No extremo sul da Bahia, Cumuruxatiba resiste ao turismo de massa graças aos 30 km finais de estrada de chão. A vila de pescadores guarda falésias coloridas, baleias jubarte no horizonte e o ponto onde a esquadra de Cabral pisou em terra antes de seguir para Porto Seguro.
Por que Cumuruxatiba ainda tem praias desertas?
A resposta está no acesso. O trecho final da BA-001 entre Prado e o vilarejo nunca foi pavimentado, e os 30 km de estrada de terra funcionam como um filtro natural. Quem chega encontra uma única rua de paralelepípedo, pousadas familiares e nenhum resort à beira-mar.
O distrito existe oficialmente desde 1896 e mantém o ritmo de vila de pescadores. Mesmo na alta temporada, os trechos a partir da Praia do Rio do Peixe seguem praticamente vazios, com pegadas mais raras que as próprias baleias jubarte que aparecem no horizonte.

O marco onde o Brasil começou
A 15 km ao norte do vilarejo está a Barra do Cahy, ponto onde historiadores apontam o primeiro desembarque da expedição portuguesa em 22 de abril de 1500. O capitão Nicolau Coelho desceu na foz do Rio Cahy para buscar água doce antes de Pedro Álvares Cabral seguir para a baía de Porto Seguro.
Da praia, ainda é possível avistar o Monte Pascoal, a mesma silhueta descrita na carta de Pero Vaz de Caminha. As falésias da região variam do bege ao roxo, passando por tons de rosa, e o conjunto é cercado pelo Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal.

Patrimônio Mundial Natural reconhecido pela UNESCO
Cumuruxatiba está cravado dentro do Parque Nacional do Descobrimento, criado por decreto presidencial em 20 de abril de 1999 e ampliado em 2012, com 22.693 hectares de Mata Atlântica preservada. A unidade é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pode ser conferida no portal oficial.
O parque integra o sítio Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, declarado Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1º de dezembro de 1999. As reservas reúnem 112 mil hectares de Mata Atlântica e restingas em oito áreas protegidas entre Bahia e Espírito Santo, conforme registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
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O que fazer no vilarejo do extremo sul baiano
O roteiro alterna praias desertas, marcos históricos e contato com o povo Pataxó. Veja os destaques:
- Praia do Centro e Píer: faixa principal da vila, com piscinas naturais na maré baixa e píer de madeira que avança sobre o mar.
- Praia do Rio do Peixe: falésias avermelhadas, areia escura de monazita e o encontro do rio com o mar a 1 km do centro.
- Barra do Cahy: marco histórico do primeiro desembarque português, cercada por falésias coloridas a 17 km do vilarejo, por estrada de terra.
- Japara Grande: praia protegida por paredão de falésias, com riacho de água doce desembocando no meio da areia.
- Observação de baleias jubarte: passeios entre julho e novembro saem do próprio vilarejo, com operadoras credenciadas pelo ICMBio.
- Etnoturismo Pataxó: visitas às aldeias Tibá e Gurita, dentro do Parque Nacional, em parceria com a comunidade indígena Comexatibá.
A cozinha local mistura frutos do mar fresquíssimos e sabores caiçaras. Confira os destaques gastronômicos:
- Camarão na moranga: prato símbolo dos restaurantes pé na areia da Praia do Centro.
- Arroz de polvo: especialidade dos restaurantes instalados no alto das falésias da Areia Preta.
- Budião grelhado: peixe local servido com acompanhamentos da culinária baiana, comum nos restaurantes familiares do vilarejo.
- Casquinha de siri: aperitivo tradicional dos quiosques à beira-mar.
- Tapioca recheada: opção rápida e barata nas barracas ao redor da praça central.
Quem busca um refúgio no sul da Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 84 mil visualizações, onde o canal mostra um roteiro de 2 dias por Cumuruxatiba e Prado:
Quando ir e o que fazer em cada estação
O litoral sul baiano não tem estação chuvosa bem definida, e o sol predomina o ano inteiro em Cumuruxatiba. Veja como o tempo se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Prado, município-sede. Condições podem variar conforme frentes frias e chuvas costeiras.
Como chegar a Cumuruxatiba
O aeroporto mais próximo é o de Teixeira de Freitas, a 110 km de distância, com cerca de 2 horas de viagem por estrada. O Aeroporto Internacional de Porto Seguro recebe mais voos diretos das capitais brasileiras, mas fica a 230 km do vilarejo, o que representa cerca de 4 horas de trajeto. De carro, o acesso final segue pela BA-001 entre Prado e Cumuruxatiba, com 30 km não pavimentados que exigem atenção em dias de chuva.
Vá conhecer a vila do começo do Brasil
Cumuruxatiba combina o silêncio das praias desertas com o peso de ter sido uma das primeiras paisagens vistas pelos portugueses em 1500. O vilarejo guarda Patrimônio Mundial da UNESCO, o ritmo lento da Bahia que o turismo ainda não acelerou e baleias jubarte que aparecem direto da areia.
Você precisa enfrentar os 30 km de estrada de terra, sentar no píer ao pôr do sol e olhar para o mesmo horizonte que Cabral viu para entender por que esse pedaço da Bahia ainda parece intocado.






