos de 21 dias e 70% de chances de cura.

O Brasil deve registrar 10.240 casos de linfoma não-Hodgkin em 2016, com incidência maior em homens do que em mulheres. Jorge Vaz destaca que não existe uma estratégia de prevenção: "É fundamental a estrita observação das alterações do nosso organismo e a procura de um especialista caso algum sintoma que possa ser relacionado com o linfoma esteja presente. A detecção precoce da doença, como se sabe, aumenta muito as chances de cura", finaliza.

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