Câncer de intestino é altamente evitável pela colonoscopia; exame deve ser feito a partir dos 50 anos

Tumor é o segundo em incidência nas mulheres e o terceiro nos homens

por Augusto Pio 05/11/2014 10:38

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De acordo com estatísticas, cerca de 30 mil pessoas terão cânceres de intestino no país este ano. É o segundo tipo que mais acomete as mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama, e o terceiro mais incidente entre os homens, depois do de próstata e do de pulmão, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 2014. O tema será debatido na 13ª Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD), entre os dias 22 e 26 deste mês, no Rio de Janeiro. A melhor maneira de evitar a doença é mesmo a prevenção, pois, se descoberta precocemente, esta pode ter chances de cura em até 70% dos casos. E um dos métodos responsáveis pelo descobrimento de tumores no intestino é a colonoscopia, exame que não é tão bem aceito como deveria. O sucesso do tratamento ocorre quando a colonoscopia detecta precocemente tumores que agridem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto – o câncer ou carcinoma colorretal. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

Segundo o endoscopista da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Gustavo Andrade de Paulo, a colonoscopia é o melhor exame para o diagnóstico da doença. “Quando detectamos a lesão ainda em sua fase inicial, podemos fazer o tratamento endoscópico, impedindo assim intervenções cirúrgicas extensas”. Andrade de Paulo explica que o exame deve ser feito para se detectar precocemente (e retirar) lesões que podem se transformar em câncer (veja infográfico).

Para fazer o exame, o paciente precisa ser sedado e deitado em uma maca sobre seu lado esquerdo, possibilitando a passagem do endoscópio. “Durante o processo de varredura, é possível fazer a ressecção (extirpação cirúrgica) dos pólipos adenomatosos, protuberâncias que poderão virar tumores e câncer, o que aumenta a possibilidade de cura do paciente. A colonoscopia é indicada para indivíduos a partir dos 50 anos de idade, como medida de prevenção de neoplasias de cólon e reto, ou pessoas com histórico familiar de tais doenças”, ressalta o endoscopista. Se a pessoa tem um histórico de câncer de intestino em parentes de primeiro grau (pais, irmãos e filhos), deve começar esta prevenção antes, aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade do familiar que teve a doença.

Coloproctologista, professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente da Sociedade Mineira de Coloproctologia, Sinara Leite explica que a colonoscopia se tornou mais popular nos últimos 20 anos, a partir do conhecimento de que a grande maioria dos tumores de intestino tem origem nos pólipos intestinais. “Pólipos são lesões ‘verrucosas’, que crescem na parede intestinal. Surgem por alteração genética nas células intestinais (herdada ou adquirida ao longo da vida). A ideia é encontrar pólipos pequenos, removíveis, e não lesões já avançadas. Lembrando que antes dos 50 anos já é possível fazer a prevenção de câncer de intestino com pesquisa de sangue oculto nas fezes e exame proctológico. Estes exames são mais simples, acessíveis e permitem avaliar quem deve ser encaminhado para a colonoscopia.”
Marcelo Monteiro/EM/D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (foto: Marcelo Monteiro/EM/D.A Press)

Evolução
Embora a colonoscopia seja um exame muito melhor do que os usados antigamente, é certo que algumas pessoas deixam de fazê-lo, por achá-lo invasivo ou temer o preparo. “Sabemos que o preparo para o exame é mesmo um problema – desconfortável, etc. Mas, quando pensamos que, há 30 anos, para remover um pólipo tínhamos que abrir a barriga do paciente, pois não havia nem colonoscopia nem cirurgia laparoscópica (que ainda não está padronizada pelo SUS para cirurgia colorretal). Ou seja, tudo é relativo. A colonoscopia, mesmo com o preparo, é um avanço enorme no diagnóstico precoce e tratamento do câncer de intestino”, garante Sinara.

Ramon Lisboa/EM/D.A Press
A presidente da Sociedade Mineira de Coloproctologia, Sinara Leite, admite incômodos da colonoscopia, mas ressalta ser este um grande avanço no diagnóstico precoce e tratamento do câncer de intestino (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
A.M.F., auxiliar administrativo em uma empresa multinacional, conta que há cerca de oito anos descobriu que tinha um câncer de intestino. “Na época, comecei a ter alguns problemas intestinais, como dores de barriga incontroláveis. Tinha que correr para o banheiro, pois não conseguia segurar, pois a pressão era muita. Pensei que fosse alguma comida estragada, algo assim, mas a coisa continuou por alguns dias. Diante disso, decidi consultar um gastroenterologista, que me aconselhou a fazer uma colonoscopia, que foi precisa no diagnóstico. Fui operado e passei por várias seções de quimioterapia e nunca tive mais nada. Repito o exame de colonoscopia todos os anos para ver se tem algum problema, mas, graças a Deus, os resultados têm sido ótimos e me sinto totalmente curado.”

Por dentro do intestino
Nos dias 22 e 23, no Shopping Boulevard, será realizada a Campanha de Prevenção do Câncer de Intestino. “No local haverá um ‘intestinão’, que é um protótipo de um intestino. É muito interativo e as visitas são guiadas com explicações sobre as doenças”, diz a especialista Sinara Leite.

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