Elas não querem saber de boneca e são apenas duas meninas em 350 na escola de futebol do Boca Juniors

Mas isso é apenas um detalhe para quem desde cedo sabe exatamente o que quer

por Revista do CB 30/09/2015 10:00

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Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Thalita, de 12 anos, e Alice, de 9, sonham em ser jogadoras profissionais (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Alice de Souza, 9 anos, e Thalita Linhares, 12, são duas meninas que fogem do esterótipo de uma garota da idade delas. Elas têm paixões diferentes. Em vez de insistirem com os pais para ganharem o brinquedo do momento, o que Alice e Thalita queriam era a oportunidade de jogar em uma escolinha de futebol. Depois de pedir várias vezes, elas finalmente, conseguiram. Hoje, falam com largos sorrisos sobre o começo da realização do sonho da vida delas. Na escola de futebol do time argentino Boca Juniors são 350 meninos matriculados, e elas são as únicas representantes do sexo feminino em campo.

Para ingressarem na escola de futebol, as duas pequenas tiveram um grande desafio: convencer as mães. Fabiana de Souza, 39 anos, é mãe da decidida Alice. Ela conta que a filha sempre quis jogar, ela que não deixava. “Eu tinha medo e tentava protegê-la, mas a Alice sempre acompanhava os dois irmãos, que jogam na mesma escola, e um dia o treinador me pediu para deixar ela jogar. No fim da aula, ele elogiou muito o desempenho dela”, explica Fabiana. De acordo com a mãe, foram os elogios e incentivos do treinador que a fizeram ceder ao desejo da filha.

Danielle da Silva, 33, mãe da sonhadora Thalita, também demorou para ceder e matricular a filha na escola do clube argentino. Foi a insistência de Thalita que venceu a batalha. “Desde criança, ela joga bola e sempre gostou de brincadeiras de correr. No princípio, não quis deixar por receio dela se machucar. Afinal, ela iria levar boladas e tomar carrinhos (lance em que o jogador se joga no chão para roubar a bola de outro jogador). Mas ela insistiu e me venceu pelo cansaço”, confessa Danielle.

Apesar de tão jovens, Thalita e Alice são muito bem resolvidas. A opinião alheia não impede os sonhos dessas crianças. Thalita tem admiração pela atacante da Seleção Brasileira Marta da Silva. Quer ser como ela no futuro. O plano B é ser atriz. Já Alice idolatra o camisa 10 da seleção, Neymar Júnior, e também quer ser jogadora profissional. A segunda opção dela é a medicina veterinária.

As jogadoras não veem o fato de serem as únicas mulheres como um motivo para se sentirem tímidas ou terem medo. Thalita Linhares joga como lateral e afirma que, para ela, ser a única menina em um time masculino é um desafio. “Às vezes, eles são mais rápidos do que eu, mas dá pra jogar e isso me motiva, me esforço mais”, diz. Alice de Souza tem uma vantagem. Ela já está acostumada a jogar com homens. Na casa dela, os dois irmãos e o pai dividem a mesma paixão. “Meus irmãos me ajudam a treinar quando estamos em casa. Praticamos embaixadinhas e toques juntos”, conta Alice.

“A Thalita fala tanto do futuro que, às vezes, me preocupo. Ela quer ser jogadora de futebol e sempre me pergunta: ‘Já pensou eu que nem a Marta, mãe?’. Ela fala tanto disso que eu realmente fico imaginando, mas sei que aqui no Brasil o cenário é difícil. Falta apoio”, comenta Danielle.

As atletas-mirins destacam que, felizmente, nunca tiveram problemas de discriminação por jogarem em times em que os garotos são maioria. Elas afirmam que a convivência é boa. “Os meninos sempre acham que são melhores que as meninas, mas, se a gente treinar, podemos tentar ser melhores que eles, para fazer eles pararem de falar assim. No Brasil, não temos muitos times de futebol feminino, nem muitas jogadoras de destaque”, observa a pequena Thalita. Alice lembra que, durante os treinos, os outros jogadores não tocam a bola para ela. Nesses casos, ela se esforça para marcar mais e tentar recuperar a posse de bola.

Arquivo Pessoal
A brasiliense Nádima Skeff chegou a participar da Seleção Brasileira Sub 20: hoje, é treinadora de crianças (foto: Arquivo Pessoal )
Palavra de craque
Nádima Skeff, 25 anos, começou a carreira no futebol cedo. Quando tinha aproximadamente 9 anos, entrou para uma escola de futsal. Foi o pai de um amigo dela que a viu jogar e sugeriu que ela começasse a treinar. Aos 15 anos, Nádima começou a jogar em clubes de Brasília. “Participei de campeonatos Sub 20 e adultos, tanto em nível regional como nacional. A experiência foi fantástica, fiz várias amigas, pessoas que levo para o resto da vida”, lembra. Aos 18 anos, o sonho virou realidade e ela foi convocada para a Seleção Brasileira Sub 20 de futebol de campo. Na Seleção, Nádima chegou a conquistar o título de campeã do campeonato Sul-Americano.

Foi então que recebeu um convite inesperado. Ela recebeu uma bolsa de estudos na Armstrong Atlantic State University, localizada na Georgia, Estados Unidos. Nádima recebeu uma bolsa integral para jogar futebol pela universidade. Ela se formou em ciências da saúde e jogou pelo time da universidade por três anos. “Depois que me formei, joguei em um time pré profissional, o Silverbacks. Entretanto, minha passagem foi bem curta e, em seguida, decidi pendurar as chuteiras”, esclarece.

Atualmente, Nádima Skeff continua morando nos Estados Unidos, é treinadora em uma escola de futebol para crianças e prepara aproximadamente 60 meninas. “Nunca havia pensado em ser treinadora. Quando resolvi parar de jogar, queria viver uma vida normal, mas tinha nenhuma experiência em qualquer coisa nessa vida que não fosse futebol. Hoje sou apaixonada por treinar crianças e adolescentes”, assume a treinadora. Para as meninas, que, assim como Alice e Thalita, sonham em jogar profissionalmente, ela tem um conselho. “Se elas amam o que fazem, são agradecidas e sempre estão concentradas no que querem, podem fazer o que quiserem, dentro e fora das quatro linhas”, estimula a brasiliense.

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