Em 1815, a erupção do vulcão Tambora, na Indonésia, mudou o clima do planeta e empurrou centenas de famílias do cantão de Fribourg, na Suíça, para o outro lado do oceano. Três anos depois, nasceu Nova Friburgo, na serra fluminense, a única cidade do Brasil erguida por colonos suíços.
Como uma erupção na Indonésia trouxe os suíços para a serra do Rio
O ano de 1816 ficou conhecido na Europa como o ano sem verão. As cinzas e gases lançados pelo Tambora resfriaram a atmosfera, destruíram colheitas inteiras e provocaram fome generalizada nos cantões alpinos. O cantão de Fribourg foi um dos mais castigados, e a oferta de uma colônia no Reino do Brasil chegou como saída para milhares de famílias católicas de língua francesa.
Em 16 de maio de 1818, o então príncipe-regente Dom João VI assinou o decreto que autorizou o agente Sébastien-Nicolas Gachet a estabelecer 100 famílias suíças na Fazenda do Morro Queimado, no distrito de Cantagalo. O local foi escolhido pelo clima frio e pelas características naturais parecidas com as dos Alpes. Conforme o portal oficial de turismo Descubra Nova Friburgo, dos 2.006 emigrantes que partiram da Suíça em 1819, apenas 1.631 chegaram ao destino. Foram registrados 389 óbitos e 14 nascimentos durante a travessia.

Por que a Suíça Fluminense ainda tem cara de Europa
O legado dos colonos sobreviveu a dois séculos. Está nos sobrenomes alemães, suíços e franceses dos moradores, na arquitetura de chalés do interior do município e em pratos como a raclette e o fondue, que dominam os cardápios de inverno. A cidade mantém vínculos oficiais com a homônima europeia desde 1978, quando foi criada a Associação Friburgo-Nova Friburgo.
O clima também ajudou a manter o estilo europeu. O município fica a 846 metros de altitude no centro e tem clima subtropical de altitude, com temperatura média anual de 19°C, segundo dados oficiais consolidados. A cidade ficou conhecida como destino de veraneio ainda no século XIX, quando viajantes europeus passavam temporadas em hospedarias como a de Gustav Lauenroth, citada em 1860 pelo Barão J. J. Von Tschudi como referência de boa hospedagem na serra. Conforme registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a tradição de receber visitantes em busca do clima seco e da paisagem montanhosa é tão antiga quanto a colônia.

O que ver e provar entre chalés e picos da serra friburguense
O município é vasto e combina centro histórico, distritos rurais e algumas das maiores altitudes do Rio de Janeiro. Os principais atrativos da Suíça Fluminense reúnem:
- Pico da Caledônia: ponto culminante da região com 2.257 metros, com vista da Baía de Guanabara em dias claros, acesso por trilha íngreme com mais de 600 degraus.
- Teleférico de Nova Friburgo: parte da Praça do Suspiro e oferece vista panorâmica do centro da cidade serrana e dos morros do entorno.
- Museu do Colonizador: localizado em Três Cachoeiras, reúne objetos, cartas e documentos originais dos primeiros imigrantes que chegaram em 1819.
- Distrito de Lumiar: vila rural com cachoeiras, rios cristalinos e boa estrutura de pousadas, ponto de partida para trilhas no Parque Estadual dos Três Picos.
- Distrito de Mury: a 12 km do centro, concentra hotéis-fazenda, restaurantes europeus e jardins típicos do estilo alpino.
- Praça Getúlio Vargas: o coração do centro histórico, com igreja matriz, bancos de madeira e cafés que herdaram a tradição confeiteira suíça.
A gastronomia friburguense reproduz fielmente o cardápio dos cantões alpinos, especialmente nos meses frios. Os pratos mais tradicionais oferecem:
- Fondue de queijo: receita clássica preparada com queijos suíços derretidos no caldeirão e servida com pão, batatas e legumes.
- Raclette: queijo suíço derretido sobre acompanhamentos quentes, tradição preservada desde a fundação da colônia.
- Queijos artesanais da Queijaria Escola: produzidos no estilo suíço em Três Cachoeiras, vendidos no memorial da colonização.
- Chocolates artesanais: herança da tradição confeiteira europeia, com pequenas fábricas espalhadas pelo centro e pelos distritos.
- Embutidos e cervejas artesanais: produzidos por descendentes de famílias alemãs e suíças no interior do município.
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Quando o clima favorece cada estação em Nova Friburgo
O município tem o clima mais frio entre as cidades serranas do Rio de Janeiro. A temperatura mais baixa já registrada chegou a -1,1°C em 8 de agosto de 2014, e geadas em pontos mais altos não são raras nos invernos. Veja a seguir o que aproveitar em cada estação na cidade serrana:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até Nova Friburgo
O acesso principal partindo da capital fluminense é feito pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), com saída pela RJ-116 em direção à Região Serrana. O trajeto tem 142 km e dura, em média, 2h30 de carro. A subida da serra passa por Cachoeiras de Macacu e pelo distrito de Mury antes de chegar ao centro do município.
Quem prefere ônibus encontra linhas regulares saindo da Rodoviária Novo Rio, com viagem direta até a Rodoviária de Nova Friburgo. Para quem vem de São Paulo, o trajeto é de cerca de 580 km pela BR-116, com duração média de 8 horas. Os aeroportos mais próximos são o Galeão e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Vale a pena conhecer a Suíça Fluminense
Nova Friburgo é o tipo de destino que devolve o ritmo pacato da Europa em plena serra brasileira. Picos acima dos 2 mil metros, fondue ao pé da lareira e duzentos anos de história suíça preservada cabem em um único fim de semana, a poucas horas da capital fluminense.
Você precisa subir a serra fluminense e provar um fondue na Praça do Suspiro, com a neblina rolando entre os morros e o ar frio que fez os primeiros suíços se sentirem em casa em 1819.




