Caçula de Caetano Veloso lança primeiro CD com banda Dônica

Com o aval de nomes importantes da MPB, jovens do grupo carioca lançam disco inspirado no som dos anos 1970

por Mariana Peixoto 29/06/2015 09:23

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Fernando Young/Divulgação
As harmonias bem trabalhadas e os longos solos evidenciam o cuidado que o grupo procurou ter com as melodias (foto: Fernando Young/Divulgação )
Um grupo de garotos com idade entre 17 e 19 anos lança seu primeiro álbum. Seria algo comum, como tantos outros grupos, não fosse a banda em questão a carioca Dônica. Isso por uma série de fatores. Para começar, um dos cinco integrantes é Tom Veloso, o filho caçula de Caetano, e sua empresária é Paula Lavigne. Mais: em vez de lançar pela internet, como 10 entre 10 grupos em início de carreira, seu primeiro álbum chega pela Sony Music. Longe do rock básico, típico da sua geração, o grupo fez uma imersão na sonoridade setentista, tanto com rock progressivo quanto com o Clube da Esquina –  inclusive, Milton Nascimento divide com o vocalista José Ibarra a canção 'Pintor'.


São muitas credenciais, mas os meninos – Ibarra (vocal e piano), Miguel “Miguima” Guimarães (baixo), André “Deco” Almeida (bateria), Lucas Nunes (guitarra) e Tom Veloso (composições) – têm uma (curta) história bem comum. Conheceram-se no colégio e estão há quatro anos juntos, com algumas mudanças de formação. Antes de gravarem 'Continuidade dos parques' – o nome do álbum foi tirado de um conto do argentino Julio Cortázar –, chegaram a disponibilizar algumas faixas on-line. Mas a carreira, efetivamente, só está começando agora. “A gente teve muita sorte com tudo. Estamos tentando aproveitar isso da melhor forma”, afirma Lucas.

Produzido por Daniel Carvalho e Berna Ceppas, o álbum contou ainda com a participação de Pretinho da Serrinha (percussão), Pedro Baby (guitarra) e Dora Morelembaum (voz). Numa primeira audição, 'Continuidade dos parques' soa antipop por excelência. Três das 11 canções têm mais de seis minutos ('Bicho burro', 'Carrossel' e 'Praga'), há um tema instrumental ('Inverno') e as letras são um tanto “bicho grilo” – “Um carrossel blindado pela íris cor de mel/ Um carrossel girando transcendente, galopando sempre em frente, carregando/ A juventude até o céu”.

À medida que as audições se sucedem, a perspectiva muda. As harmonias trabalhadas e os longos solos enfatizam melodias bem elaboradas. Não há como negar as referências, e nem é essa a intenção dos meninos. Casa 180, uma das mais fáceis – no bom sentido, tem um refrão que gruda –, é puro Clube da Esquina, com seus vocais bem trabalhados; 'Praga' emula Supertramp; 'Inverno' tem um quê de Emerson, Lake & Palmer, 'Assuntos bons' é um quase-samba, enquanto a voz de Milton Nascimento preenche a onírica 'Pintor'.

Sobre a experiência de cantar com Milton, José Ibarra afirma: “Foi uma experiência incrível, nunca tinha visto uma emissão como a dele”. Lucas comenta que o tom dos shows (poucos até agora, e a maior parte deles no Rio) é mais pesado. Já Tom só chega para a conversa quando é chamado. “Cara, eu nunca gostei muito de música. Quando era pequeno, só queria saber de futebol. Mas a partir de uma turnê do meu pai na Europa comecei a gostar.”

E o pai famoso, deu muito pitaco no disco? “Ele falou que gostou, ficou orgulhoso, mas não dá muita opinião”, afirma Tom, que chegou ao Dônica já compondo, mas não tinha coragem de pisar num palco. Até um show recente, no Rio de Janeiro, quando ele tocou três músicas. “Fiquei nervoso no palco, errei um pouquinho, mas ninguém percebeu”, conclui.

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