A Gamma Sports, marca operada pela Ferrari Importing, empresa fundada na década de 1960 e especializada em equipamentos para pickleball, tênis e esportes de raquete, entrou com pedido de falência sob o Capítulo 11 no Tribunal de Falências do Distrito Oeste da Pensilvânia.
A decisão surpreende porque o pickleball — carro-chefe da marca — é o esporte que mais cresce nos Estados Unidos pelo quarto ano consecutivo.
A história da Gamma Sports e a origem ligada à engenharia nuclear
A empresa por trás da marca Gamma Sports foi fundada em 1963 pelo Dr. Harry Ferrari, engenheiro nuclear da Westinghouse e ávido jogador de tênis. Após perder uma partida por causa da baixa qualidade das cordas sintéticas, Ferrari desenvolveu um processo patenteado de irradiação com raios gama para melhorar drasticamente a performance das cordas de raquete.
Com sede em Herrs Island, Pittsburgh, a companhia cresceu vendendo equipamentos e vestuário para tênis e paddleball, tanto online quanto por meio de varejistas parceiros. À medida que o pickleball ganhou popularidade, o site da empresa passou a concentrar cada vez mais sua oferta nesse esporte.
Curiosidade surpreendente: a tecnologia original da Gamma utilizava conhecimentos de física nuclear aplicada ao esporte — algo completamente incomum no setor de artigos esportivos. A corda GAMMA Gut recebeu, ao longo de muitos anos, avaliações de destaque da United States Racquet Stringers Association, figurando repetidamente entre as principais cordas do mercado.
Apesar dessa trajetória de inovação, a empresa registrou em 2024 vendas brutas de aproximadamente US$ 14,23 milhões e um prejuízo de cerca de US$ 3,26 milhões, segundo dados fiscais apresentados junto ao pedido de recuperação judicial.

Como o pickleball pode crescer 311% e ainda assim não salvar a Gamma?

Quais grandes marcas de artigos esportivos também enfrentam dificuldades?
A Gamma Sports não está sozinha. O setor de varejo de artigos esportivos vive um momento de reestruturação profunda nos Estados Unidos, com diversas redes tradicionais encerrando operações ou reduzindo drasticamente sua presença física.
A operadora das lojas Eddie Bauer entrou com pedido de falência sob o Capítulo 11 no início de 2026 e planeja fechar entre 175 e 180 lojas na América do Norte. A Orvis revelou planos para fechar diversas lojas de preço integral e outlets em todo o país como parte de um reposicionamento estratégico.
A controladora da Bob’s Stores e da Eastern Mountain Sports também entrou com pedido de falência, anunciando o fechamento permanente de todas as unidades Bob’s e a redução drástica das lojas EMS. A Big 5 Sporting Goods fechou algumas lojas em 2025, a Next Adventure encerrou parte de suas unidades em Portland, e até a gigante cooperativa REI anunciou o fechamento de lojas selecionadas entre 2025 e 2026.
Dica rápida: segundo David Swartz, analista sênior da Morningstar Research Services, as lojas de shopping perderam clientes para operações independentes e online nas últimas duas décadas — uma tendência que se repete com força no setor esportivo.

O que o pedido de falência da Gamma revela sobre o futuro do varejo esportivo?
O caso da Gamma Sports ilustra um paradoxo do mercado atual: demanda recorde por um esporte não se traduz automaticamente em lucro para todos os players da cadeia. A empresa que ajudou a construir o mercado de equipamentos de raquete nos EUA há mais de 60 anos agora depende da proteção judicial para se reorganizar.
Segundo dados de consultorias como a McKinsey, desde o fim da pandemia os consumidores voltaram a demonstrar um nível elevado de pessimismo em relação à economia. A preocupação com inflação, juros e renda tem pesado nas decisões de compra no varejo, inclusive no segmento esportivo.
Para o consumidor final, o cenário exige atenção. Marcas tradicionais que pareciam sólidas podem desaparecer rapidamente, e a compra de equipamentos esportivos exige cada vez mais pesquisa sobre a procedência e a continuidade dos fabricantes.
O processo da Gamma Sports — número 2:26-bk-20738 no Tribunal de Falências da Região Oeste da Pensilvânia — segue em andamento, e os desdobramentos podem definir se a marca sobreviverá em algum formato ou se juntará à lista crescente de varejistas esportivos que não resistiram à transformação do setor.






