Sling dance: conheça a atividade em que os pais e bebês dançam juntos

Precursora da atividade em Brasília afirma que dança é importante para aliviar as tensões e ajudar as alunas a se reconectarem com o próprio corpo após a maternidade

por Revista do CB 16/02/2016 14:40

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	Zuleika de Souza/CB/D.A Press
O sling dance aumenta o contato afetivo com o bebê e proporciona a troca de experiência com outras mães (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
“Quando chover / deixar molhar / pra receber o Sol quando voltar.. É com a música Felicidade, de Marcelo Jeneci, que a psicóloga e terapeuta corporal Mariana Russo encerra a aula de sling dance, com cerca de metade dos bebês da turma adormecidos. Mariana conta que a música pode facilmente ser uma metáfora para a maternidade, já que fala sobre a recompensa que há mesmo quando as situações da vida parecem difíceis de lidar.

Há quatro anos, ela ministra aulas de sling dance na Studio de Dança Lorena Guerra, que apostou no método que leva seu próprio nome. A terapeuta corporal, que afirma ser a precursora da atividade em Brasília, é professora de dança para mulheres há 20 anos. Ela conta que a dança é importante para aliviar as tensões e ajudar as alunas a se reconectarem com o próprio corpo após a maternidade. Ela critica a pressão que a concepção de maternidade atual traz, com carga excessiva de tarefas e momentos de prazer — individuais e compartilhados — escassos.

O astro da atividade é o sling, pano que deve ser amarrado ao corpo do adulto de modo que forme uma “bolsa” para abrigar a criança. O resultado é algo parecido com cangurus. O acessório é uma alternativa para carrinhos de bebê, e a contadora Keila Rocha, 33 anos, afirma que é uma grande ajuda no dia a dia das mamães. “É seguro. Dá até para amamentar”, conta a mãe de Antônio, de 5 meses. “Você pode lanchar, andar. É só colocar a criança no sling”, ensina.

Mariana Russo lembra que um dos princípios da aula é o Método Movare, em que cada articulação é trabalhada para “destravar” o corpo. Ela usa, inclusive, ilustrações dos movimentos para facilitar a visualização. Hoje, além de ministrar as aulas, Mariana presta consultoria para o Ministério da Saúde na área de fortalecimento de vínculo familiar e ressalta que o sling é importantíssimo nessa aproximação. A terapeuta conta que já chegou, inclusive, a ministrar aulas para homens.

Essa visão é compartilhada pela professora Dani Rico. “O objetivo é a afetividade, o colo, a troca de calor”, conta.Dentre os principais benefícios dessa dança para os pequenos estão a melhora da cólica e do sono. Mas o maior ganho, sem dúvida, é o contato com a mãe. Segundo Russo, o uso do sling ajuda no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. “É uma atividade para a fase do pós-parto, pensando muito mais no bem-estar e no prazer de ambos. Quando você tem uma mãe feliz e relaxada, o bebê está bem”, afirma.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
O sling dance não é uma atividade de risco, mas pede alguns cuidados (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)

Arthur, de 7 meses, faz a atividade com a mãe desde os 2 meses e meio de idade. A médica Helba Silva, de 33 anos, conta que conheceu a sling dance ao acaso, quando procurava unir a dança e algo que Arthur pudesse participar. “A gente passa muito tempo com o bebê que não é de qualidade, então, você tem uma tarde diferente, que muda a energia dos dois. É uma hora que você está ativamente se divertindo com ele”, define.

Outro ponto positivo, nesse caso, para as mães é a socialização e a quebra da rotina de puerpério, que pode ser cansativa e entediante. Os bebês das servidoras públicas Flávia Silva, Sílvia Corti e Márcia Rocha, todas de 33 anos, não faziam nenhuma atividade até então. Elas se conheceram em um outro programa de gestantes, mas foi a amiga Priscila Grynberg, de 35 anos, quem apresentou a modalidade. “É uma oportunidade de reencontrá-las e conhecer os bebês”, comemoram. O happy hour baby, como é conhecido, é um momento de amizade natural que as mães criam quando se reúnem para um lanche após a aula. “É importante essa troca de experiências e compartilhamento”, observa a professora.

Para algumas das alunas da professora Dani Rico, que idealizou um programa para mamães que começa já na gravidez, o foco da aula é a queima calórica, limitada pela falta de tempo na rotina materna. A advogada Rosiane Camargo, de 35 anos, pratica a modalidade desde os 3 meses do filho Otaviano, atualmente com 6 meses. Desde a gestação, ela fazia parte do Programa Dani Rico e realizava outras atividades, como natação. Para ela, o emagrecimento e a melhora na disposição são alguns dos ganhos da atividade para as mamães. O pequeno Otaviano também aprovou. Ganhou qualidade de vida e até fica mais agitado quando se aproxima o horário da aula. “Nos outros dias, em que não tem nada para fazer, fica agoniado em casa. Ele sente”, conta a mãe. O grupo também tem o seu happy hour baby. “É um momento de a gente se encontrar, conversar e trocar experiências. Sempre saímos daqui e fazemos algum lanchinho”, diz Rosiane.

O sling dance não é uma atividade de risco, mas pede alguns cuidados. O bebê deve ficar sentadinho e de frente para a mãe, não pode estar deitado ou com a cabeça solta do pano. O ritmo da música não pode ser muito agitado, devido ao risco da síndrome do bebê sacudido. Apesar do claro acréscimo de peso com o corpinho do bebê, um sling bem posicionado distribui a massa igualmente e não sobrecarrega a coluna de quem o estiver carregando.

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