Entenda o instinto por trás dos chutes caninos após as necessidades. O texto explica o papel das glândulas interdigitais e como esse hábito milenar ajuda na comunicação e marcação de território dos pets.
Você já reparou que, depois de fazer xixi ou cocô, muitos cães dão aqueles “chutes” para trás, espalhando grama e terra como se fossem pequenos cavalos? Esse comportamento chama a atenção dos tutores e, às vezes, gera até risadas ou preocupação. Embora pareça só um gesto curioso, ele faz parte de uma forma de comunicação bem antiga e importante para os cães.
O que é marcação de território em cães e por que eles fazem isso
Para entender esse “ciscamento” depois das necessidades, é preciso falar de marcação territorial. Mesmo vivendo em casas e apartamentos, os cães ainda carregam muitos costumes dos seus ancestrais selvagens, e um deles é avisar aos outros animais: “eu estive aqui”.
Ao urinar ou defecar em certos pontos, o cão deixa cheiros cheios de informação, como sexo, idade aproximada e até se está no cio ou não. Quando ele ainda arranha o chão depois disso, está reforçando essa mensagem, fazendo com que o odor se espalhe por uma área maior e fique mais fácil de ser percebido por outros cães.
Como funcionam as glândulas interdigitais nas patas dos cães
Um detalhe pouco conhecido é o papel das glândulas interdigitais, que ficam entre os dedos das patas. Essas glândulas liberam substâncias com um cheiro próprio, quase como uma “assinatura” química de cada cachorro.
Quando o cão arranha a terra ou a grama com as patas traseiras, ele esfrega essa região no solo e deixa esse cheiro ali. Além disso, os arranhões visíveis, a grama levantada ou a terra revirada funcionam como um aviso visual de que um cão passou por ali recentemente.
Esse comportamento de arranhar o chão é normal ou preocupante
Na maioria das vezes, o “ciscamento” depois do xixi ou cocô é totalmente normal e faz parte da maneira como os cães se comunicam. Alguns fazem isso quase sempre, outros raramente; isso pode variar conforme a personalidade, o ambiente, a presença de outros cães e até a segurança que o animal sente naquele local.
- Arranhar ocasionalmente após urinar ou defecar: costuma estar ligado à marcação territorial.
- Arranhar em vários locais, sem relação com as necessidades: pode ter relação com brincadeira, tédio ou ansiedade.
- Se houver feridas, sangramento ou dor nas patas: é importante procurar um médico-veterinário.
Para você que gosta de curiosidades de pets, separamos um vídeo do canal hih Tzu Educado com a explicação por trás desse comportamento do seu pet:
Como o olfato e as glândulas interdigitais ajudam na comunicação entre cães
Para os cães, o mundo é muito mais cheirado do que visto. O olfato é o sentido principal, e os odores deixados no chão, nas plantas e até no ar formam uma espécie de “rede social canina”, cheia de recados invisíveis para nós.
Quando um cachorro “cisca” a grama, ele mistura o cheiro das fezes ou da urina com o odor das glândulas interdigitais e com os cheiros do ambiente. Outros cães conseguem interpretar essas pistas químicas e perceber quem passou ali, como está emocionalmente e se faz pouco tempo que esteve no local.
O que os tutores podem observar no dia a dia do cão
Prestar atenção nesse comportamento ajuda a entender melhor como o cão está se sentindo. Mudanças bruscas, como começar a arranhar o solo de forma muito intensa de um dia para o outro, ou parar de fazer isso em locais onde se sentia à vontade, podem indicar alguma alteração física ou emocional.
- Verifique se o cão demonstra dor, incômodo ou sensibilidade nas patas.
- Observe se há rachaduras, inflamações ou algo preso entre os dedos.
- Note em que situações o comportamento aparece com mais frequência, como presença de outros cães ou locais novos.
- Considere mudanças recentes na rotina, como mudança de casa, novos moradores ou horários diferentes de passeio.
Se o hábito se mantém moderado e o animal está saudável, esse “chutezinho” na grama é só mais uma forma de ele se expressar. Entender isso torna os passeios mais interessantes, porque você começa a enxergar o mundo um pouco mais do jeito que o seu cão vê e, principalmente, cheira.





