Situada entre a agitação de Jurerê Internacional e a calmaria da Praia da Daniela, uma via estreita e de declive acentuado conduz a uma enseada de areia clara e mar de pouca profundidade. A Praia do Forte, localizada no extremo norte da Ilha de Santa Catarina, abriga um dos conjuntos históricos mais bem conservados do litoral brasileiro, aos pés de uma fortificação que testemunhou as disputas entre espanhóis e portugueses pelo sul do Brasil.
A fortaleza que rendeu dois tiros e perdeu uma guerra
A Fortaleza de São José da Ponta Grossa teve sua construção iniciada em 1740 por determinação do brigadeiro José da Silva Paes, o primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. A edificação fazia parte de um sistema de defesa triangular, em conjunto com as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, planejado para conter possíveis invasões pela Baía Norte.
No ano de 1777, a coroa espanhola promoveu um ataque à ilha. O capitão responsável pela guarnição, seguindo instruções do governador, optou por recuar após disparar apenas dois tiros de canhão. Os espanhóis ocuparam a fortaleza e toda a ilha até 1778, quando o Tratado de Santo Ildefonso restituiu o território a Portugal. Abandonada ao longo do século XIX, a estrutura entrou em estado de ruína. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) efetuou o tombamento da fortaleza em 1938, fazendo dela um dos primeiros bens a receber tal proteção no país.

Por que essa praia interessa à UNESCO
O processo de restauração completa do monumento ocorreu entre 1991 e 1992, com financiamento oriundo da Fundação Banco do Brasil. Desde então, a administração do espaço está sob a responsabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A Capela de São José, situada no interior da fortaleza, representa a única construção de todo o complexo defensivo da ilha que ainda conserva sua função religiosa original, datada do século XVIII.
A fortificação integra o Conjunto de Fortificações do Brasil, um agrupamento que reúne 19 fortes e fortalezas protegidos pelo IPHAN em dez estados brasileiros. Este conjunto faz parte da Lista Indicativa a Patrimônio Mundial da UNESCO, estando apto a receber a candidatura formal para o reconhecimento internacional. Sendo a segunda fortaleza mais visitada da ilha, o monumento recebe público diariamente e possui a vantagem de ser acessível por via terrestre, ao contrário de Anhatomirim e Ratones, que demandam o uso de embarcações.

O que fazer entre muralhas e mar raso na Praia do Forte
Com pouco mais de 1,3 quilômetro de extensão, a praia concentra um conjunto de atrações capazes de ocupar um dia inteiro do visitante. A baixa profundidade do mar permite caminhar por dezenas de metros com a água atingindo apenas a altura dos joelhos. O roteiro sugerido a seguir combina elementos históricos, naturais e gastronômicos:
- Fortaleza de São José da Ponta Grossa: muralhas, canhões, Casa do Comandante com exposição arqueológica e a Capela de São José. Aberta diariamente das 8h30 às 18h30 na temporada (dez-mar). Entrada paga, com gratuidade no último domingo do mês (mar-nov).
- Piscinas naturais: na maré baixa, formam-se bacias de água cristalina entre as rochas no canto esquerdo da praia.
- Stand up paddle e mergulho livre: a ausência de ondas torna a Praia do Forte ideal para iniciantes em esportes náuticos.
- Restaurantes pé-na-areia: mesas na areia servem ostras frescas cultivadas na região, camarão grelhado e sequência de frutos do mar.
- Trilha até Jurerê: caminhada curta pelo costão liga a Praia do Forte à vizinha Jurerê, com mirantes para a Baía Norte e a Ilha de Anhatomirim.
Para aqueles que buscam destinos com águas serenas e de grande transparência, recomendamos este vídeo do canal Casal Maravilha Pelo Mundo, que conta com mais de 1.500 visualizações. Nele, os apresentadores Nicolas e Kanga exibem as belezas da paradisíaca Praia do Forte, em Florianópolis:
Qual é a melhor época para visitar a Praia do Forte
Florianópolis possui um clima do tipo subtropical, com estações do ano bem definidas. A Praia do Forte está voltada para a Baía Norte, característica que lhe assegura águas mais calmas e com temperaturas mais elevadas em comparação com as praias localizadas em mar aberto. A tabela a seguir sintetiza o comportamento esperado em cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Praia do Forte saindo do centro de Florianópolis
Partindo de automóvel, deve-se seguir pela SC-401 em direção ao norte da ilha. É necessário acompanhar as indicações para Jurerê e prosseguir até o término da via pavimentada. O trajeto totaliza cerca de 25 quilômetros e tem duração aproximada de 40 minutos. O acesso final se dá por uma estrada estreita e íngreme, característica que contribui para a preservação do ambiente tranquilo do local. Para aqueles que se deslocam a partir do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, a distância a ser percorrida é de aproximadamente 39 quilômetros. Por meio de transporte coletivo, pode-se utilizar a linha 210 (TICEN–TISAN) e, em seguida, fazer a integração com a linha 220 (TISAN–TILAG), que atende a região.
O refúgio que o norte da ilha ainda esconde
A Praia do Forte entrega aquilo que Florianópolis oferece de melhor, sem a agitação característica de suas praias mais conhecidas: um mar de águas calmas, uma história autêntica gravada nas muralhas de pedra e uma gastronomia baseada em frutos do mar, servida com os pés na areia. A comunidade que ali reside descende diretamente dos primeiros habitantes ligados à edificação da fortaleza no século XVIII, e esse vínculo é perceptível na atmosfera serena que rege o ritmo do lugar.
Vale a pena percorrer aquela estrada de declive acentuado até alcançar a areia e experimentar a sensação de estar em uma praia que conserva quase três séculos de história em um mesmo espaço.





