Uma das principais causas de cegueira no mundo tem tratamento

Estima-se que 10% da população com idade acima de 60 anos terá Degeneração Macular Relacionada à Idade

por Agência Estado 21/09/2015 11:26

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A DMRI é uma doença multifatorial, sem uma causa especifica e ocorre por vários motivos (foto: SXC.hu)
A visão é um dos sentidos mais importantes para os seres humanos. Pesquisas realizadas pela Sociedade de Educação dos Estados Unidos, indicam que 85% da interação do individuo com o seu ambiente se dá por meio da visão. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,1 milhões de brasileiros são cegos e outros 4 milhões possuem algum tipo de deficiência visual.

Com a progressão da expectativa de vida dos brasileiros, a tendência é que esse número aumente a cada ano. Em 2025 o Brasil terá cerca de 32 milhões de habitantes com mais de 60 anos de idade, e será o 6º pais do com maior número de idosos do Mundo.

Dentre as causas de cegueira na população idosa, uma das mais agressivas é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). A doença atinge milhões de brasileiros todos os anos. Estima-se, que cerca de 10% da população com idade acima de 60 anos desenvolverá DMRI. Esse percentual aumenta significativamente à medida que a idade avança.

Dos portadores de DMRI, outros 10% irão desenvolver sua forma úmida, também conhecida como DMRI exsudativa, que tem como característica o crescimento de vasos sanguíneos deformados na região da mácula, causandohemorragias, edemas e perda da visão central.

A DMRI é uma doença multifatorial, ou seja, não tem uma causa especifica e ocorre por vários motivos - que até o momento não foram totalmente desvendados. Sabe-se que a doença pode estar relacionada a fatores genéticos, qualidade de vida e tabagismo. O consumo de determinadas vitaminas e antioxidantes podem ajudar na sua prevenção, porém, ainda são necessários estudos para que as afirmações sejam validadas.

A importância do diagnóstico precoce
Por se tratar de uma doença silenciosa, é preciso realizar um acompanhamento com o médico oftalmologista, sobretudo após os 50 anos idade, quando varias doenças oculares passam a ter mais representatividade na população.

A DMRI seca avança lentamente e torna a visão central distorcida, causando alterações de cores e outros sintomas. Já a DMRI úmida tem seus efeitos demonstrados de forma mais abrupta. O paciente perde a visão central rapidamente e na maioria dos casos,passa a enxergar uma mancha escura no meio da imagem, restando somente a visão periférica.

João Guilherme de Moraes, oftalmologista especialista em retina e vítreo, explica que por meio do diagnóstico precoce da DMRI exsudativa (úmida), é possível estabelecer estratégias de tratamentos que visam interromper a progressão da doença.

Os avanços no tratamento da DMRI úmida
A Degeneração Macular Relacionada à Idade sempre trouxe muitos desafios para os médicos oftalmologistas, pois os tratamentos disponíveis até algum tempo não eram capazes de evitar a progressão da doença na maioria dos pacientes. Porém, nos últimos anos, o tratamento da DMRI úmida (exsudativa) teve significativos avanços com o uso das terapias Anti-VEGF. Com resultados animadores, essa terapia é considerada um marco no tratamento da DMRI exsudativa.

O VEGF é o fator de crescimento vascular endotelial que causa o crescimento de vasos anormais na mácula, gerando a DMRI úmida. A terapia Anti-VEGF bloqueia a função do VEGF, ou seja, impede que novos vasos anormais se desenvolvam. Mais do que conseguir evitar a progressão da doença (que é estabilizada em 90% dos casos), otratamento é capaz de melhorar a acuidade visual de 25% a 45% dos pacientes, número nunca alcançado por meio de outros tipos de tratamento.

O tratamento com medicamentos Anti-VEGF consiste na aplicação da medicação dentro do olho do paciente. Conhecido como injeção intravítrea, o procedimento é realizado em centro cirúrgico e o especialista em retina injeta a medicação diretamente no olho, obtendo melhores resultados. O Dr João Guilherme de Moraes fala que o procedimento é indolor e precisa ser realizado mais de uma vez. Visando obter o melhor resultado possível no tratamento, a freqüência das aplicações varia para cada paciente.

Em 2010, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu no Rol de procedimentos obrigatórios para os convênios, a injeção intravítrea. Assim, o paciente possui a cobertura para a aplicação do medicamento, sendo necessário somente a compra da medicação.

João Guilherme de Moraes relata que a DMRI úmida causa enorme impacto na qualidade de vida dos pacientes. Como a acuidade visual do paciente é baixa, tarefas simples do dia a dia não podem ser executadas.

Portanto, é fundamental que o diagnóstico da DMRI seja rápido. Para isso,é necessário que sejam realizadas visitas regulares a um especialista em retina é vítreo.Adetecção da DMRI é realizadapor meio de exames de fundo de olho, que identificam a doença antes do surgimento dos primeiros sintomas

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