Você já imaginou fingir ser milionária e conseguir convencer todo mundo? Pois é exatamente isso que Anna Delvey fez na vida real. E a Netflix transformou essa história insana numa série que virou febre mundial.
Inventando Anna chegou em 2022 e imediatamente virou assunto. Criada por Shonda Rhimes (a mesma de Grey’s Anatomy), a minissérie conta a história bizarra de uma jovem russa que conseguiu enganar a elite de Nova York fingindo ser uma herdeira alemã. É uma daquelas histórias que você pensa “não é possível que isso aconteceu de verdade” – mas aconteceu mesmo.
Por que Anna Delvey virou um fenômeno?
Anna Sorokin era só mais uma imigrante russa de classe média. Mas quando chegou em Nova York, em 2013, ela decidiu virar Anna Delvey – supostamente uma herdeira alemã com 60 milhões de euros na conta.
O golpe dela era genial: vestia roupas caras, frequentava os lugares certos e falava com aquele sotaque europeu que impressiona qualquer americano. Em pouco tempo, estava dentro dos círculos mais ricos da cidade.
A real Anna conseguiu coisas absurdas. Roubou um jato particular, pegou empréstimo de 40 milhões de dólares e vivia em hotéis de luxo sem pagar as contas. Tudo isso fingindo ser quem não era.
Como Julia Garner deu vida à golpista?
Julia Garner entregou uma performance que ficou na história. Ela passou meses estudando o sotaque maluco da Anna – uma mistura de russo, alemão e californiano que é ao mesmo tempo, ridículo e hipnotizante.
A atriz até visitou a verdadeira Anna na prisão para entender melhor a personagem. “Foi uma experiência assustadora”, contou depois. E dá para entender – a Anna real é carismática, mas também perturbadora.
Garner conseguiu capturar essa dualidade. Na série, você fica dividido entre achar a Anna fascinante e querer dar uns tapas nela. É exatamente assim que as pessoas se sentiam na vida real.
Qual é o papel da jornalista Vivian Kent?
Anna Chlumsky interpreta Vivian Kent, uma jornalista grávida que fica obcecada pela história da Anna. Na vida real, ela é baseada em Jessica Pressler, que escreveu o artigo original sobre o caso.
A série mostra Vivian correndo contra o tempo – ela quer terminar a matéria antes do bebê nascer. É uma tensão real que adiciona drama à investigação jornalística.
A dinâmica entre Vivian e Anna é o coração da série. Duas mulheres tentando usar uma à outra: a golpista quer controlar sua narrativa, a jornalista quer a história do século.
O que é verdade e o que é invenção na série?
Inventando Anna avisa logo de cara: “Esta história toda é verdadeira. Exceto pelas partes que foram totalmente inventadas.” É uma frase genial que resume perfeitamente o dilema da série.
A maioria dos golpes mostrados realmente aconteceu. Anna mesmo roubou o jatinho, enganou bancos e vivia de hotel em hotel sem pagar. Até os detalhes mais malucos, como ela trocar ligações na prisão por miojo, são verdadeiros.
O que foi inventado são principalmente os detalhes emocionais e algumas interações. A série criou diálogos e situações para dar mais drama à história, mas o núcleo central é real.
Por que Anna continua famosa mesmo depois da prisão?
Aqui fica bizarro: Anna ganhou mais dinheiro sendo presa do que sendo golpista. A Netflix pagou mais de 300 mil dólares pelos direitos da história dela.
Ela alega que usou o dinheiro para ressarcir as vítimas, mas convenhamos – dá para acreditar numa pessoa que enganou todo mundo durante anos?
Anna saiu da prisão em 2021 e continua sendo uma figura pública. Aparece em eventos, dá entrevistas e mantém um estilo de vida que muita gente comum não consegue ter. É quase como se o crime tivesse compensado.
O que Inventando Anna diz sobre nossa sociedade?
A série é inteligente porque não romantiza a Anna, mas também não a demoniza. Ela questiona: se foi tão fácil enganar todo mundo, o que isso diz sobre o mundo em que vivemos?
Nova York é uma cidade onde aparência é tudo. Se você se veste bem e frequenta os lugares certos, ninguém questiona de onde vem seu dinheiro. Anna apenas aproveitou essa superficialidade.
A série também critica a obsessão da mídia por golpistas carismáticos. Transformamos criminosos em celebridades e depois fingimos estar chocados quando eles continuam ganhando dinheiro com a fama.
Inventando Anna é mais que entretenimento – é um espelho da nossa sociedade. Uma sociedade onde “fake it till you make it” virou regra de vida, e onde a linha entre realidade e ficção fica cada vez mais tênue. A Anna pode ter sido presa, mas o mundo que permitiu que ela existisse continua o mesmo.






