Em uma madrugada chuvosa em Juazeiro do Norte, no Ceará, a casa estava em silêncio quando um estrondo quebrou a rotina: a tampa da cacimba cedeu e o gato Cícero desapareceu de vista. Em segundos, o desespero virou ação: a tutora correu até o quintal, percebeu o perigo e chamou o Corpo de Bombeiros. A partir dali, começou uma operação delicada para tirar o animal com vida de um poço com cerca de 10 metros de profundidade.
Como aconteceu o acidente com o gato Cícero no poço
Segundo o Corpo de Bombeiros, Cícero estava circulando normalmente pelo quintal quando a tampa antiga da cacimba quebrou. Com a chuva constante, o solo estava mais úmido e instável, o que pode ter contribuído para o rompimento da estrutura naquele momento.
Quando os bombeiros chegaram, encontraram um cenário perigoso: abertura estreita, paredes escorregadias, água no fundo e chuva caindo sem parar. Cada passo precisava ser calculado para proteger tanto o socorrista quanto o gato, evitando novos desabamentos ou quedas, além de verificar se não havia acúmulo de gases tóxicos e se o sistema de ancoragem estava seguro.

Como foi feito o resgate do gato Cícero do fundo do poço
Para alcançar o animal em segurança, a equipe do 5º Batalhão de Bombeiro Militar montou um sistema com tripé, cabos, polias e mosquetões sobre a boca da cacimba. Esse conjunto ajudou a controlar a descida e a subida do militar, diminuindo o esforço físico e o risco de acidentes.
O gato havia se abrigado em pequenas fendas nas paredes internas, logo acima do nível da água, tentando se manter firme e fugir do medo. A água no fundo do poço amenizou o impacto da queda, o que provavelmente evitou ferimentos graves e deu a Cícero uma chance real de sair bem dessa história.
Quais cuidados os bombeiros tiveram com o gato após o salvamento
Quando o socorrista finalmente alcançou Cícero, o gato estava molhado, assustado e sem entender o que acontecia. Ele foi cuidadosamente contido, colocado em segurança e içado de volta à superfície com a ajuda da equipe na parte de cima do poço, que mantinha comunicação constante por meio de rádio para garantir um resgate coordenado.
Já no quintal, os bombeiros fizeram uma avaliação rápida: olharam se havia sinais de dor, dificuldade para se movimentar ou ferimentos aparentes. Sem ver nada grave, orientaram a família a observar o gato nas horas seguintes e procurar um veterinário caso aparecessem sintomas como apatia, falta de apetite ou mancar, recomendando também a realização de exame de imagem em caso de suspeita de trauma interno ou fraturas.
Compartilhado no Instagram, confira o momento do resgate no vídeo abaixo:
Quando vale a pena chamar o Corpo de Bombeiros para salvar um animal
Nem todo contratempo com animais precisa do Corpo de Bombeiros, mas em situações de risco real a ligação para o número 193 pode fazer toda a diferença. A recomendação é chamar ajuda quando houver perigo imediato para o animal ou para as pessoas ao redor, principalmente se houver risco de queda, choque elétrico ou afogamento.
Alguns exemplos de situações em que os bombeiros costumam ser acionados envolvem cenários em que o tutor, sozinho, não consegue resolver sem se colocar em risco ou piorar a situação.
- Animais presos em locais altos ou estreitos, como telhados, árvores e poços profundos.
- Situações com risco de afogamento, desabamento ou cortes em ferragens.
- Aparição de animais silvestres perigosos em área urbana, como cobras e enxames de abelhas.
- Casos em que o animal ameaça a segurança de pessoas, como ataques ou invasões em locais movimentados.
Quais cuidados tomar com cacimbas e poços em casa
O caso de Cícero lembra que, muitas vezes, o perigo está dentro do próprio quintal. Em regiões onde poços e cacimbas ainda são usados para abastecimento de água, é comum encontrar tampas antigas, enferrujadas ou improvisadas, que podem ceder com o peso de uma pessoa ou de um animal, tornando essencial o uso de tampas reforçadas em concreto ou metal com travas.
Em épocas de chuva, o solo fica mais frágil, aumentando a chance de erosão ao redor da estrutura. Por isso, vale a pena reservar um tempo para verificar como está o poço da sua casa, antes que um susto maior aconteça com uma criança, um idoso ou um bichinho de estimação, e, se possível, instalar grades, cercas ou sinalização de alerta.






