Pais e padrastos podem incentivar a prática de esporte na vida das crianças

Crianças podem praticar exercícios desde bebês

por Revista do CB 09/08/2015 09:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Dudu se inspirou no padrasto, Wesley, e , há três anos, passou a jogar basquete: sintonia (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
O amor pelo esporte pode passar de pai para filho. A prática de exercícios físicos em família é extremamente saudável e positiva para todos, pois o esporte é capaz de estreitar as relações e afinidades dentro de casa. “Os pais influenciam tanto na prática quanto na escolha da modalidade. Qualquer outro hábito também pode ser passado do pai para a criança. Eles devem incentivar e apresentar diferentes modalidades”, explica a personal trainer infantil Sílvia Lobato.

Eduardo, 12 anos, ou Dudu, se encantou pelo basquete graças ao padrasto — que é professor de educação física. “Ele sempre pedia para ir à academia comigo e até fazia outros esportes, mas não focava em nenhum. Quando conheceu o basquete, não parou mais”, conta Wesley Paixão, 38 anos.

Ele conta que participa ativamente dos treinos e do preparo físico do garoto. “Não interfiro muito na parte técnica. Sempre respeito a idade e os limites dele”, explica Paixão, que é só elogios para o garoto. “Ele é muito disciplinado, tanto para o treino quanto para a alimentação. Sempre está muito disposto”, afirma.

Mãe do menino, a servidora pública Luciana Andrade, 36 anos, conta que o companheiro foi inspiração para Dudu. “Antes, ele fazia alguns esportes, mas não era apaixonado por nenhum. Quando viu que o Wesley gostava de basquete, começou a jogar também e até agora não parou mais”, afirma a mãe de Dudu.

Eduardo tem aulas três vezes por semana e, além disso, faz treinamento funcional. Além do basquete, eles praticam outros esportes juntos. “A gente faz corrida e às vezes stand up paddle”, afirma Paixão.

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Professora de natação, Noely Sarmanho foi incentivada pelo pai desde pequena (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)

Melhores amigos

A parceria dos dois vai além do esporte. “Somos grandes amigos”, afirma o professor de educação física. Eles se conheceram quando o garoto tinha 9 anos. Wesley conta que a aproximação dos dois foi rápida. “Ele foi o cupido. Quando ficou sabendo que eu estava conhecendo melhor a Luciana, ficou superfeliz e fez de tudo para a gente ficar junto”, conta. Dudu confirma. “Eu já gostava dele e torci muito para eles ficarem juntos”, explica.

Wesley brinca que pediu autorização do garoto. “Luciana treinava comigo e ele armou toda a situação para a gente ficar junto. Dudu adorou a notícia e eu perguntei para ele se podia namorá-la”, conta Wesley.

Os dois têm muita coisa em comum. “São muitas afinidades, conversamos muito e sobre tudo. Nunca brigamos”, diverte-se Wesley. A mãe afirma que a relação dos dois é de parceria. “Quando vou buscá-lo na escola, a primeira coisa que ele faz é perguntar se o Wesley já chegou em casa. A conexão é impressionante, nunca esperei uma relação tão amigável”, afirma.

Eduardo tem dois exemplos de atleta em casa. Isso porque o pai é ex-lutador de judô. A relação de todos é ótima. “O pai dele é bem tranquilo quanto a isso e até voltou a se exercitar mais. Nunca tivemos problemas”, conta o padrasto. Dudu acredita que tem muita sorte. “Quero voltar a fazer judô”, garante.

O garoto deseja continuar no mundo dos esportes. “Pretendo ser atleta. Desde pequeno, sempre gostei muito de basquete, mas comecei a ficar mais ligado depois que conheci o ‘tio Wesley’”, afirma. Sobre o comportamento do garoto são muitos elogios. “Ele não tem problemas de relacionamento. É sempre muito extrovertido, falante e animado. Depois que eu casei com a mãe dele, ficou mais feliz ainda. Eu o considero como filho e melhor amigo”, conta Wesley Paixão.

O pai da professora de natação Noely Sarmanho, 42 anos, sempre sonhou em ter um filho atleta. O aposentado Clodoaldo Mendes Paulo, 70, tinha um “plano”. Os rebentos deveriam estudar inglês, música e praticar algum esporte. No que mais eles se destacassem, seu Clodoaldo investiria.

E foi assim que começou a carreira de Noely, professora há 28 anos. “Meus irmãos seguiram em outras carreiras e eu me apaixonei pelo esporte. Desde os 5, faço natação e nem penso em outra coisa”, conta. O pai sempre esteve muito envolvido na vida esportiva da filha. “Ele acordava cedo, me acompanhava nos treinos, nas competições, torcia e até participava de uma associação de pais de atletas”, orgulha-se a professora.

Noely conta que a família inteira se envolveu com a prática de exercícios. “Até mesmo a alimentação da casa mudou. Todos passaram a comer apenas o que eu comia também”, relembra. Atualmente, pai e filha moram em cidades diferentes. “Estou em Brasília e meu pai em Belém. Mas sempre estamos em contato. Ligo para contar sobre as provas, modalidades e sobre o meu trabalho como professora de natação. Ele adora”, explica.

Apesar da paixão pelo esporte, o pai de Noely Sarmanho nunca foi atleta. “Mas também não era completamente sedentário. Gostava de caminhar e jogar futebol”, afirma. Ela conta que o esporte foi fundamental na vida. “Eu construí uma carreira, ganhei muitas bolsas de estudos e foi muito importante para a formação do meu caráter”. E, para a professora, o pai foi o grande responsável por tudo isso. “Além de ter me matriculado nas aulas de natação, o apoio dele durante todos esses anos foi fundamental. Ele sempre me animou e me fez sentir especial”.

A retribuição vem em forma de medalhas e conquistas. “Meu pai sempre torceu muito e eu vivia focada em fazê-lo feliz. Ganhar as competições era uma forma de presenteá-lo por tudo que ele fazia por mim. Era um agradecimento”, conta. “Quando eu tinha bons resultados era uma verdadeira festa. Ele pulava na piscina e toda a família comemorava”, relembra.

Os dois são muito unidos e a professora nunca pensou em fazer outro esporte. “Sou uma pessoa realizada e muito agradecido por tudo que aconteceu comigo e acredito que o esporte pode salvar vidas”, explica Além das aulas de natação, Noely é formada em pedagogia e artes plásticas. “Ainda prefiro a piscina. Acho que esse é meu lugar”, justifica.

De acordo com a personal trainer Sílvia Lobato, crianças podem praticar exercícios desde bebês. “A partir dos 6 meses, podem ser inseridas na natação. Com 4 anos, outros esportes são liberados. É importante desenvolver a psicomotricidade, ou seja, ela deve praticar várias atividades para desenvolver habilidades e escolher a que mais se identifica”, explica.

A participação dos pais é de grande importância. “Assistir treinos, ser parceiro, incentivar e focar no prazer do esporte. O pai pode até mesmo assistir jogos com os filhos e mostrar exemplos de atletas que se superaram”, explica.

No caso de famílias completamente sedentárias é mais difícil dar o exemplo. Pode virar obrigação e deixar de ser prazeroso. Para Sílvia, é importante dar exemplo e ela aponta uma solução para os pais que sentem dificuldade. “Eles podem pedir ajuda para um outro parente que pratica esportes”. O principal é a parceria. ‘O mais importante de tudo é estar junto e apoiar. Incentivo é fundamental”, finaliza a personal trainer.

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