Sony Music lança obra completa de Guilherme Arantes

A primeira caixa retrospectiva da carreira do artista reúne 22 CDs produzidos entre 1976 e 2016

por 31/10/2016 20:03

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Pedro Matallo/divulgação
Pedro Matallo/divulgação (foto: Pedro Matallo/divulgação )


No extenso libreto (são nada menos que 72 páginas manuscritas) de Guilherme Arantes 40 anos – De 1976 a 2016 (Sony Music), primeira caixa retrospectiva de sua carreira, com 22 CDs, o cantor, pianista e hitmaker paulistano encerra o texto com uma sintética frase de efeito: “Tudo o que está ali é meu”.

“E os erros também! Todos os equívocos que cometi quando se era movido pela vontade de triunfar num meio hostil. Afinal, a gente precisava vender plástico! Com a caixa, quis botar para fora toda essa história, para não ter mais que ficar revisitando ela”, diz Guilherme, de 63 anos, que se define como “um cara de muitas gravadoras, com trajetória irregular”.

Com remasterizações de seus álbuns, um CD com repescagem de faixas isoladas e um disco que nunca tinha saído em versão digital (Ronda noturna, de 1977, que trouxe Amanhã, que viraria sucesso na trilha da novela Dancin’ Days), a caixa se junta a um documentário (cujos sete capítulos serão liberados, até o carnaval, no canal de Guilherme no YouTube).

Trata-se de um projeto de autobiografia musical “contada em vida” e não, como Guilherme diz ser costume entre os grandes astros da canção, “concentrada nos aspectos emocionais e sexuais”.

“Gostaria de saber do Michael Jackson como foi fazer Thriller e Off the wall. Queria saber dos Bee Gees quem foi o guitarrista que fez isso aqui (cantarola Stayin’ alive). Minha vida pessoal está resguardada, porque também não sou um cara com biografia acidentada, com escândalos. Esse é um lado que a gente tem que deixar por conta de quem quiser escrever. Não adianta também eu querer engessar a minha biografia”, explica.

Guilherme se orgulha de contar, no libreto, um pouco da história da indústria fonográfica nos últimos 40 anos – e de seus embates com ela. “Não fui um artista de vendas muito expressivas, a nossa geração vendia 20 mil, 30 mil (cópias por LP). Com a chegada do CD, a indústria tratou de inventar os artistas populares que pudessem desovar a prensagem na casa de milhões”, acusa ele, cujo álbum de carreira que mais vendeu no ano de lançamento foi Romances modernos (de 1989, 220 mil cópias).

“Hoje, não teria chance com aquela personalidade rascante e difícil. Mas era porque tinha que defender o meu repertório, o meu bastião mais íntimo, o que gera uma cisão com a indústria. Entrei na CBS como um projeto de Julio Iglesias, sensual, na linha do galanismo. Mas logo no segundo disco fui para a new bossa, torcendo a coisa para o meu lado, do pop elegante”, explica.


Atualmente, Guilherme se anima com um pouco do que ouve na música bem popular brasileira. “A Anitta é bárbara, está fazendo um pop legal com eletrônica”, diz, mas, no geral, está desencantado. “Parece que para fazer música basta um clima de festa, de balada. Duplas, duplas e duplas de um país do agronegócio. Virou uma coisa muito monótona, de ‘vou tomar todas’ ou ‘a geladeira está cheia’. Isso não é assunto”, critica ele.

Dos muitos herdeiros musicais que lhe foram apresentados, um é o mais cotado. “O Guilherme Arantes da nova geração é o Tiago Iorc, ele tem a ambição de ser popular, de ser galã, de dar a cara para bater. Ele não é de uma turma que se autovigia o tempo todo para não virar mainstream, ele não vai cantar no MinC... Ele está mais a fim é de fazer o pop dele”, avaliza Arantes. (Agência Globo)



GUILHERME ARANTES 40 ANOS: DE 1976 a 2016
22 CDs
Sony Music
Preço médio: R$ 500

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