A Receita Federal esclareceu em comunicado recente que não realiza qualquer tipo de monitoramento individual de transações feitas via Pix. A falsa informação circula nas redes sociais e tem sido usada por golpistas para aplicar golpes financeiros.
Após revogar a Instrução Normativa nº 2.219/2024, o governo reforçou a proteção de dados e o sigilo bancário do Pix por meio de nova Medida Provisória, desmentindo qualquer plano de fiscalização invasiva.
Receita não rastreia transferências Pix uma a uma
A Receita Federal deixou claro que não possui acesso direto a informações específicas de transações realizadas por Pix. Isso significa que dados como valor, destinatário, tipo de operação ou frequência de uso do Pix por pessoa física não são enviados ao Fisco.
O que continua em vigor é o modelo antigo da Instrução Normativa 1571/2015, no qual instituições financeiras precisam comunicar apenas movimentações mensais superiores a R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 6 mil para pessoas jurídicas. Essas informações não incluem detalhes sobre cada operação.
A tentativa de vincular o Pix a um suposto monitoramento individual serve apenas para alimentar boatos e desinformação, especialmente em momentos de operações policiais ou mudanças nas regras fiscais.
Como surgem fake news sobre o Pix e o que elas escondem?
As fake news sobre o Pix costumam ser disseminadas durante momentos de maior atenção do público às finanças digitais. Elas têm um propósito claro: causar confusão e atrapalhar investigações reais conduzidas por autoridades como a Receita e a Polícia Federal.
Um exemplo recente foi a Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, que revelou esquemas de lavagem de dinheiro através de fintechs enquanto desinformação circulava sobre supostas taxações do Pix. Esse padrão se repetiu em janeiro de 2026, com fake news voltando a circular enquanto autoridades intensificam a fiscalização.
- São compartilhadas por WhatsApp e redes sociais com aparência de urgência
- Usam áudios manipulados e prints falsos para simular autenticidade
- Confundem o público sobre mudanças regulatórias que sequer entraram em vigor
- Funcionam como distração para esquemas reais de fraude
Atenção: nenhum órgão oficial envia mensagens com alertas urgentes por redes sociais. Quando isso ocorre, desconfie.

Por que fintechs não precisam reportar transações individuais?
Uma dúvida comum era por que as fintechs não eram obrigadas a fornecer à Receita os mesmos relatórios de movimentação que os bancos tradicionais. A resposta estava na revogação da IN 2.219/2024, que previa ampliar essa exigência para transações acima de R$ 5 mil. Porém, essa situação mudou significativamente em agosto de 2025.
Com a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.278/2025, em 29 de agosto de 2025, as fintechs agora têm as mesmas obrigações que instituições financeiras tradicionais em relação ao reporte de movimentações via e-Financeira. No cenário atual, instituições financeiras convencionais e fintechs reportam os valores mensais totais à Receita Federal. Ambas são fiscalizadas pelo Banco Central e pelo COAF, que atuam no combate à lavagem de dinheiro, sem expor dados individuais de transações.
- Fintechs seguem normas de compliance equiparadas às instituições financeiras tradicionais
- Não há obrigação de envio detalhado de transações individuais via Pix (apenas saldos mensais agregados)
- Banco Central e COAF analisam padrões de comportamento, não dados pessoais
- Qualquer boato que sugira monitoramento individual de transações é considerado fake news
O que fazer ao receber mensagens falsas sobre o Pix?
Ao receber um conteúdo duvidoso envolvendo o Pix, a atitude mais segura é não compartilhar. Mensagens alarmistas ganham força na repetição, e cada reenvio contribui para a permanência do golpe ativo.
- Evite encaminhar prints ou áudios sem checar a fonte
- Denuncie perfis ou grupos que divulgam boatos com frequência
- Converse com amigos e familiares sobre os riscos da desinformação
- Desconfie de mensagens que envolvam pânico, cobrança imediata ou ameaça
Atenção: se alguém disser que seu CPF será bloqueado ou que haverá imposto no Pix, desconfie imediatamente.
Onde denunciar fake news e golpes sobre o Pix?
Para denunciar mensagens falsas envolvendo Pix, há canais seguros e eficazes mantidos por órgãos públicos e plataformas digitais. A denúncia ajuda a interromper a propagação do conteúdo malicioso e colabora com investigações sobre crimes virtuais.
- Portal e-CAC da Receita Federal
- Ministério Público Federal e Polícia Federal
- Secretaria de Comunicação Social (SECOM) – portal “Brasil Contra Fake”
- Plataformas como WhatsApp, Instagram, Telegram, X (Twitter) e YouTube
- Polícia Civil – Disque Denúncia: 181 (para crimes cibernéticos)
- Banco Central – canal de denúncias de instituições financeiras
- Ao denunciar, inclua print, data, nome do remetente e descrição
Atenção: nunca clique em links encurtados ou abra anexos de remetentes desconhecidos. Eles podem conter vírus ou coletar seus dados bancários.






