Maurício de Sousa usa rede social para defender publicidade voltada às crianças

Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) considera abusiva toda publicidade direcionada às crianças. A publicidade de produtos infantis pode continuar existindo, mas a mensagem tem que ser dirigida aos adultos

por Valéria Mendes 11/04/2014 14:56

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Reprodução Instagram/Maurício de Souza
"Protesto da menina Verônica contra a proibição da publicidade infantil", escreveu Maurício de Sousa em seu post (foto: Reprodução Instagram/Maurício de Souza)
A sexta-feira ganhou ares de polêmica após o cartunista Maurício de Sousa usar sua conta no Instagram para se manifestar publicamente a favor da publicidade infantil dirigida às crianças. Ícone dos quadrinhos, ele compartilhou a imagem de uma menina, de nome Verônica, que segurava um cartaz com os dizeres: “Eu tenho direito de assistir publicidade infantil. A televisão não é só para adultos. Alguém sabe quais produtos infantis foram lançados nesse ano?”.

Publicada na semana passada (4 de abril) no Diário Oficial da União a resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) recomendou o fim da veiculação de propagandas voltadas às crianças (leia texto completo aqui) por considerá-la abusiva.

Jornalista, educadora ambiental e para o consumo, integrante da Rede Brasileira sobre Infância e Consumo (Rebrinc) e coordenadora do movimento 'Consciência e Consumo', Desirée Ruas afirma que a resolução vem para tentar colocar ordem no mercado publicitário. “Como sabemos, a publicidade infantil é abusiva porque a criança não a entende como tal”, explica.

Desirée Ruas esclarece que a publicidade de produtos infantis pode continuar existindo, mas a mensagem tem que ser dirigida aos adultos, que são os que realmente compram e têm condições de avaliar o discurso. “Não podemos continuar usando a ingenuidade das crianças para vender produtos, serviços, valores e estilos de vida que não são saudáveis, positivos e bons para elas nem para a sociedade”, defende.

A integrante da Rebrinc afirma que a 'Maurício de Sousa Produções' tem mais de três mil itens licenciados entre macarrão, salsicha, fralda e brinquedos. “É natural que ele esteja do lado da permanência da publicidade infantil, contrariando todo um entendimento de especialistas e movimentos de que a publicidade infantil é danosa para a criança”, diz.

Na rede social, o criador da Mônica e sua turma não recebeu muito apoio até agora (veja o post). Entre os comentários pode-se notar a decepção de alguns: "Poxa, Maurício, leio os gibis da Mônica desde que me conheço por gente até hoje, com 17 anos. Só pra tu ter noção, meu sonho de infância era te conhecer e é uma das lembranças mais legais da minha infância. Mas essa foto decepcionou E MUITO. Sério que a menina fez o protesto? Será que não era mais honesto com os teus fãs (de todas as idades) não usar uma criança pra defender os teus interesses, como o empresário que você é?", escreveu uma pessoa identifica como @laalves2. Uma mulher identificada como @carmezim também não gostou: "Usar criança é covardia! #anunciapramim se tiver coragem!".

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