O barco chega ao píer e a primeira surpresa é ver que não tem nenhum carro parado ali. Em Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, as malas vão embora em carrinhos de mão pelas ruas de areia. É assim que começa toda visita a esse cantinho da Costa do Dendê, no litoral sul da Bahia.
Um forte contra piratas que acabou virando ponto para ver o pôr do sol
A história do Morro começa lá em 1531, quando Martim Afonso de Sousa pisou na ilha e deu a ela o nome de Tinharé. O lugar era tão bem localizado que chamou a atenção de piratas, corsários e frotas holandesas, e por isso construíram a Fortaleza de Tapirandu entre 1628 e 1630. O conjunto ainda mantém 678 metros de muros de pedra e é protegido pelo IPHAN desde 1938.
Hoje em dia, os canhões antigos dividem espaço com os visitantes que sobem até o forte para assistir ao fim de tarde. A paisagem é a mesma que protegia a entrada da Baía de Todos os Santos, mas agora o show fica por conta dos golfinhos que aparecem contra o céu alaranjado.

Praias numeradas: qual combina com seu estilo de viagem?
As praias do Morro de São Paulo são conhecidas por números, da Primeira até a Quinta. Todas elas têm mar calminho e água quente o ano todo, mas cada uma atrai um tipo de gente diferente.
- Primeira Praia: a mais próxima da vila, com cerca de 300 m de extensão. É o ponto de chegada da tirolesa que desce do Farol.
- Segunda Praia: coração da vida noturna, com barracas, música ao vivo e festas que avançam pela madrugada.
- Terceira Praia: 800 m de faixa de areia mais tranquila, de onde saem os passeios de lancha para ilhas vizinhas.
- Quarta Praia: 4 km quase desertos, com piscinas naturais na maré baixa. Foi eleita a 4ª melhor praia do mundo pelo Travelers’ Choice do TripAdvisor em 2022.
- Praia da Gamboa: do outro lado da ilha, acessível por trilha ou barco. Esconde um paredão de argila onde visitantes fazem banho de lama gratuito.
Quem busca o paraíso na Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 24 mil visualizações, onde Paula e família mostram um roteiro completo de 3 dias por Morro de São Paulo, incluindo o passeio de volta à ilha:
O que mais fazer além de pegar sol nas praias da Ilha de Tinharé?
O Morro também tem passeios para quem quer levantar da cadeira de praia. A tirolesa que sai do Farol atravessa uns 340 metros até a Primeira Praia, lá de uma altura de mais de 50 metros. Antes de descer, o mirante de lá de cima dá uma das vistas mais largas de todo o litoral baiano.
O passeio de lancha chamado Volta à Ilha toma o dia inteiro e faz paradas nas piscinas naturais de Garapuá e na ilha vizinha de Boipeba. Para aproveitar melhor, marque o passeio para os dias de lua cheia ou lua nova, que é quando a maré seca mais e os corais aparecem. A Fonte Grande, construída em 1746, foi o maior jeito de levar água para a população da Bahia no tempo da colônia e continua de pé, no meio das pousadas do centrinho.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é bem tropical, faz calor o ano inteiro, mas a diferença entre a época seca e a de chuvas mexe com os passeios de barco e com as piscinas naturais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à ilha sem carros saindo de Salvador?
Morro de São Paulo está a mais ou menos 60 quilômetros de Salvador pelo caminho do mar. O jeito mais usado é pegar o catamarã, que sai do Terminal Náutico da Bahia (que fica atrás do Mercado Modelo) e leva umas 2 horas e meia de viagem. Quem enjoa fácil pode preferir o transfer que é metade estrada e metade mar, que vai de van até Valença e depois pega uma lancha. Também dá para voar até o Aeroporto de Valença e fazer uma travessia de lancha de 20 minutos até a ilha.
Vá sentir o compasso de um lugar que não tem pressa nenhuma
Morro de São Paulo junta história do tempo do Brasil colônia, praias que ganham prêmio lá fora e uma comida que tem cheiro de azeite de dendê e de maresia. Tudo isso num lugar onde o único barulho de motor que existe é o da lancha que trouxe você até a areia.
Tire os calçados, escolha uma praia pelo número que ela tem e deixe que a subida e a descida da maré digam o que fazer no dia. Porque no Morro, o relógio não manda em nada.





