Prefeitura aposta em tecnologia para viabilizar o melhor carnaval da história de BH

Ferramenta que usa georreferenciamento promete facilitar a vida dos cerca de 4 mil servidores que vão trabalhar durante a folia na capital mineira

por Guilherme Paranaiba 08/02/2017 06:00
Túlio Santos/EM/D.A PRESS - 23/07/2017
Ensaios de blocos agitam pré-carnaval em BH. Na foto, integrantes do Ziriggydum Stardust, que homenageia o cantor David Bowie, afina os instrumentos para a folia (foto: Túlio Santos/EM/D.A PRESS - 23/07/2017)
A grande aposta da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para cumprir a expectativa de transformar o carnaval 2017 – que deverá receber 2,4 milhões de pessoas – no melhor da história da capital mineira é a tecnologia. Uma ferramenta que vai georreferenciar e unificar todas as informações dos 350 blocos de rua, escolas de samba, blocos caricatos e palcos especiais, agregando também imagens em tempo real de mais de 1 mil câmeras da cidade, promete subsidiar os 19 órgãos da administração pública com detalhes para evitar, por exemplo, o conflito entre os desfiles e o trânsito, problema vivenciado em 2016.

Por outro lado, a tecnologia também vai ajudar a outra ponta da festa: o folião, que pela primeira vez terá um aplicativo para celular com todas as informações dos blocos e eventos, localização de banheiros químicos, linhas de ônibus, itinerários de 20 ônibus gratuitos oferecidos pela patrocinadora e postos médicos.

Em 2017, o investimento na estrutura pública aumentou 42%, saltando de R$ 3,5 milhões para R$ 5 milhões, entre o dinheiro da prefeitura e dos patrocinadores. Uma atração especial que será montada pela principal patrocinadora é um escorregador com 200 metros de extensão, no Centro da cidade.

A principal ferramenta de trabalho da PBH durante os plantões de carnaval no Centro de Operações da Prefeitura (COP/BH) será um programa desenvolvido em uma parceria entre a Belotur e a Prodabel, que vai agregar todas as informações dos blocos de ruas, como itinerários e locais de concentração e dispersão.

“Com essa perspectiva em tempo real, temos condição de deslocar agentes de regionais que não terão eventos para locais de grande concentração”, diz o gerente de Operações da Belotur, Glauco Carvalho. O programa, que não gerou custos para a administração municipal, foi desenvolvido usando uma plataforma Google Earth e consegue unir todos os dados do carnaval. Além dos trajetos dos blocos, ele traz imagens de mais de 1 mil câmeras da cidade em tempo real e oferece a localização das estruturas públicas disponibilizadas para a festa de Momo.

Essa alternativa será uma aliada, junto com uma conversa mais estreita entre blocos de rua e prefeitura, para evitar cenas como as do ano passado, em que ônibus ficaram ilhados na Avenida Afonso Pena em meio ao mar de foliões durante a passagem do bloco “Chama o Síndico”, na quarta-feira antes do carnaval. Outro problema foi observado nas ruas do Bairro Floresta, durante a passagem da “Juventude Bronzeada”. Os carros estacionados nas ruas de desfile dificultaram e muito o caminho do trio. “A gente vem conversando com os blocos e negociando isso caso a caso. No campo do planejamento, está funcionando bem e estamos conseguindo prever e antecipar essa questão”, afirma o presidente da Belotur, Aluizer Malab.

Quem também ganha com o foco mais especializado na tecnologia são os foliões. A partir de sexta-feira já estará disponível o aplicativo oficial, com o nome “Carnaval de BH 2017 – oficial”, nas lojas móveis dos sistemas operacionais Android e iOS. O programa vai trazer os percursos dos blocos, itinerários dos ônibus, localização de banheiros, de postos médicos e ainda terá a chance de personalizar um roteiro. “A pessoa vai poder formar sua própria programação e compartilhar sua agenda com os amigos nas redes sociais para que possam se encontrar no roteiro”, diz a diretora de Economia Criativa da Belotur, Marah Costa.


ESTRUTURA
Em 2017, o principal atrativo será a passagem de 350 blocos de rua cadastrados, que serão responsáveis por 413 desfiles. Mas os atrativos tradicionais também pedem passagem, como as escolas de samba e os blocos caricatos na Avenida Afonso Pena. Três palcos fixos serão montados na Praça da Estação, na Avenida Brasil e também na Rua dos Guaicurus, novidade para 2017.

A prefeitura vai disponibilizar 10 mil diárias de banheiros químicos, 3 mil a mais do que as 7 mil de 2016. Mais de 9 mil vendedores ambulantes se cadastraram para vender bebidas e alimentos na festa. O metrô de Belo Horizonte vai funcionar todos os dias até as 2h para embarques apenas na Estação Central e desembarque em qualquer estação. A BHTrans vai reforçar o atendimento das linhas de ônibus, o que não ocorreu em 2016, já que os coletivos rodaram de acordo com o horário normal de cada dia da semana. Serão 4 mil servidores da PBH mobilizados para o evento.

Mais uma vez, a prefeitura fechou parceria com a Ambev e a Skol será novamente a principal patrocinadora da festa de Momo. A empresa vai instalar um escorregador gigante com 200 metros de extensão em um ponto que ainda será definido no Centro da capital mineira.

O acesso será gratuito e, segundo o gerente de Marketing Regional da Skol, Maurício Landi, 3,5 mil pessoas serão atendidas todos os dias entre sábado e terça-feira de carnaval. Além disso, 20 ônibus personalizados estarão disponíveis para transportar os foliões de graça. Diferentemente do que ocorreu em 2016, eles não vão rodar apenas na Avenida do Contorno, mas sim em pontos descentralizados que ainda estão sendo fechados com a BHTrans e a Belotur.

A empresa ainda patrocina cerca de 20 eventos entre gratuitos e pagos que estão na programação oficial da PBH para o carnaval. “É muito bom ver quando a prefeitura se prepara para fazer um carnaval cada vez maior e melhor e essa parceria só tende a crescer. Com certeza, BH tem tudo para se tornar um dos maiores carnavais do Brasil”, afirma.

LIMITES NA SAVASSI E EM SANTA TEREZA

Neste ano, a Prefeitura de BH vai repetir o esquema adotado em 2016 com relação a dois pontos da cidade que registraram problemas em carnavais anteriores. No Bairro Santa Tereza, berço do renascimento do carnaval de rua, o horário -limite para a folia será respeitado. Os eventos não podem passar das 20h, com base em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público e a população local.

Na Savassi, não haverá palco fixo especial pelo segundo ano seguido. O presidente da Belotur, Aluizer Malab, explicou que a região já traz a concentração de pessoas naturalmente, por conta dos blocos que passam por ali, número de bares e eventos que ocorrem normalmente na região. “Não colocar o palco ali é administrar o público. Os blocos vão passar, não vamos deixar estacionar carros, para que as pessoas possam transitar por ali normalmente”, afirma.

A partir de hoje, os vendedores ambulantes que se credenciaram para vender comida e bebida no carnaval devem retirar suas credenciais.

A entrega dos documentos será feita na Usina da Cultura, que fica na Rua Dom Cabral, 765, no Bairro Ipiranga, Nordeste de BH, entre as 8h e as 16h. Hoje serão contemplados aqueles vendedores cujos nomes começam com a letra A até a letra L. Amanhã, a entrega continua para aqueles cujas iniciais vão de M a Z.

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