Ronco e apneia podem provocar problemas de saúde e comprometer o bem-estar

Estudos mostram que, nos países industrializados, 40% da população ronca, sendo que o percentual aumenta para 60% nos homens acima de 60 anos

por Augusto Pio 10/12/2015 10:00

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Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
James e Andréa Johnson, da Clínica do Ronco, explicam que a apneia pode predispor a pessoa a problemas graves, como infarto e AVC (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Embora não pareça, o ronco é um problema sério para muita gente, pois dormir ao lado de uma pessoa que ronca não é nada agradável. Estudos mostram que, nos países industrializados, 40% da população ronca, sendo que o percentual aumenta para 60% nos homens acima de 60 anos. Mas, por que roncamos? A explicação é que o ronco ocorre quando o tecido mole da região bucal vibra. Assim, durante o sono, o tônus muscular do pescoço e da faringe diminui. Isso causa um estreitamento nesse canal e o volume de ar necessário para encher o pulmão precisa ser inspirado a uma velocidade maior, consequentemente, ocorre a vibração sonora dos tecidos moles (ronco). O ronco é um sinal de vias aéreas com estreitamento e de esforço respiratório durante o sono, que podem resultar em sonolência excessiva durante o dia, provocar dores de cabeça e afetar de maneira negativa a qualidade de sono do parceiro. É importante observar que o ronco pode ser um sintoma de uma doença grave e hoje se sabe que ele pode causar a esclerose das carótidas.

Outro problema mais sério ainda é a apneia do sono obstrutiva (ASO), que é um distúrbio respiratório do sono debilitante, definido como uma parada respiratória durante 10 segundos ou mais. A palavra apneia tem origem na língua grega e quer dizer “sem ar”. É que, durante o sono, os músculos do corpo relaxam, permitindo que os tecidos moles do palato e da garganta e a língua obstruam as vias aéreas. O corpo reage interrompendo o sono com descargas de adrenalina durante cada apneia, restaurando a respiração normal, mas priva a pessoa de ter uma boa noite de sono. Quanto maior o número de acordares por noite, mais a saúde e o metabolismo do indivíduo ficam comprometidos.

A apneia, quando não tratada, é considerada uma doença grave que pode causar, além da queda na qualidade de vida pela sonolência diurna excessiva e má qualidade de sono, um risco aumentado para problemas cardíacos, como pressão alta, batimento cardíaco irregular, infarto do miocárdio e até impotência. Nos EUA, mais de 100 mil pessoas* são mortas ou feridas a cada ano em acidentes automobilísticos atribuídos a motoristas que dormiram ao volante ou que estavam desatentos devido a uma sonolência severa. Estima-se que, no Brasil, de 27% a 32% dos acidentes de trânsito e de 17% a 19% dos mortos no trânsito são provocados por cochilos dos condutores enquanto dirigem.

TRÊS TIPOS
Andréa Johnson, da Clínica do Ronco, especializada no tratamento de ronco e apneia do sono obstrutiva, bruxismo e dor temporo-mandibular (DTM), esclarece que existem três tipos de apneia: a central, a obstrutiva e a mista. “A mais comum é a apneia obstrutiva. O sintoma clássico é a sonolência diurna, outros são cefaleia matinal, cansaço ao acordar, boca seca, esquecimento (memória falha) e falta de concentração. Vários fatores predispõem a apneia obstrutiva, entre eles, o aumento da idade, do peso, fumo, álcool alguns medicamentos, menopausa e o fator hereditário como a anatomia da garganta e a perda da tonicidade da musculatura da região”, ressalta a especialista.

Andréa é cirurgiã-dentista, especialista em prótese e especializada em odontologia do sono, com cursos e estágios em São Paulo, Alemanha e EUA. Também é membro da Associação Brasileira do Sono e diretora científica da Associação Mineira de Odontologia do Sono (Amos). Ela alerta que a apneia é uma síndrome que, sem tratamento, pode predispor a pessoa a problemas graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). James Edward Johnson, neuropsicólogo formado nos EUA, protético-chefe do Laboratório de Placas Intraorais Moldmaker, com cursos e estágio na Alemanha, EUA e Brasil, esclarece que as causas são, principalmente, uma anatomia que favorece o estreitamento do calibre da via aérea e uma falta de tonicidade da musculatura da região da orofaringe, que são muitas vezes fatores hereditários. James também é membro da Associação Brasileira do Sono e vice-presidente da Associação Mineira de Odontologia do Sono (Amos).

James explica que não há como evitar a doença na maioria dos casos. “Isso porque vários fatores contribuem para o aparecimento da apneia. Porém, se for causada por um único fator, como aumento de peso ou uso de bebida alcoólica ou de medicamentos que causem o relaxamento muscular, é possível que, ao retirar a causa, evite-se a doença. Geralmente, o que pode levar à morte são as sequelas, não a doença em si, mas um evento de apneia pode levar à morte, sim. Na maioria dos casos, os tratamentos são de alívio, feitos por meio do uso de placas intraorais de avanço mandibular ou do CPAP – um compressor de ar ligado a uma a máscara nasal ou facial, mas, em alguns pacientes, o emagrecimento ou as cirurgias ortognáticas (avanço cirúrgico dos maxilares) podem levar à cura.

Quanto ao ronco, Andréa explica que é o ruído causado pelo estreitamento da região atrás da língua, do final do palato e da úvula. “Os fatores que predispõem ao ronco são os mesmos que levam à apneia e os tratamentos mais usados são os de alívio, que não curam. Esses, normalmente, são feitos por meio de aparelhos intraorais e/ou exercícios, que melhoram a tonicidade da musculatura. Se parar de usar o aparelho ou de se exercitar, o ronco tende a voltar. Em alguns casos, dependendo da causa do ronco, pode-se obter a cura com a perda de peso e cirurgia.

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