Daniela Mercury convida os mineiros para dançar em seu baile

'Baile da rainha má' acontece neste sábado, a partir das 22 horas, no Music Hall

por Bossuet Alvim 04/03/2016 08:00

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Celia Santos/Divulgação
(foto: Celia Santos/Divulgação)
Um dos ícones da alegria baiana agora busca inspiração no medo. Daniela Mercury diz que a obscuridade é o ponto de partida para seu Baile da rainha má, pois a personagem condutora do espetáculo foi inventada “para falar de coisas que eu normalmente não poderia falar”. Brincando de lançar maldições, a cantora não se interessa pela prática do mal, mas pela forma de agir fora das regras. “A maldade é subversão, uma transgressão que faz com que tudo ganhe novos sentidos. É o avesso da bondade, ou seja, do que é certo”, explica.


O show que chega a BH é apontado pela artista como o mais dançante de sua carreira. “Faço espetáculos para dançar. Algumas pessoas assistem para ver detalhes de coreografias ou cenografia. Às vezes, ficam sideradas e não dançam, mas não me distraio nunca. A dança é tão inconsciente em mim que basta começar o ritmo para que me mova”, ela afirma.

O álbum mais recente, Vinil virtual (Biscoito Fino, 2015), é o trampolim para o voo da rainha má. “Os temas do disco são o feminismo e a maneira como se controla o mundo pela dominação cultural”, detalha. As canções inéditas – 10 de Daniela e cinco parcerias – abordam novidades na leitura da autora, como o tabu que cerca o amor entre duas mulheres. “Vivemos um momento importantíssimo de mudanças, quebra de paradigmas, uma outra etapa da democracia. Novos olhares se fazem necessários”, acredita.

SINCRETISMO Ao vestir a personagem que dá nome ao baile, Daniela diz jogar “com o inconsciente dos contos de fadas”, mas também reforça seu compromisso com o sincretismo da Bahia. “A rainha má é a xamã e a mãe de santo, que misturam inspirações de várias religiões. Quando subo ao palco como católica apostólica baiana, como uma pessoa do candomblé, canto os santos e orixás, mas também o folclore, a nossa cultura e minhas reinvenções”, explica.

Para incorporar a majestade, a cantora conta com figurinos assinados pelo estilista Eduardo Suppes, da grife mineira Divina Pele. Ela observa que há 20 anos, desde o lançamento da canção Minas com Bahia (parceria com Samuel Rosa), sua relação com o estado amadureceu e se expandiu. “Não sei se minha música se fortaleceu muito em Minas, mas acredito que todos os artistas de axé têm um pouquinho do meu DNA, porque vim antes da maioria”, observa, ressaltando a posição dos mineiros como o segundo maior público consumidor de música baiana.

“Em Minas Gerais, o povo compreende muito bem o que faço. Mesmo não visitando o estado com frequência, pois estou sempre rodando o mundo, quem se interessou, pôde acompanhar minha carreira, ouvir meus álbuns e compreender o que proponho com minhas letras, provocações e olhares”, comemora. E não se intimida com a distância física: “Ainda bem que fiz discos voadores”.

 

O BAILE DA RAINHA MÁ
Com Daniela Mercury. Abertura: DJs Filipe Guerra e Babi. Neste sábado, a partir das 22h. Music Hall, Avenida do Contorno, 3.239, Santa Efigênia. Ingressos: R$ 80 (3º lote). Informações: (31) 99727-2377.

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