Entre o oceano e a terceira maior baía do Brasil, a Península de Maraú guarda 40 km de praias praticamente desertas, coqueiros que se debruçam sobre a areia e recifes que viram piscinas naturais a cada maré baixa. Fica no sul da Bahia, a 270 km de Salvador, em uma faixa de terra que o difícil acesso ajudou a manter intocada por décadas. Aqui, estrada de chão e travessia de barco fazem parte do roteiro.
Por que a península continua um dos últimos segredos do litoral baiano?
A resposta está no acesso. Os últimos 43 km até as praias mais famosas são percorridos em estrada de terra que castiga carros comuns e exige paciência mesmo nos veículos 4×4. Não há aeroporto na península, e quem chega de carona aérea precisa pousar em Ilhéus, a cerca de duas horas e meia de viagem.
Esse isolamento natural funcionou como uma barreira informal contra o turismo de massa. Enquanto outros destinos do Nordeste ganharam resorts e calçadões, Maraú manteve vilas pequenas, pousadas pé na areia e grandes trechos de orla sem nenhuma construção. O resultado é um litoral em que ainda é possível caminhar quilômetros sem cruzar com ninguém.

O abrigo natural protegido pelo governo da Bahia
A península inteira está dentro de uma área protegida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). A Área de Proteção Ambiental da Baía de Camamu foi criada em 2002 e cobre 118 mil hectares entre Camamu, Maraú e Itacaré, abrangendo terras, águas, ilhas e recifes.
A própria Baía de Camamu, que banha o lado oeste da península, é a terceira maior do Brasil em volume de água, atrás apenas das baías de Todos os Santos e da Guanabara. Tem cerca de 24 km de largura e 43 km de fundo, com manguezais preservados, restingas, dezenas de ilhas e a Lagoa do Cassange, uma lagoa de água doce com 8 km de extensão paralela à praia.
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O que fazer entre as praias da Costa do Dendê
O roteiro pela península se divide entre o lado oceânico, com piscinas naturais e ondas, e o lado da baía, com águas calmas e passeios de barco. As atrações estão espalhadas ao longo da estrada de terra que corta a península de norte a sul.
- Taipu de Fora: praia mais famosa, com piscinas naturais formadas pelos recifes na maré baixa. Um dos melhores pontos de snorkel acessível a pé do Brasil.
- Praia de Algodões: longa faixa de areia praticamente deserta, com bromélias gigantes na trilha que leva até ela e poucas barracas na orla.
- Praia do Cassange: extensa, com coqueiros, ondas para surfe na maré alta e a lagoa de água doce paralela ao mar.
- Barra Grande: vila principal, ponto de chegada para quem vem de barco e centro da vida noturna e gastronômica da península.
- Ponta do Mutá: extremo norte da península, onde o sol se põe no mar mesmo do lado da baía.
- Passeio pelas ilhas da Baía de Camamu: roteiro de barco até Sapinho, Goió e Ilha Grande, com almoço de frutos do mar e travessia por manguezais.
Quem planeja as próximas férias na Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 908 mil visualizações, onde Mateus Boa Sorte mostra as belezas de Barra Grande, em Maraú:
Quando ir e como aproveitar cada estação
O clima cá é quente o ano inteiro, mas algumas épocas favorecem mais os passeios do que outras. As tábuas de marés mandam tanto quanto a previsão do tempo: piscinas naturais só aparecem na maré baixa.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à península escondida no sul da Bahia
O caminho mais comum começa em Salvador. Uma opção é cruzar a Baía de Todos os Santos pelo ferry boat até Bom Despacho e seguir cerca de 270 km pela BA-001 até o porto de Camamu, de onde lanchas e barcos atravessam a baía em meia hora até Barra Grande. Outra rota sai de Ilhéus, a 126 km, com os 43 km finais em estrada de terra, melhor enfrentada em veículo 4×4. Quem prefere rapidez pode voar até Ilhéus e contratar transfer combinado por terra ou por mar.
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Conheça a península que o tempo poupou
A Costa do Dendê guarda em Maraú um dos trechos mais preservados do litoral brasileiro, com paisagem de coqueirais, recifes vivos e vilas de pescadores que ainda definem o ritmo do lugar. O esforço para chegar é parte da experiência e explica por que o destino segue diferente de tudo no Nordeste.
Você precisa atravessar a estrada de terra e conhecer Maraú, a península baiana onde piscinas de coral aparecem com a maré e o relógio se rende ao sol e ao vento.





