Cerca de 70% das pessoas com psoríase sofrem de outros males, como depressão e diabetes

A doença é diagnosticada por meio de exames clínicos e avaliação de um dermatologista ou reumatologista - nesse caso quando a doença atinge as articulações

por Sara Lira 29/10/2013 10:18

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São Paulo – Ela se manifesta na pele por meio de manchas geralmente avermelhadas que descamam. Podem surgir em qualquer parte do corpo, porém são mais comuns no couro cabeludo, unhas, mãos, pés, cotovelos e joelhos. Estamos falando da psoríase, doença autoimune inflamatória crônica, imunológica, sistêmica e não contagiosa, que atinge aproximadamente 3% da população mundial. A maior incidência é em adultos, mas ela pode surgir também em crianças ou adolescentes.

Embora sua principal manifestação seja na pele, ela pode gerar outros problemas de saúde. “A doença tem outras repercussões no organismo que não se restringem apenas à pele”, destaca a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Denise Steiner. Dados preliminares de um estudo inédito realizado no Brasil, divulgado durante o 5º Simpósio Nacional de Psoríase, revelou que cerca de 70% de pacientes da doença têm outro mal associado. A “Avaliação da gravidade da psoríase em placas em brasileiros em acompanhamento ambulatorial em centros de referência” (Appisot), realizada pelo laboratório Janssen, analisou 877 pacientes em tratamento em 26 centros no país. Eles foram avaliados por dermatologistas especialistas em psoríase, em relação à gravidade da doença, tratamentos usados e em uso, impacto na qualidade de vida e presença de comorbidades (doenças associadas ou decorrentes).

Arte: EM/D.A Press
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Hoje, Dia Mundial da Psoríase, instituições de saúde e comunidade médica fazem coro à proposta de conscientizar a população sobre a doença e motivar pacientes a prosseguirem com o tratamento. Segundo a Appisot, dos 70% pacientes entrevistados que apresentaram alguma doença associada à psoríase, 75% estavam com obesidade ou sobrepeso, 32% com hipertensão, 26% com depressão, 25% tinham o colesterol alto, 17% artrite, 17% diabetes, 33% ansiedade e 17% alcoolismo.

“Essas comorbidades podem ter dois fatores. Um é que muitos pacientes com psoríase se isolam e têm vergonha de sair de casa devido às lesões na pele. E essas doenças podem surgir pela mudança de comportamento, como sedentarismo, o que faz com que ele coma mais e se exercite menos, causando obesidade, por exemplo. Ou também a própria psoríase pode desencadear essas doenças para quem já tem predisposição a tê-las”, explica o dermatologista Artur Duarte, um dos especialistas responsáveis pelo estudo. O coordenador da área de psoríase da SBD, Marcelo Arnone, acrescenta que pacientes com a doença podem, ainda, apresentar a artrite psoriática. “O problema se caracteriza por inchaço e dor nas articulações. Se não for tratada de forma efetiva, essa artrite pode causar sequelas como deformidade nas articulações”, diz.

Os entrevistados da Appisot têm em média 48 anos e cerca da metade deles apresenta a forma moderada a grave da doença, caracterizada por lesões descamativas em mais de 10% da superfície do corpo e/ou pelo impacto na qualidade de vida maior que 10 pontos – índice obtido por meio de formulários respondidos. A outra metade apresenta a forma leve.

O tratamento é feito de maneiras diferentes dependendo da intensidade da doença. Para pacientes leves, os médicos recomendam medicamentos tópicos como cremes, loções ou géis, a serem aplicados nas lesões. Já para os que apresentam a forma moderada a grave da psoríase o tratamento pode ser feito com medicamentos orais ou injetáveis, sejam eles tradicionais ou biológicos. A doença não tem cura, mas com o tratamento adequado ela pode ter os sintomas amenizados.

Diagnóstico
A psoríase é diagnosticada por meio de exames clínicos e avaliação de um dermatologista ou reumatologista – nesse caso quando a doença atinge as articulações. Os sintomas iniciais são pele irritada com manchas vermelhas e/ou placas que descamam, alterações nas unhas, como espessamento da lâmina ungueal, deformação na superfície ou descolamento delas, e caspa severa no couro cabeludo. As lesões não causam dor, mas podem provocar coceira. “Importante destacar que a psoríase não é adquirida por contato, pois não é uma doença infectocontagiosa”, diz o médico Artur Duarte.
As causas ainda não são totalmente esclarecidas pela ciência, mas o problema costuma ter fatores genéticos. O estresse também pode contribuir para seu desencadeamento. “Se a pessoa tem predisposição genética a ter psoríase e passa por um grande estresse isso pode ser um gatilho para o surgimento da doença”, explica Duarte. Alguns medicamentos também podem provocá-la, como efeito colateral.

Desmotivação Segundo Marcelo Arnone, pacientes com a doença sofrem preconceito devido às lesões que se manifestam principalmente nas áreas mais visíveis do corpo. Por isso, eles tendem a evitar exposição e a ficar mais em casa, o que contribui para o surgimento de depressão. “Ele sente vergonha e rejeição por causa das lesões. Como sua autoestima está afetada, evita situações de exposição”, pontua. Em alguns casos o médico pode indicar um tratamento psicológico devido aos problemas depressivos.

Outro fator preocupante para a comunidade médica é que muitos pacientes quando descobrem que a doença não tem cura perdem a motivação de prosseguir com o tratamento. E para incentivar esses pacientes a não desistirem de se tratar, está sendo realizada uma campanha nacional que começou no domingo e vai até 3 de novembro. “Um tema que vem ganhando muito destaque é o tratamento mais humanizado do doente de psoríase. Normalmente ele se sente desmotivado a buscar tratamento quando descobre que não tem cura. O enfoque da campanha é motivar o paciente a procurar se tratar ”, diz Arnone. Uma série de ações educativas será desenvolvida em várias regiões do país com esse objetivo e com o de esclarecer à população leiga de que a psoríase não é contagiosa.

* A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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