Zika vírus e carnaval: pode beijar sem medo?

Especialistas tiram dúvidas sobre risco de infecção através da saliva

por Correio Braziliense 08/02/2016 11:34

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REUTERS/Sergio Moraes
(foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Após a divulgação da presença do vírus zika em saliva e urina, feita na última sexta-feira pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), muitos foliões se preocuparam com o risco de infecção no feriado. Pode beijar? Pode dividir o copo com os amigos? A reportagem conversou com uma especialista para tirar as dúvidas. De início, a infectologista Dominique Thielmann, do Laboratório Exame, lembra que a Fiocruz ainda não confirmou se há transmissão de vírus pela saliva e urina. “A presença do vírus nesses meios já era conhecida por biologia molecular. Agora, foi descoberta em seu estado infeccioso. Só que a gente não tem conhecimento ainda se esse vírus resiste chegando no estômago, em contato com o suco gástrico”, explica. Também não se sabe se o vírus pode ultrapassar pele e mucosas, no caso da urina.

Portanto, a indicação de cuidados extra é somente para as gestantes, devido ao risco de microcefalia, malformação que afeta o desenvolvimento da cabeça e do cérebro dos bebês. As mulheres grávidas devem evitar aglomerações; compartilhamento de copos, talheres e escovas de dentes; beijos em pessoas com sintomas de infecção e ficar atentas à higiene das mãos. “Para as outras pessoas, não tem nenhuma restrição de beijo”, tranquiliza a infectologista. A transmissão sexual do zika, que também está sendo estudada, ainda não deve ser motivo de preocupação. Entretanto, ressalta a especialista, a camisinha deve ser sempre utilizada para proteção ao HIV, aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorréia. “O zika ainda não é considerado DST. Temos um caso descrito de um pesquisador americano que foi à África e transmitiu a esposa quando retornou. Mas o uso do preservativo e indicado sempre”, esclarece Dominique.

O vírus zika, transmitido pelo Aedes aegypti, provoca sintomas mais leves que o da dengue: febre baixa, manchas vermelhas na pele, dores no corpo e, em alguns casos, conjuntivite. Para os que querem se proteger do mosquito, o repelente é a principal arma. Segundo a Anvisa, todos os repelentes disponíveis no mercado brasileiro são seguros para as grávidas.

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