Disco gravado há quatro décadas por João Gilberto e Stan Getz circula no exterior

Raridade e não tem previsão de lançamento no Brasil. Ontem, o cantor completou 85 anos

por Estado de Minas 11/06/2016 06:00

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Ari Versiani/AFP - 24/8/08
Ari Versiani/AFP - 24/8/08 (foto: Ari Versiani/AFP - 24/8/08)

Ontem, João Gilberto, o gênio do canto e do violão, completou 85 anos, recluso em seu apartamento no Leblon, na Zona Sul carioca. Porém, a “festa” está acontecendo no exterior. A norte-americana Resonance Records, dos produtores Todd Barkan e Zev Feldman, mandou para as lojas um tesouro: o disco Getz/Gilberto ‘76, que traz o brasileiro e o saxofonista Stan Getz em temporada na casa de jazz Keystone Korner, em São Francisco (EUA), em maio de 1976.

O álbum está disponível em lojas virtuais, nos formatos de CD e vinil, e também no iTunes. As versões físicas são luxuosas, com fotos dos shows e de bastidores.

No Brasil, as comemorações do aniversário de João Gilberto foram marcadas pela discrição – do jeito que ele gosta. Avesso a entrevistas, o baiano subiu ao palco pela última vez em 2008. Em 2011, chegou a ser anunciada nova turnê, que acabou cancelada por problemas de sáude do artista. Não há previsão de lançamento de um novo álbum brasileiro.

Zev Feldman, que dirige a Resonance, vem tentando viabilizar uma edição brasileira do álbum Getz/Gilberto ‘76, mas as conversas emperraram por questões financeiras.

“É uma vergonha que as gravadoras no Brasil tenham de pagar impostos tão altos para lançar um disco. Continuamos tentando encontrar um parceiro, mas está difícil”, explica.

SINGULAR


O projeto traz entrevistas com Barkan e Carlos Lyra, além de depoimentos de integrantes da banda que acompanhou João e Getz naquelas noites em São Francisco. Doze faixas entraram na seleção final. “João Gilberto é o cantor mais singular de nosso tempo. Um verdadeiro criador. Sua curiosa habilidade de cantar sem vibratos e seu impecável senso rítmico o fazem único. Ele reluta muito em fazer aparições públicas”, afirma Getz no disco.

João e Getz eram velhos conhecidos. Em 1963, gravaram Getz/Gilberto, que seria lançado um ano depois. Com a participação de Astrud Gilberto, esposa de João, e de Tom Jobim, o álbum foi um sucesso comercial que globalizou a bossa nova. Durante as sessões de estúdio, ficaram célebres as discordâncias entre o cantor e o saxofonista. Apesar disso, os dois ocasionalmente trabalharam juntos.

Getz montou a temporada no Keystone. Ele havia acabado de gravar com João e sua então esposa, Miúcha, o álbum The best of two worlds. “Stan afirmou várias vezes que o Keystone Korner era seu clube de jazz favorito e dizia a todos que era o melhor do mundo. Ele quis fazer algo bastante especial para nós e, durante os shows, dava para ver que ele e João se respeitavam acima de tudo. Os dois sabiam que o trabalho feito em conjunto havia sido um marco”, conta Barkan.

Joanne Brackeen (piano), Clint Houston (baixo) e Billy Hart (bateria), que já trabalhavam com o saxofonista, foram os músicos convocados para acompanhar a dupla.

Barkan ficou bem próximo a João durante aquela temporada. O cantor passou a chamá-lo nos bastidores de Toddynho e a ter conversas com membros da banda. O baterista Hart se mostrava especialmente interessado na diversidade dos ritmos brasileiros. “Todos nós sabíamos do excesso de timidez de João, mas nesses dias ele estava muito extrovertido e animado, aberto a conversar”, relembra. (Agência Estado)

Fora de catálogo

Infelizmente, João Gilberto não deve mais fazer shows. Com exceção do álbum João, voz e violão (2000), nenhum de seus 16 discos gravados com esmero está em catálogo nas lojas do Brasil. Enquanto seus advogados travam há anos na Justiça uma guerra contra a administração de seu material pela EMI, adquirida pela Universal, João segue sem previsão de lançar trabalhos de forma independente. É mais fácil encontrar seus álbuns reeditados no Japão ou na França.



Faixa a faixa


Intro
É preciso perdoar
Águas de março
Retrato em branco e preto
Samba da minha terra
Chega de saudade
Rosa morena
Eu vim da Bahia
João Marcelo
Doralice
Morena boca de ouro
Um abraço no Bonfá
É preciso perdoar

GETZ/GILBERTO ‘76
. Com João Gilberto e Stan Getz
. Resonance Records
. Preço médio: US$ 9,49 (MP3), US$ 11,39 (CD) e US$ 32,95 (vinil)

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