Zach Yadegari, com cerca de 18-19 anos, já vendeu duas empresas. A mais recente foi o aplicativo Cal AI, adquirido pelo líder de mercado MyFitnessPal após gerar entre US$ 30 milhões e mais de US$ 40 milhões em receita anual
A história do jovem empreendedor mistura rejeições universitárias, inteligência artificial e uma ambição que não cabe em sala de aula.
De projeto escolar a aplicativo milionário de contagem de calorias
O Cal AI funciona de forma surpreendentemente simples: o usuário tira uma foto do prato e o aplicativo estima as calorias usando inteligência artificial. A ideia nasceu quando Yadegari e seu amigo de escola Henry Langmack testavam possibilidades com a API de imagens da OpenAI.
Os dois desenvolveram o app durante as aulas do ensino médio, literalmente dentro da sala de aula. Para divulgar a tecnologia, investiram pesado em campanhas com influenciadores de nutrição e fitness e em anúncios de performance no Facebook, TikTok e Instagram.
O resultado foi explosivo. Em menos de dois anos, o Cal AI ultrapassou 10-15 milhões de downloads e gerou cerca de US$ 30 milhões em receita anualizada, conforme reportagens de negócios.
Como o MyFitnessPal decidiu comprar o Cal AI?
O CEO do MyFitnessPal, Mike Fisher, revelou que a empresa monitora cerca de 70 concorrentes de diferentes portes. O Cal AI chamou atenção ao subir rapidamente nos rankings das lojas de aplicativos, rivalizando com o próprio MyFitnessPal no topo da categoria.
- As negociações duraram quase um ano e o acordo foi fechado em dezembro de 2025, com anúncio oficial em março de 2026.
- O valor da transação não foi divulgado, mas Yadegari relatou à Inc. que o Cal AI gerou cerca de US$ 40 milhões em receita no último ano, com expectativas de crescimento.
- A equipe principal do Cal AI — sete funcionários, incluindo os fundadores — foi absorvida pelo MyFitnessPal, junto com alguns contratados.
Atenção: o app continua funcionando de forma independente. A principal mudança até agora foi a integração com o banco de dados do MyFitnessPal, que inclui mais de 20 milhões de alimentos e cardápios de 380 redes de restaurantes.
Rejeitado por Harvard, Princeton e outras 13 universidades de elite
Em 2025, Yadegari viralizou no X ao revelar que foi rejeitado por 15 das 18 universidades para as quais se candidatou. A lista de recusas incluía Harvard, MIT, Princeton, Duke, Cornell e outras instituições de prestígio.
Apenas três universidades o aceitaram: Georgia Tech, University of Texas e University of Miami, onde ele acabou se matriculando. O post viralizou com dezenas de milhões de visualizações e milhares de comentários debatendo o sistema de admissão universitária nos Estados Unidos.
Curiosidade: muitos comentaristas apontaram que a redação de Yadegari soou como alguém que provavelmente abandonaria o curso — o que, meses depois, parece estar se confirmando.
Qual foi a primeira startup vendida por Yadegari ainda adolescente?
Antes do Cal AI, Yadegari já havia criado e vendido a Totally Science, um site que permitia que estudantes jogassem games online na escola, contornando os filtros de internet das instituições. O projeto atingiu mais de 5 milhões de visitantes e foi vendido por um valor na casa dos seis dígitos quando ele tinha apenas 16 anos.
- Yadegari começou a programar ainda criança, aprendendo sozinho por tutoriais no YouTube, e mais tarde passou a dar aulas de programação como freelancer.
A trajetória mostra um padrão: identificar um problema prático, construir uma solução digital rápida e escalar com marketing agressivo.
O futuro: abandonar a faculdade para construir uma empresa bilionária?
Após vender o Cal AI, Yadegari indicou em entrevistas que considera pausar a University of Miami para focar em novos projetos. Em entrevista à Inc., foi ainda mais direto ao afirmar que provavelmente vai deixar a universidade para fundar sua próxima empresa.
Para ele, o principal valor da faculdade nunca foi a educação em si, mas a vida social. Agora, com dois exits no currículo aos 19 anos, o jovem empreendedor mira em algo maior: construir uma companhia avaliada em um bilhão de dólares.
A história de Yadegari reforça um debate cada vez mais presente no universo da tecnologia: em tempos de inteligência artificial e oportunidades digitais, o caminho tradicional pela universidade ainda é o único caminho possível?






