Laços afetivos se estreitam em situação de mudança

O importante é tomar as rédeas da própria vida com calma e acompanhar o desenrolar dos fatos

29/12/2013 09:56

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Grazi Oliveira/Divulgação
Lúcio Matos e Paula Carvalho Rocha Neves, que estavam "grávidos" há duas semanas, receberam Helena de braços abertos no dia 18 (foto: Grazi Oliveira/Divulgação)

Depois de 16 anos de dedicação integral aos negócios, o geofísico Celso Magalhães, de 55 anos, se despede, na véspera do ano novo, dos cargos de presidente do Conselho e diretor de Novos Negócios do Grupo Georadar. O papel de executivo dará lugar, em 2014, às funções de pai e marido, que Celso reconhece que, durante os últimos anos, deixou um pouco de lado. “Sinto que agora está na hora da família e de mim mesmo. Essa área da minha vida estava um pouco de lado e é preciso buscar esse equilíbrio”, admite.

Sem saber quando tirou as últimas férias de 30 dias, ele já prepara a bagagem para passar o próximo mês em uma longa viagem por Dubai e países asiáticos na companhia das filhas, do enteado e da mulher. “Preciso de tempo para reciclar e renovar minhas energias”, afirma. A decisão foi tomada entre setembro e outubro, quando Celso percebeu que o grupo de empresas que fundou poderia caminhar com as próprias pernas. “Era então o momento de me dedicar a algumas atividades particulares”, afirma.

As mudanças não param por aí. O empreendedor já planeja, inclusive, passar uma temporada fora do Brasil. “Talvez more no exterior a partir do segundo semestre. Isso será discutido com a família, mas a intenção é ficar entre os Estados Unidos e Dubai, dois polos mundiais em tecnologia”, antecipa. O objetivo é dedicar tempo e esforços a projetos embrionários que poderão dar origem a negócios no futuro. “Preciso ter um pouco menos de compromisso para criar”, avalia.

Cristina Horta/EM/D.A Press
Ioná Leão vibra com a aprovação em um concurso para auditoria técnica de tributos (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)


Para a psicóloga empresarial Adriana Prates, uma característica importante das pessoas bem-sucedidas e realizadoras como Celso é a capacidade que têm de tomar as rédeas da própria vida. “A grande maioria vive em inércia. Vê os sinais passando e não reage a eles. Adquire comportamento de vítima e esquece da capacidade de livre arbítrio e do poder de escolha”, afirma. O executivo soube observar o momento certo de abandonar o cargo com a segurança e consciência de que estava tomando a decisão amparado por uma conjuntura que, ajudou a criar ao longo de vários anos de dedicação. “A empresa já está profissionalizada, com executivos que foram formados lá dentro. Estava preparada para viver sem mim”, garante Celso.

Ramon Usboa/EM/D.A Press
O geofísico Celso Magalhães se despediu recentemente de 16 anos atuando como executivo para uma longa viagem com a família (foto: Ramon Usboa/EM/D.A Press)
COISAS DA VIDA
Mas nem sempre as mudanças são previstas. O engenheiro de controle e automação Lúcio Matos, de 34 anos, e a funcionária pública Paula Carvalho Rocha Neves, de 32, receberam a notícia de que ele seria transferido para Vitória (ES) na mesma época em que estavam tentando ter o primeiro filho. Organizados e sempre empenhados em atingir os objetivos traçados, mantiveram o planejamento inicial, mesmo sabendo que Paula não poderia acompanhá-lo por causa da dificuldade em conseguir transferência no serviço público. “Em abril fiquei grávida da Helena e a mudança do Lúcio está prevista para janeiro. Nunca uma virada de ano teve tanto significado em nossas vidas como a de 2014”, conta Paula, que deu à luz Helena em 18 de dezembro.

Para Lúcio, além de uma provação, a separação é encarada como uma experiência que vai proporcionar o crescimento do casal e fortalecimento da relação. “Mantivemos a calma. Até porque, se se perde o controle, é mais difícil raciocinar em busca de uma saída”, afirma. A forma como os fatos são encarados é outro aprendizado que pode ser mais bem absorvido nesta época do ano, momento em que as pessoas estão mais reflexivas, abertas a avaliações e dispostas a encarar desafios.

“O ideal é fazer a gestão dos riscos, acompanhar de perto o desenrolar dos acontecimentos e agir proativamente de forma a evitar que os impactos sejam tão negativos”, orienta Adriana. Postura que o casal adotou desde o princípio e por isso agora tem serenidade para curtir os primeiros dias da primogênita, sabendo que aos finais de semana o pai estará sempre ao lado delas para o que for preciso.

Comemoração merecida

Preparar-se para o novo ano inclui um projeto de médio e longo prazo, ao contrário das previsões imediatistas que dominam a data. “Normalmente, as grandes mudanças ocorrem porque as pessoas se dedicaram a isso durante anos e até décadas. Os discursos podem ser eternos, mas sonhar com ação é realidade e acaba virando meta”, reconhece Adriana.

A contadora Ioná Mara Moura Leão é um grande exemplo de que objetivos claros podem ser conquistados com muito empenho. Durante três anos abriu mão de viagens, de confraternizações com amigos e da vida pessoal para mergulhar nos livros que a levariam para o cargo que sempre almejou – auditora técnica de tributos. “Fui aprovada na Prefeitura de Belo Horizonte e estou aguardando a nomeação. Enquanto isso, vou tomar posse como analista contadora da Polícia Civil de Minas Gerais, cargo que também conquistei este ano”, comemora. Preparada para abandonar os estudos e colher os frutos da dedicação, ela não vê a hora de viver, a partir de 2014, uma nova rotina. “Quero viajar e encontrar meus amigos. Estou ansiosa para viver esse ano”, afirma.

A intenção agora é recuperar o tempo que foi muito bem empregado na realização do maior objetivo profissional de Ioná. “Quem estabelece planejamento apenas para um ano está agindo de forma arcaica. O ideal é pensar num prazo de três a cinco anos e executar ações progressivas em direção à grande meta”, aconselha Adriana. A cada ano é preciso avançar um pouco mais, e 2014 bate à porta ávido por novas conquistas.

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