A 75 km de Salvador, a Praia do Forte guarda o único castelo em estilo medieval do continente americano e a sede nacional do Projeto Tamar. O vilarejo baiano apelidado de Polinésia Brasileira virou um dos polos turísticos mais visitados do Nordeste.
Como uma vila sem luz virou destino internacional
Em 1982, quando os pesquisadores do Projeto Tamar chegaram à Praia do Forte, o vilarejo tinha 500 moradores, não havia energia elétrica e o único acesso era pela balsa que cruzava o Rio Pojuca. A informação consta no portal oficial da Fundação Projeto Tamar.
Quatro décadas depois, o Centro de Visitantes na Avenida Farol Garcia D’Ávila se tornou o museu do Tamar mais frequentado do Brasil, com cerca de 500 mil visitantes por ano. O espaço figura entre os 10 museus mais visitados do país, segundo cadastro do Instituto Brasileiro de Museus.

O único castelo medieval das Américas
No alto da Colina de Tatuapara, a três quilômetros do centro do vilarejo, está a Casa da Torre de Garcia D’Ávila. A construção foi iniciada em 1551 e concluída apenas em 1624, com 73 anos de obras, e é considerada a única edificação em estilo medieval erguida em todo o continente americano.
O castelo já foi a sede do maior latifúndio do mundo na época. As terras dos Garcia D’Ávila se estendiam da Bahia ao Maranhão e somavam cerca de 800 mil km², o equivalente a 1/10 do território brasileiro atual ou às áreas de Portugal, Espanha, Itália, Suíça e Holanda somadas. As ruínas foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 30 de abril de 1938, conforme registros do IPHAN, e hoje o monumento é gerido pela Fundação Garcia D’Ávila.

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O que fazer no vilarejo das tartarugas
O roteiro mistura história colonial, conservação ambiental e praias com piscinas naturais. Veja as principais atrações:
- Centro de Visitantes do Projeto Tamar: 750 mil litros de água salgada em tanques e aquários com quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas brasileiras.
- Castelo Garcia D’Ávila: ruínas tombadas pelo IPHAN, com museu interativo e videomapping no Parque Histórico e Cultural.
- Praia do Forte (Praia da Vila): faixa principal do vilarejo, com piscinas naturais formadas na maré baixa entre os recifes.
- Reserva de Sapiranga: 600 hectares de Mata Atlântica preservada, com trilhas e a tirolesa mais longa do litoral baiano.
- Soltura de filhotes de tartarugas: entre novembro e março, ocorrem solturas abertas ao público, ritual operado pelo Projeto Tamar.
- Alameda do Sol: rua principal de pedestres, com lojas de artesanato, restaurantes e a Igreja de São Francisco de Assis.
A cozinha local é referência no litoral norte baiano, com farto cardápio de frutos do mar. Confira os destaques gastronômicos:
- Moqueca de peixe: prato baiano clássico, servido nos restaurantes da Alameda do Sol e do calçadão da praia.
- Bobó de camarão: receita tradicional preparada com purê de mandioca, leite de coco e azeite de dendê.
- Acarajé da Alameda: bolinho de feijão fradinho frito no dendê, vendido por baianas no centro do vilarejo.
- Casquinha de siri: aperitivo típico dos quiosques pé na areia da Praia do Forte.
- Cocada e tapioca: doces e salgados artesanais nas barracas da feira local.
Quem deseja visitar a Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vida sem Paredes, que conta com mais de 8 mil visualizações, onde o canal mostra praias paradisíacas, piscinas naturais e tudo o que fazer em Praia do Forte:
Quando ir e o que fazer em cada estação
O clima tropical mantém temperaturas estáveis durante todo o ano em Praia do Forte. Veja como o tempo se comporta nas estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme frentes frias e chuvas costeiras.
Como chegar à Praia do Forte
O acesso a partir do Aeroporto Internacional de Salvador é direto pela BA-099 (Estrada do Coco), em cerca de 50 km e 50 minutos de carro. Saindo do centro de Salvador, são 75 km e em torno de 1 hora e 20 minutos. Há saídas regulares de ônibus e vans da Estação Rodoviária de Salvador, com viagens diárias para o vilarejo. Transfers privativos são oferecidos pela maioria das pousadas e resorts da região.
Vá conhecer o vilarejo que renasceu como destino mundial
A Praia do Forte combina o peso de quase cinco séculos de história, um trabalho pioneiro de conservação marinha e o ritmo lento de quem cresceu como vila de pescadores. Poucas praias brasileiras reúnem castelo medieval, tartarugas marinhas e piscinas naturais a tão poucos quilômetros uma da outra.
Você precisa caminhar pela Alameda do Sol ao entardecer, parar no Centro de Visitantes do Tamar e subir até as ruínas do castelo para entender por que esse vilarejo virou um dos cartões-postais do Nordeste.





