João Araújo e Rolando Boldrin se encontram no palco para reverenciar a viola

Instrumento é um símbolo do Brasil que os dois músicos ajudam a preservar e a difundir pelo país

por Walter Sebastião 24/07/2014 08:00

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Gláucia P. Gonçalves/Divulgação
(foto: Gláucia P. Gonçalves/Divulgação)
O cantador mineiro João Araújo tem uma causa à qual se dedica com carinho há uma década: mostrar que a viola vai muito além da produção sertaneja e atravessa toda a música brasileira. Desde os tempos do descobrimento aos dias de hoje, como ele gosta de dizer. E em todos os gêneros: do pop-rock à música de concerto, passando pelo samba. Com um show que tem como convidado Rolando Boldrin, nesta quinta-feira, às 20h, no Sesc Palladium, ele apresenta seus argumentos, já defendidos em dois CDs e um DVD.

Está no repertório do espetáculo 'Trenzinho caipira', de Villa-Lobos, que, observa o instrumentista, se encaixa bem na viola. Cutelinho, música brasileira com origem no Pantanal matro-grossense, é reverência à dupla Pena Branca e Xavantinho, artistas que, explica João Araújo, foram os primeiros a gravar Milton Nascimento, Chico Buarque, extrapolando repertório convencional do instrumento. Acrescente-se a seresta 'Casinha branca', de Elpídio dos Santos. Araújo toca duas músicas dele: 'Menino da cidade' e 'Saudação de caipira'. Serão vendidos durante os shows, a R$ 20, os dois discos do mineiro dedicado à pesquisa dele.

“A viola é uma guerreira vitoriosa. Como o povo, adapta-se às transformações e segue em frente”, afirma, definindo-se como cantador que, com viola, voz e causos, gosta de passar a música para as pessoas com emoção. João Araújo dá valor ao que dizem as letras, já que, observa, viola “é instrumento que tem história para contar. Cultiva belos poemas e passa mensagens essenciais à vida”. Perfil, conta o mineiro, que cultiva por influência de Rolando Baldrin: “Sou fã dele. Ele é autêntico e ama a cultura brasileira. Foi ao conhecê-lo que passei a me dedicar à música, que é mais do que entretenimento”.

João Araújo nasceu em Contagem (MG), é músico, produtor e gestor cultural. Tem, há cerca de cinco anos, o selo Viola Urbana, criado para amparar suas atividades, mas que, desde então, já lançou discos de amigos, somando hoje em catálogo nove CDs, dois DVDs e um livro (todo o material será vendido durante o show). “A produção independente é o futuro da arte”, garante o violeiro. O sonho dele é fazer trabalho de referência para a cultura da viola. Seus projetos futuros são o terceiro disco da série Viola Urbana; produção de um livro sobre Téo Azevedo (e um CD de João e Téo); além de assessorar o DVD de Walter Verona.

Mestre A comemoração do Viola Urbana tem convidado ilustre: o cantor, escritor e apresentador Rolando Boldrin, de 78 anos, 56 deles dedicados, como ele gosta de dizer, a passar para as pessoas o amor pelo Brasil. “Sou um ator que canta a sua terra. Tudo que é Brasil me inspira”, afirma. “O ser humano, a vida, a poesia, a prosa, os causos”, garante. Para quem quiser conhecer a obra dele, recomenda procurar os discos, disponíveis no site www.rolandoboldrin.com.br. “São mais de 200 gravações, painel que me representa bem. Gravei de Noel Rosa a Chico Buarque”, conta.

Boldrin atribui ao amor pelo Brasil à boa atuação representando tipos brasileiros, que valeram a ele dois prêmios, como melhor ator, em filmes de João Batista de Andrade ('Doramundo e Tronco'). Sobre a música de João Araújo, sente nos trabalhos do mineiro mais do que apenas o culto à viola. “Ele luta, com força, por um símbolo do Brasil. O que faz tem mais profundidade do que a gente imagina”, afirma. Boldrin não esnoba a televisão, que, observa, também representa o trabalho dele. “Mas tem de acompanhar, não ver só um programa”, observa, lembrando que ainda não existe uma reunião deles.

10 anos de viola urbana
João Araújo convida Rolando Boldrin. Nesta quinta-feira, às 20, Grande Teatro do Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Ingressos: plateia 1: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia); plateia 2: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia); plateia 3: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Classificação: livre.

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