Rogério tem 39 anos e dá aulas de História em uma escola pública de Recife há mais de uma década. Conhecido pelos alunos por misturar firmeza com paciência, ele costuma dizer que ensinar não é apenas explicar conteúdo, mas ajudar os estudantes a entenderem o próprio papel na vida. Foi assim que ele decidiu agir quando percebeu que João, um aluno de 15 anos que antes participava bastante das aulas, começou a acumular tarefas atrasadas e notas cada vez mais baixas.
Por que as notas de João começaram a cair?
No início do ano letivo, João demonstrava curiosidade nas aulas. Fazia perguntas, participava das discussões e costumava entregar as atividades dentro do prazo. Porém, com o passar dos meses, o comportamento começou a mudar.
Primeiro vieram alguns trabalhos não entregues. Depois, as faltas em determinadas aulas e o silêncio nas atividades em grupo. As notas começaram a cair e os professores perceberam que algo estava acontecendo.
Rogério decidiu observar com mais atenção. Ele sabia que por trás de notas baixas muitas vezes existem questões que vão além da matéria estudada.
Alguns sinais que chamaram a atenção do professor foram claros.
- Tarefas acumuladas sem justificativa.
- Menor participação nas discussões em sala.
- Dificuldade em organizar o material escolar.
- Queda gradual nas avaliações.
Como o professor decidiu abordar o problema?
Em vez de apenas registrar as faltas de atividades, Rogério chamou João para conversar depois da aula. Não era uma bronca, mas uma tentativa de entender o que estava acontecendo.
O aluno contou que tinha perdido o ritmo de estudo. Começou a adiar tarefas, deixou acumular trabalhos e, quando percebeu, já estava atrasado em várias matérias.
Sentindo vergonha da situação, acabou evitando participar das aulas. Quanto mais tempo passava, mais difícil parecia recuperar o conteúdo.
Rogério ouviu com atenção e percebeu que o aluno não estava desinteressado, apenas perdido na própria organização.

Qual frase o professor escreveu no caderno do aluno?
Antes de encerrar a conversa, Rogério pegou o caderno de João e escreveu uma frase que sempre considerou poderosa para quem está estudando.
Segundo Paulo Freire:
“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
João leu a frase e ficou alguns segundos em silêncio. Para ele, parecia apenas uma reflexão distante da realidade das provas e tarefas acumuladas.
Rogério explicou que a frase falava justamente sobre responsabilidade pessoal. A escola oferece conhecimento, mas quem decide mudar hábitos e aproveitar as oportunidades é cada estudante.
O que o aluno precisava mudar nos hábitos?
Durante a conversa, o professor ajudou João a entender que recuperar as notas não dependia apenas de estudar mais horas, mas de reorganizar a rotina de forma prática.
Ele sugeriu alguns passos simples que poderiam ajudar o aluno a retomar o controle das tarefas.
- Separar um horário fixo para revisar conteúdos diariamente.
- Dividir trabalhos grandes em pequenas etapas.
- Anotar prazos importantes no caderno.
- Conversar com professores quando tiver dúvidas.
Rogério reforçou que ninguém recupera tudo de um dia para o outro. O progresso acontece aos poucos, com constância.
Como João começou a recuperar o ritmo escolar?
Na semana seguinte, João voltou a procurar o professor para mostrar que estava tentando seguir as orientações. Começou entregando algumas atividades atrasadas e pedindo explicações sobre conteúdos que não tinha entendido.
Mesmo que as notas ainda não tivessem melhorado completamente, a postura do aluno já era diferente. Ele voltou a participar das aulas e demonstrava mais atenção.
Rogério sabia que aquela mudança era o primeiro passo. Mais importante do que uma nota imediata era o aluno perceber que podia reorganizar o próprio caminho.
A frase escrita no caderno continuou ali, no início da matéria de História. Sempre que João abria as páginas para estudar, encontrava novamente o mesmo lembrete.
Segundo Paulo Freire:
“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
Para Rogério, ensinar muitas vezes começa com gestos simples. Uma conversa depois da aula, um conselho sincero ou uma frase escrita no momento certo podem ajudar um estudante a enxergar que ainda há tempo para mudar o próprio rumo.






