Ano novo carrega consigo sentimento de desapego; mas o que é isso, afinal?

Mais do que uma faxina do guarda-roupa e da alma, é preciso se sentir livre para se desprender de tudo que é estabelecido

por Carolina Cotta 05/01/2014 12:00

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Arquivo Pessoal
O casal de publicitários Rodrigo Mattioli e Verônica Lacerda, com a filha, Alice: eles tiveram a coragem de largar tudo e começar nova vida em outros países (foto: Arquivo Pessoal)
O desapego tem sido traduzido como desinteresse, indiferença, desprendimento... Mas um olhar estritamente material deu a esse sentimento outro status: o desapego virou negócio. Multiplicam-se as lojas, principalmente on-line, que convidam as pessoas a tirar de cena tudo o que não mais serve, não mais lhes agrada. Principalmente com a virada do ano. Janeiro sempre chega encorajando novas propostas. Por algum motivo, o primeiro mês do ano parece mais propício a uma faxina, do guarda-roupa e da alma.

Mas desapego é algo maior. É saber deixar para trás o que quer que seja, sem sofrimento. Para a filosofia budista, na qual é um dos mais importantes ensinamentos, o desapego não é uma rejeição e sim uma liberdade que se sobressai quando deixamos de nos prender às causas do sofrimento. No vídeo 'O coração do desapego' (The heart of non-attachment), que circula na internet, o psicoterapeuta e professor de ioga canadense Michael Stone propõe uma releitura da expressão. Para ele, desapego é uma mentalidade fechada.

Extrapolando o materialismo simplista enraizado no termo, Michael acredita que desapegar é estar aberto a tudo, é soltar aquilo que foi “pego” de início e mantido “fixo”. Caso do casal de publicitários Rodrigo Mattioli, de 31 anos, e Verônica Lacerda, de 29, que há quase seis anos deu adeus a uma vida estável em Brasília. Deixaram para trás carreira, familiares, amigos. Levaram apenas a filha, Alice, hoje com 7 anos, e dinheiro suficiente para começar uma nova vida. Depois de cinco anos vivendo em Londres, no fim de 2012 eles novamente deixaram tudo para trás para viajar e morar em diferentes lugares da Europa.

“Acho que um dos melhores desapegos foi o desapego do meu ponto de vista. Conheci gente de todos os cantos do mundo e isso me fez reavaliar todas as minhas verdades. Entender que as pessoas vivem a vida de centenas de formas, a maioria das vezes muito diferentes da minha, e que isso basicamente significa que não existe uma forma certa de fazer as coisas. Isso é libertador”, acredita Verônica, que em 2013 dormiu em 24 lugares e desde outubro vive em Los Castillejos, uma pequena vila espanhola.

Para começar o ano, o 'Bem Viver', caderno do Jornal Estado de Minas, ouviu outras histórias de desapegos: de gente que conseguiu deixar coisas para trás, de gente que conseguiu fazer desse desprendimento um jeito de ajudar, de gente que sabe o valor de renovar. De gente que já entendeu que só há perda se há posse, e essa é apenas uma sensação. Desapeguemos, portanto!

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