Uso de células-tronco no tratamento de diversos males veterinários é uma realidade; entenda

O tratamento é eficaz, mas não aumenta a longevidade do pet - o objetivo é mesmo qualidade de vida

por Revista do CB 19/07/2014 10:00

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Arquivo Pessoal
Um exemplo de renovação de vida graças à técnica é o da cadela Mel. A shih-tzu de 10 meses quase teve a morte decretada (foto: Arquivo Pessoal)
O tratamento com células-tronco já é realidade na medicina veterinária — e vem salvando muitas vidas. “Nós usamos células que podem ser coletadas no momento de uma castração ou de uma cirurgia. A partir daí, são feitos diversos testes e, no laboratório, isolamos apenas as células-tronco”, resume o médico veterinário Enrico Santos. Armazenadas em um galão de nitrogênio, as células ficam sob uma temperatura de -160°C. Por fim, são aplicadas na parte do corpo em tratamento. No Brasil, o método é empregado em bichos desde 2010, principalmente na recuperação de lesões.

Existem dois procedimentos para a aplicação das células. No primeiro, é coletada uma amostra de tecido adiposo subcutâneo. O tecido é enviado ao laboratório, onde é colocado em contato com uma enzima (colagenase) que libera as células-tronco. Após lavagem, as células são colocadas em seringa e enviadas para o veterinário realizar a injeção. O procedimento todo é realizado no mesmo dia, caso o paciente esteja na mesma cidade do laboratório.

O segundo visa atender pets de outras cidades e trabalha com a hipótese de que o material demorará até 48 horas para ser usado. Como as células-tronco são muito resistentes, não há problema, desde que as condições de temperatura e transporte sejam adequadas.

Um exemplo de renovação de vida graças à técnica é o da cadela Mel. A shih-tzu de 10 meses quase teve a morte decretada. Em março deste ano, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia de castração e ficou com várias sequelas. “Ela não fazia mais nada. Não andava, não comia, e quando levantava, não tinha equilíbrio nenhum. Ficou cega e estava praticamente vegetando”, conta a dona da mascote, Aline Misael, 31 anos, gerente de contas.

Tudo indicava que a shih-tzu não resistiria. A única esperança seria o tratamento inovador, apontou o veterinário que a atende. “A gente não via outra saída. Íamos acabar sacrificando, pois ela estava sofrendo muito”, conta Aline. Incrivelmente, um dia após a aplicação, a pequena shih-tzu tinha quase todas as suas funções. Na segunda dose, voltou a enxergar. “O problema na visão da Mel não era nos olhos, e sim no cérebro. A sequela da cirurgia foi tão grave que ela havia perdido a sensibilidade”, conta Aline.

Todos os tecidos dos órgãos têm células-tronco. Esses tecidos têm a função principal de repor células que vão morrendo ao longo do tempo. A intervenção é indicada principalmente para animais com problemas de articulação, ossos e tendões. O tratamento é eficaz, mas não aumenta a longevidade do pet — o objetivo é mesmo qualidade de vida.

Quanto mais cedo for identificada a doença e iniciado o tratamento, melhor é o resultado. “A maioria dos casos tem uma resposta imediata. Em média, são três aplicações com 30 dias de intervalo. Varia muito de caso para caso”, esclarece o médico veterinário André Gatti. “As células-tronco parecem ter também um efeito analgésico. Outra característica delas é uma regulação do sistema imunológico, assim elas podem também ser usadas para tratar doenças autoimunes ou evitar rejeição de transplantes”, acrescenta a veterinária e diretora clínica Nance Nardi.

O tratamento pode ser feito quantas vezes forem necessárias. Só não é indicado quando a doença está na fase infecciosa ou quando o animal tem câncer.

Podem se beneficiar do tratamento pacientes com:
Lesão tendínea.
Lesão ligamentar.
Osteoartrite.
Osteoartrose.
Sequela de cinomose.
Lesão medular.
Fraturas

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