Especialistas defendem ração caseira balanceada para os pets

Substituição tem sido adotada para cachorros e gatos com dificuldade de se alimentar ou com problemas específicos de saúde. Mas, para alguns experts, elas são boas para qualquer pet

por Revista do CB 14/06/2014 13:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Ana Sophia faz questão de preparar as refeições de Paçoca e Quincy Jones: os bichos dão piruetas de alegria quando veem a comida (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Sem interesse na ração, a cadela Mel passava dias sem comer e parecia não haver saída para o problema. “Tentei todos os artifícios. Coloquei azeite, água quente, misturava a ração com um pouco de carne. Mesmo assim, ela só comia depois de dias, quando já não se aguentava mais de fome”, lembra o jornalista Carlos Setti, dono da vira-lata. A alimentação de maneira regular é algo recente na vida da cadela de 9 anos e só veio depois de uma reformulação completa do cardápio oferecido a Mel. Há seis meses, a ração sumiu completamente da dieta, que passou a ser composta por alimentos como carne crua e vegetais.

Quem escolhe deixar a ração de lado na hora de alimentar a mascote e passa a adotar refeições caseiras balanceadas é adepto da alimentação natural. A comida da Mel é entregue em marmitas preparada por Thais Souza, dona de uma empresa especializada em nutrição e festas de pets. Os pratos são feitos para cada cliente de acordo com as necessidades do animal e com a orientação de uma veterinária nutróloga. Na refeição de um pet saudável, é possível encontrar cortes de frango, de porco, de vaca, de fígado, de carneiro, peixes, além de ovos, legumes e carboidratos integrais. O dono do animal precisa apenas descongelar e servir.

Segundo Thais, as motivações de quem procura oferecer alimentação natural para o pet variam. “Há aqueles que querem uma melhor qualidade de vida para o animal de estimação, tem também quem não sabe mais o que fazer com os pets que não aceitam ração e se alimentam muito mal e há os que buscam auxílio para o tratamento de problemas de saúde do pet, como alergias, doenças nas vias urinárias, cálculos biliares, epilepsia”, conta. Foram os problemas urinários e as alergias da schnauzer miniatura Aika que levaram a bancária Lilian Martins a pesquisar sobre a alternativa. “Antes, a imunidade dela estava sempre muito baixa. Agora, ela está bem. A pelagem melhorou, ficou mais brilhosa. O comportamento mudou radicalmente. Ela está mais feliz, mais ativa”, diz Lilian sobre Aika, sete meses depois da mudança de dieta.

Mais novo na casa, o schnauzer Linus chegou idoso para aos cuidados de Lilian e sempre recebeu refeições naturais da atual dona. Ela garante que os dois se adaptaram bem à mudança no cardápio e comem tudo que ela oferece. “Dar ração é uma maneira bem cômoda de alimentar o animal, a alimentação natural dá um pouquinho mais de trabalho, mas a reação deles na hora de comer é outra. Se antes não tinha um horário para comer, hoje temos uma rotina, e é uma festa, eles adoram.” Já a cadela Mel parece ser mais exigente. “A Mel é fresca. Algumas coisas ela deixa. A gente sempre observa para adaptar o cardápio, mas ela não fica mais dias sem comer”, comenta Setti.

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Mel passava dias sem comer nada: hoje, a vira-lata é fã das marmitinhas com carne crua e vegetais (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Já a servidora pública Carolina Charchat tinha como único objetivo melhorar a qualidade de vida dos cães ao adotar a alimentação natural para o schnauzer Java e para o fox paulistinha Erê. Ela afirma que os gastos com a comida das mascotes quase não mudaram, mas o entusiasmo dos cachorros na hora das refeições é outro. “É uma euforia. Só a festa que fazem quando percebem que eu estou levando a comida já faz valer a pena. Também notei que a pelagem e a disposição deles melhoraram.”

A servidora pública Ana Sophia Vieira é dona do cocker spaniel Paçoca e do golden retriever Quincy Jones, e resolveu botar a mão na massa e preparar as refeições das mascotes há 10 meses. “Eu me coloquei no lugar deles. Imagina se tivesse que comer a mesma coisa, com o mesmo gosto, todo santo dia? Com a alimentação natural, a gente pode variar bastante o cardápio. Não contém conservantes, não é um alimento processado, então está cheio de nutrientes. O que falta de nutrientes na dieta nós complementamos, de acordo com a necessidade dos bichinho.”

Ana Sophia compra as carnes uma vez por mês e separa em porções, deixando-as congeladas. Diariamente, descongela uma porção para cada pet. Faz o arroz e tritura os vegetais. À noite, monta os pratinhos e deixa na geladeira. “No dia seguinte, é só esquentar e dar aos dois, pela manhã e no fim da tarde”, conta sobre a rotina. “O Paçoca demorava para comer toda a ração. Hoje, dá piruetas pedindo comida. O Quincy até baba enquanto espera eu colocar a comida.” Ela ainda afirma que os dentes dos pets ficam mais limpos e que eles apresentam mais energia, além da diminuição dos episódios de dor e coceira no ouvido do Quincy.

A servidora escolheu fazer essa mudança depois de pesquisar sobre o assunto na internet e usar o site Cachorro Verde como um guia. Na página, a médica-veterinária e nutróloga Sylvia Angélico explica, de maneira detalhada, como é possível oferecer alimentação natural para animais saudáveis. “A dieta é feita com alimentos nobres, em vez de usar farinhas e subprodutos de carne e alimentos considerados impróprios para consumo humano. Entre os benefícios, está a redução da queda de pelo. Além disso, o animal fica mais resistente a doenças e parasitas, as fezes ficam menores e até o odor é reduzido, sem falar do prazer inigualável do animal na hora de comer”, explica a veterinária.

De acordo com ela, é possível o pet ter uma vida longa e saudável consumindo apenas ração. “É uma solução prática, mas não é a melhor opção. São usados corantes, grãos transgênicos”, pondera. A especialista acredita que a falta de discussão sobre alimentação natural no Brasil é o que não permite uma adesão maior a essa prática no país — o que pode levar alguns veterinários a contraindicar a dieta caseira. Mesmo não sendo especialidade em nutrição, a médica-veterinária Tatiana Dourado já indicou a alternativa para pacientes em problemas com obesidade ou cálculo renal. “Acredito que a alimentação natural veio para ser mais uma ferramenta no auxílio ao tratamento dos pets.”
Theo & Leo/Divulgação
Nas marmitas preparadas por Thais Souza, há cortes de frango, de porco, de vaca, de fígado, de carneiro, peixes, além de ovos, legumes e carboidratos integrais (foto: Theo & Leo/Divulgação)

Atenção
  • Adotar a alimentação natural é mais que substituir a ração por comida. A elaboração de uma dieta balanceada e rica em todos os nutrientes que o animal precisa é fundamental. Se a mascote for saudável, é possível encontrar dietas diferentes para cães e gatos elaboradas pela veterinária nutróloga Sylvia Angélico no site www.cachorroverde.com.br
  • Se o pet apresentar algum sintoma, como vômito, coceiras ou alguma doença já diagnosticada, o recomendado é procurar um veterinário especializado que possa fazer uma dieta especial para o bichinho.
  • As necessidades do cão ou do gato variam de acordo com o peso e a saúde do animal. Ele também não pode passar a comer exatamente como o dono. Se a alimentação caseira for feita de maneira errada e sem orientação, é comum que faltem nutrientes críticos, como gorduras saudáveis ou cálcio. Nesses casos, o animal pode ficar com ossos e patas tortas. Se a mascote receber menos carne que precisa, ela perde musculatura e pode desenvolver problemas de pele.

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