Transplante de neurônios combate o Parkinson

Os tremores provocados pelo Parkinson são causados pela perda de neurônios produtores de dopamina na região do mesencéfalo do cérebro. Os transplantes podem renovar a produção dessas estruturas

por Correio Braziliense 06/06/2014 13:00

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Novo estudo publicado, nesta semana, na 'Cell Press' mostra que a temida degeneração após o transplante não acontece (foto: sxc.hu)
O transplante de neurônios em pacientes que sofrem como o mal de Parkinson foi uma proposta testada pela primeira vez em 1988, mas nunca bem aceita por cientistas que suspeitam da perda de eficácia da intervenção com o passar do tempo. Segundo eles, as células do sistema nervoso degenerariam ao passar dos anos, deixando de funcionar. Um novo estudo publicado, nesta semana, na Cell Press mostra que a temida degeneração não acontece. A descoberta feita por cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, impulsiona a busca pelo uso de células-tronco que sirvam como uma fonte de neurônios a serem transplantados.

Os tremores provocados pelo Parkinson são causados pela perda de neurônios produtores de dopamina na região do mesencéfalo do cérebro. Os transplantes podem renovar a produção dessas estruturas, trazendo novos elementos para entrar no lugar de células nervosas com falhas. Essa substituição, de acordo com os autores do estudo, “duraria muitos anos.”

Eles chegaram a essas conclusões após analisar neurônios de dopamina em cinco pacientes submetidos a transplante de células fetais. A cirurgia mais antiga havia acontecido há 14 anos. E a mais nova, há quatro. “Nossos resultados mostram uma expressão robusta de transportadores de dopamina e uma falta de morfologia mitocondrial anormal (sem defeitos) em neurônios de dopamina implantados há pelo menos 14 anos”, declarou, em um comunicado, Ole Isacson, médico do Instituto de Células-Tronco de Harvard e um dos autores do estudo.

Regeneração
De acordo com os pesquisadores, as conclusões trazem esperanças de tratamentos mais eficientes contra o mal degenerativo. “Nossos resultados são extremamente encorajadores e oportunos para o campo da medicina regenerativa e para o avanço de células-tronco transplantadas como uma terapia de restauração para a doença de Parkinson”, acredita Isacson.

O tratamento disponível para o Parkinson soma a ingestão de medicamentos e a realização de fisioterapia e psicoterapia. Os especialistas recomendam que as drogas comecem a ser prescritas no início da doença, quando ainda há neurônios preservados. O problema é que os primeiros sinais da doença não são notadas com facilidade. Normalmente, quando o paciente procura o médico, existem evidências de que pelo menos metade das células está perdida. O tremor é o indício mais frequente. Costuma surgir quando a pessoa está discreta e distraída e desaparece quando ele precisa executar algum trabalho. A doença raramente se manifesta antes dos 50 anos. A partir dos 65 anos, o mal acomete de 1% a 3% da população.

Técnica polêmica
O primeiro transplante de neurônios para tratamento do mal de Parkinson foi realizado em 1988 pelo neurologista Curt Freed, da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos. A cirurgia utilizou células fetais, uma escolha polêmica no meio científico, pois, para realizar a técnica, é necessário retirar estruturas de quatro fetos por paciente tratado. Uma alternativa para esse problema seria o uso de células-tronco, que podem ser usadas para criar qualquer tipo de tecido.

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