Especialista afirma que epidemia de Ebola deve aumentar

A epidemia de febre hemorrágica, que já provocou mais de 1.500 mortos, explode em países onde os serviços de saúde não funcionam, devastados por décadas de guerra

por AFP - Agence France-Presse 26/08/2014 09:06

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O professor belga Peter Piot, um dos responsáveis pela descoberta do vírus Ebola em 1976, afirmou nesta terça-feira que estão reunidas as condições para que a epidemia "acelere" e lamentou a "extraordinária lentidão" da resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Nunca havia acontecido uma epidemia de tal envergadura. Há seis meses assistimos ao que se poderia chamar de 'tempestade perfeita', porque estão reunidas todas as condições para que acelere", afirmou em uma entrevista ao jornal francês Libération.

A epidemia de febre hemorrágica Ebola, que já provocou mais de 1.500 mortos, "explode em países onde os serviços de saúde não funcionam, devastados por décadas de guerra. Além disso, a população desconfia radicalmente das autoridades", completa o especialista. "É necessário restabelecer a confiança. Em uma epidemia como a do Ebola, não é possível fazer nada sem confiança".

O coordenador da ONU na luta contra o Ebola, David Nabarro, advertiu na segunda-feira que o combate à epidemia é uma "guerra" que não está vencida de antemão e que pode durar seis meses. Piot lamentou a "extraordinária lentidão" das instituições.

"A OMS despertou apenas em julho, apesar do alerta ter sido feito no início de março e da epidemia ter começado em dezembro de 2013. Agora assume a liderança, mas é muito tarde", afirmou. No início de agosto, os especialistas da OMS consideraram que era "ético" fornecer aos pacientes medicamentos experimentais com efeitos colaterais ainda desconhecidos.

OMS calcula que Ebola matou mais de 120 membros de serviços de saúde
A epidemia de Ebola matou, até agora, mais de 120 membros de serviços de saúde, enquanto os três países mais afetados - Libéria, Guiné e Serra Leoa -, contam apenas com um a dois médicos por 100 mil habitantes, condenou nesta segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Até agora, mais de 240 trabalhadores sanitários desenvolveram a doença em Guiné, Nigéria e Serra Leoa e mais de 120 morreram", indicou a OMS em um comunicado.

Muitos fatores explicam esta "proporção elevada" de pessoal médico infectado, acrescentou a OMS, que citou a falta de equipamento de proteção individual (máscaras e luvas) e sua má utilização, o número amplamente insuficiente de médicos e a sobrecarga de trabalho dos médicos que, portanto, são mais propensos a cometer erros.

Além disso, segundo a OMS, "grande parte das recentes epidemias de Ebola foram localizadas em regiões atrasadas, em uma parte da África que é mais familiarizada com esta doença e com redes de transmissão que eram mais fáceis de acompanhar".

"A epidemia atual é diferente", continuou a OMS, que explica que os médicos e os moradores dos países afetados não são "familiarizados com a doença", fazendo reinar "o medo em cidades e lugarejos inteiros".

"Os primeiros sintomas de muitas doenças infecciosas endêmicas na região, como a malária, a febre tifoide e a febre de Lassa, são similares aos do vírus Ebola. Os pacientes infectados frequentemente precisam de cuidados de urgência. Seus médicos e enfermeiras podem não ter qualquer razão para suspeitar que se trata de Ebola e não veem a necessidade de adotar as medidas de proteção", prosseguiu a OMS.

Nos três países mais afetados, a OMS estima que um a dois médicos atendam 100.000 habitantes, sobretudo nas cidades, mas a epidemia afeta igualmente as áreas rurais.

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