Grandes companhias aéreas europeias reforçaram orientações recentemente e continuam proibindo o transporte de carregadores portáteis (power banks) na bagagem despachada. O motivo é o risco real de incêndio causado por baterias de lítio durante o voo.
Se você viaja com frequência pela Ryanair, easyJet ou TUI, precisa entender exatamente o que pode e o que não pode levar — e onde guardar cada item para evitar problemas no embarque.
Por que as baterias de lítio são perigosas em aviões
A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido (CAA) explica que baterias de lítio podem entrar em um fenômeno chamado fuga térmica. Trata-se de um aumento rápido e incontrolável de temperatura que pode resultar em incêndio, explosão e liberação de gases tóxicos dentro do compartimento de carga.
Quando um dispositivo está na cabine, a tripulação consegue agir rapidamente caso algo aconteça. No porão, não há essa possibilidade, e o fogo pode se espalhar sem controle.
Esse é o principal motivo pelo qual as companhias exigem que power banks e baterias sobressalentes sigam exclusivamente na bagagem de mão. Não se trata de burocracia: é uma questão de sobrevivência em altitude.

Quais são as regras da Ryanair para carregadores portáteis?

O que a easyJet exige dos passageiros sobre baterias externas
A easyJet segue uma política semelhante, mas com algumas particularidades. Power banks com capacidade inferior a 100 Wh (cerca de 27.000 mAh) são aceitos sem aprovação prévia. Já itens entre 100 e 160 Wh precisam de autorização da companhia aérea antes do embarque.
A easyJet permite no máximo 2 baterias de lítio sobressalentes por passageiro (≤100 Wh sem aprovação prévia; 100-160 Wh com aprovação), todas em bagagem de mão. Não há limite oficial fixo de ’15 dispositivos eletrônicos’ na política da companhia — isso vem de fontes secundárias e não é endossado oficialmente. Se qualquer eletrônico for na bagagem despachada, ele deve estar completamente desligado — e não apenas em modo de suspensão ou hibernação.
Quem viaja com bagagem inteligente precisa ficar atento: se a mala for despachada, a bateria removível deve ser desconectada no balcão de check‑in e levada para a cabine. Caso não seja possível remover a bateria, a companhia pode recusar a bagagem.
Como a TUI regulamenta o uso de power banks a bordo?
A TUI também proíbe baterias de lítio soltas e carregadores portáteis na bagagem de porão. A regra é que esses itens devem ir exclusivamente na bagagem de mão, com os terminais protegidos contra curto‑circuito.
A TUI proíbe power banks na bagagem de porão, exige proteção nos terminais contra curto-circuito e não permite uso para carregar dispositivos durante o voo — regras semelhantes às de outras low-costs. A recomendação de não recarregar o power bank nas tomadas da aeronave é uma orientação geral de segurança, não exclusiva da TUI.
Dica rápida: pilhas AA comuns (alcalinas, NiMH ou NiCd) para lanternas de bolso ou rádios são permitidas na TUI, desde que permaneçam dentro do dispositivo ou em embalagem protetora, evitando contato direto com outros objetos metálicos. A restrição severa se aplica especificamente às baterias de lítio.
Outras companhias aéreas que já baniram os carregadores portáteis
A tendência não se limita às low‑cost europeias. A Emirates, por exemplo, reforçou a proibição do uso e recarga de power banks durante o voo, permitindo apenas um power bank com capacidade inferior a 100 Wh por passageiro, que deve permanecer desligado, em bagagem de mão, e não pode ser utilizado nem recarregado durante o voo.
Especialistas do setor acreditam que mais companhias seguirão esse caminho nos próximos meses, à medida que os órgãos reguladores intensificam as recomendações sobre segurança de baterias de lítio em aeronaves.

Como viajar com seu carregador portátil sem problemas
A melhor estratégia é se preparar antes de chegar ao aeroporto. Verifique a capacidade em Wh do seu power bank — essa informação costuma estar impressa no próprio dispositivo ou na embalagem. Se estiver abaixo de 100 Wh, a maioria das companhias aceita sem complicações.
Embale cada bateria individualmente, usando fita isolante nos terminais ou guardando-as em sacos plásticos separados. Mantenha tudo na bagagem de mão que ficará sob o assento à sua frente, e não esqueça: nada de carregar o celular durante a decolagem e o pouso.
Se você viaja frequentemente e depende do carregador portátil, vale a pena investir em um modelo que exiba claramente a capacidade em Wh na etiqueta. Isso evita questionamentos no controle de segurança e agiliza o embarque.






