A Torrid, uma das maiores varejistas de moda plus-size dos EUA, anunciou o fechamento de quase 200 lojas até o fim de 2025. A decisão segue a preferência crescente dos consumidores por compras online.
Apesar do crescimento do mercado de roupas femininas plus-size, a empresa ajusta sua estratégia para focar no e-commerce e reduzir custos operacionais.
Mercado plus-size cresce, mas as lojas físicas encolhem
O mercado de roupas plus-size femininas está em expansão global, mas as lojas físicas enfrentam dificuldades. Segundo o Verified Market Reports, o mercado global de roupas plus-size femininas deverá crescer de US$ 205,3 bilhões (2024) para US$ 343,5 bilhões (2033), com taxa média de crescimento anual de 6,7%.
Mesmo com a alta na demanda por moda inclusiva, mais de 60% das vendas já ocorrem no ambiente online. Isso forçou redes como a Torrid a reverem suas estruturas físicas e optarem por um modelo mais enxuto e digitalizado.
A América do Norte lidera o segmento, respondendo por aproximadamente 43-44% da receita global de roupas plus-size femininas. O avanço reflete o desejo das consumidoras por mais representatividade, variedade de tamanhos e acesso facilitado via e-commerce.
Por que a Torrid está fechando lojas nos Estados Unidos?
A Torrid optou por encerrar até 180 lojas de baixo desempenho em 2025. Segundo a CEO Lisa Harper, a prioridade é investir na experiência digital, já que 70% da demanda atual vem do comércio eletrônico.
Esse movimento é estratégico: reduz custos fixos e permite canalizar recursos para aquisição de clientes, marketing e melhorias omnichannel. A empresa iniciou os fechamentos em junho de 2025 e segue com cronograma ativo até janeiro de 2026.
Como as vendas online transformaram o varejo plus-size
O comércio eletrônico representa hoje a maioria das vendas do setor plus-size, obrigando marcas tradicionais a se reinventarem. A Target lançou a coleção ‘KBB by KAHLANA’ da designer Kahlana Barfield Brown em setembro de 2025, oferecendo roupas size-inclusive a preços variando de US$ 20 a US$ 95, demonstrando a aposta de grandes varejistas em moda plus-size acessível.
Ainda assim, mesmo grandes redes não conseguiram conter a migração das vendas para plataformas digitais. O e-commerce traz conveniência, variedade e preços mais acessíveis, o que explica a transformação do setor.
Atenção: cerca de 7 a cada 10 compras de moda plus-size já são realizadas online — e a tendência é crescer.
Resultados financeiros reforçam a necessidade de mudança
No terceiro trimestre de 2025, a Torrid registrou queda de 10,8% na receita líquida, além de prejuízo de US$ 6,4 milhões. As vendas comparáveis caíram 8,3%, evidenciando a dificuldade de manter lojas físicas lucrativas.
Com 74 unidades encerradas até dezembro, a varejista contava com 560 lojas em operação no fim do trimestre. A meta é alcançar uma arquitetura de sortimento mais equilibrada em 2026, com 30% dos produtos em faixa de preço acessível, sem abrir mão da qualidade.
- Receita no Q3: US$ 235,2 milhões (queda de 10,8%)
- Perda por ação: US$ 0,06
- Total de lojas até dezembro: 560
- Nova proposta: mais valor e menos custo ao cliente

Fechamento de lojas pode abrir portas para inovação digital
Analistas como Neil Saunders e a equipe da William Blair veem o fechamento de lojas como um passo estratégico para acelerar a digitalização. A ideia é liberar capital para investir em marketing, novos produtos e tecnologias que fortaleçam o e-commerce da marca.
Com menor presença física, a Torrid pode apostar em experiências omnichannel mais eficazes, segmentação personalizada e maior competitividade nos preços. Essa adaptação reflete uma tendência irreversível no varejo: priorizar canais digitais para acompanhar o comportamento do consumidor moderno.






