Quem passa pelo sítio em Bauru (SP) vê uma cena que corta o coração: Beth, uma cadelinha de 10 anos, insiste em ficar no ponto exato onde o corpo de sua tutora, Dagmar Grimm Streger, foi encontrado. Desde a morte da idosa de 76 anos, a cachorra permanece ali, como se ainda esperasse por um último carinho. Moradores se mobilizaram para ajudar Beth e os demais cães do local, que agora dependem de vizinhos e servidores municipais para receber água, comida e um mínimo de segurança em meio a máquinas, buscas e um ambiente completamente transformado.
O que explica a lealdade dos cães após a morte do tutor
A atitude de Beth, parada no lugar onde a dona foi achada, é vista por muitos como prova de lealdade. Cães criam laços profundos com quem cuida deles, reconhecendo cheiro, voz, rotina e até o jeito de caminhar, e por isso sentem muito quando essa presença simplesmente desaparece.
O animal não entende a morte como nós entendemos, mas percebe a ausência que não volta, a casa mais silenciosa, a falta de colo e de comandos. Nessas situações, alguns cães passam a agir de forma diferente, com sinais que lembram um luto discreto, porém doloroso para quem observa.

A adoção de cães enlutados exige um cuidado diferente
Adotar um cão que perdeu o tutor, como Beth e os outros animais de Dagmar, vai além de abrir o portão de casa: é preciso abrir espaço na rotina e na paciência. No começo, ele pode parecer desconfiado, assustar-se com barulhos ou tentar voltar mentalmente à antiga vida.
Isso não quer dizer que ele não vá se adaptar, apenas que precisa de um pouco mais de tempo e acolhimento. Objetos familiares, regras claras e gentis, além de estímulos positivos como petiscos e elogios, ajudam o animal a entender que, mesmo com a perda, uma nova história pode começar ao lado de outra família.
Quais sinais mostram que o cachorro sente a falta do tutor
Ao perder a pessoa com quem tinha vínculo, o cachorro pode mudar de comportamento, como se estivesse procurando uma resposta que nunca chega. Esses sinais não significam frescura ou “manha”, mas uma forma de o animal mostrar que algo importante saiu do lugar.
- Diminuição do apetite ou recusa em se alimentar
- Ficar mais quieto, apático ou distante
- Procurar cheiros, roupas ou objetos do tutor
- Chorar ou latir em horários e locais marcantes
- Esperar em portões, estradas ou pontos de referência do cuidador
Confira o vídeo da cachorra publicado nas redes sociais:
O que aconteceu no caso Dagmar Grimm Streger em Bauru
Dagmar desapareceu em dezembro de 2024, no sítio onde morava sozinha, em uma área rural de Bauru, enquanto um casal de caseiros vivia em outra casa no mesmo terreno. Ao mesmo tempo, o carro da idosa, uma Fiat Strada, sumiu e teria circulado por diferentes cidades, o que levantou suspeitas e levou a uma investigação intensa.
O casal de caseiros acabou preso no Paraná ainda em dezembro, enquanto equipes de busca vasculhavam áreas rurais de Bauru, com apoio do Corpo de Bombeiros e da Prefeitura. Em 21 de janeiro de 2025, o corpo de Dagmar foi encontrado em um poço desativado com cerca de 30 metros, encerrando semanas de angústia para a família e para quem acompanhava o caso.
Como a mobilização em torno de Beth mostrou a importância de cuidar dos animais
Durante todo o período de buscas, Beth permaneceu próxima ao ponto das escavações, tornando-se símbolo silencioso da história. Sua imagem ali, firme no local onde a tutora foi localizada, chamou atenção para a situação de tantos animais que ficam sem referência depois de crimes, acidentes ou mortes inesperadas.
Em Bauru, vizinhos, protetores e órgãos públicos se uniram para garantir ração, água, abrigo e a chance de adoção para os cães de Dagmar. Dois já ganharam novos lares, enquanto Beth e outro cão ainda aguardam uma família. Essa mobilização mostra como incluir os animais na rede de cuidado pode transformar uma história de perda em um recomeço mais digno e seguro para eles.






