Muito comuns no Brasil, cirurgias plásticas demandam precauções

Em 2014 foram feitas 1,49 milhão de procedimentos cirúrgicos estéticos no país

por Agência Brasil 18/05/2015 10:16

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Eduardo Rocha/ RR / 31/07/00
Nos últimos dez anos a população brasileira aumentou 10%, mas o número de cirurgiões plásticos cresceu 90% (foto: Eduardo Rocha/ RR / 31/07/00)
Diminuir a barriguinha, aumentar os seios e levantar o nariz estão entre os procedimentos estéticos corriqueiros que colocam o Brasil como país com maior número de cirurgias plásticas estéticas em todo o mundo. Mas, apesar de o país ter cirurgiões plásticos conceituados no mundo todo, quem procura por esse tipo de procedimento deve tomar algumas precauções.

Segundo dados Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, enquanto nos últimos dez anos a população brasileira aumentou 10%, o número de cirurgiões plásticos aumentou 90%. Em 2014 foram feitas 1,49 milhão de procedimentos cirúrgicos estéticos.

O professor de psicologia social da Universidade de Brasília, Fábio Iglesias, conta que a busca por essas modificações faz parte de um processo chamado de gerenciamento de impressões, com o qual as pessoas buscam se posicionar em determinados meios. Ele explica que assim como as pessoas procuram se vestir, se maquiar, escolher fotos para as redes sociais pensando em como serão vistas e em serem bem aceitas, elas procuram os procedimentos estéticos com a mesma finalidade. “Essa cirurgia permite que a impressão sobre aquela pessoa seja melhor gerenciada e de uma forma que hoje não é mais tão cara e que também é mais rápida que outros meios”, explica.

O especialista ressalta que como o clima do Brasil, principalmente em regiões litorâneas, favorece a exposição do corpo, a preocupação com a estética também aumenta. “As pessoas exibem muito mais o corpo. Esse apego muito grande à beleza, parecer mais bonito e mais jovem é bastante evidente aqui, o que coloca o Brasil no topo desse ranking mundial”.

O presidente da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Fernando Prado, aconselha o paciente a, antes de passar por um procedimento como esse, pedir referências de médicos e consultar, no site da entidade, se o profissional tem o título de especialista. “Às vezes médicos que não conseguem residência acabam aceitando um pouco de cada especialidade, mas não ficam realmente qualificados em nenhuma”. O especialista cita pesquisa de 2008 apontando que 97% dos erros em cirurgias plásticas foram cometidos por profissionais que não passaram pela residência específica. Ele ainda conta que a consulta deve ser longa o suficiente para tirar todas as dúvidas do paciente.

Depois de duas cirurgias não satisfatórias para modificar o nariz, a carioca Sônia Cruz buscou um terceiro procedimento. Desta vez, a aposentada sofreu danos graves. “Nesse terceiro procedimento o camarada retirou toda a cartilagem do meu nariz. Eu tive que fazer outra cirurgia para reparar, tive que repor cartilagem da orelha no nariz”, contou Sônia. Só depois dos danos, ela soube que o médico não era especialista em cirurgia plástica. Oito anos depois, Sônia passou por outro procedimento e, mesmo assim, não ficou totalmente satisfeita com o resultado.

Em alguns casos, mesmo tomando todas as preocupações, um procedimento cirurgico pode acabar mal. Em 2014 a bancária brasiliense Railma Siqueira buscou, aos 32 anos, um especialista para trocar as próteses mamárias. “Ela pesquisou bem, eu fui com ela ao médico, que nos passou confiança, de quem tivemos referências. Agimos com segurança", conta Cleydson Siqueira, marido de Railma. Ao conversar com o médico, a bancária resolveu fazer ainda uma miniabdominoplastia e uma lipoaspiração. Railma morreu dias depois da cirurgia, após passar por duas hemorragias.

“Nós acreditávamos que tínhamos um bom profissional. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Ele foi negligente. Teve a oportunidades de socorrê-la e não o fez, mas não podemos generalizar, tem ótimos profissionais no mercado”, disse Cleydson.

Por outro lado, cirurgias bem sucedidas podem realmente mudar a vida do paciente. A cabeleireira de Brasília Silvia Olive, de 39 anos, estava com a autoestima baixa com as mudanças que a gravidez provocou em seu corpo. “Eu não me sentia nada atraente. Nem tinha espelho em casa, não ficava sem roupa na frente de ninguém. Procurei muito e pesquisei no site do conselho para ver se o médico que me indicaram era especialista”, relembra. Depois de uma lipo e uma abdominoplastia no ano passado, ela está satisfeita. “Eu passei a me olhar no espelho novamente. Até a intimidade com meu marido melhorou. Agora tenho coleção de lingerie”, conta Sílvia.

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