No extremo oriental das Américas, uma capital nordestina guarda dentro do perímetro urbano um dos maiores remanescentes nativos de Mata Atlântica do país. João Pessoa, na Paraíba, carrega a fama de cidade verde, coleciona selos internacionais de arborização e ainda oferece o primeiro nascer do sol do continente.
A floresta que divide a cidade ao meio
A Mata do Buraquinho, hoje protegida como Refúgio de Vida Silvestre e sede do Jardim Botânico Benjamim Maranhão, ocupa cerca de 515 hectares no coração de João Pessoa. É considerada o maior remanescente de Mata Atlântica nativa em perímetro urbano do Brasil, segundo pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, é maior em área, porém resulta de reflorestamento, não de vegetação original.
A mata é cortada pelo rio Jaguaribe, que atravessa 23 bairros da capital. Dentro dela vivem preguiças, saguis, cutias, aves e répteis típicos do bioma. As trilhas são guiadas e gratuitas, com saídas diárias pela manhã e à tarde, conforme informações da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).

Uma cidade verde que ganhou selo da ONU três vezes
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) e a Arbor Day Foundation reconheceram João Pessoa por três vezes consecutivas com o selo Tree Cities of the World, programa que certifica cidades comprometidas com a gestão sustentável de florestas urbanas. A capital paraibana foi a primeira do Norte e Nordeste a receber o título, ao lado de metrópoles como Paris, Milão e Nova Iorque, segundo a Prefeitura de João Pessoa.
Dados da Secretaria de Meio Ambiente (Semam) indicam que a cidade mantém 31,47% de vegetação arbórea e 47,11 m² de área verde por habitante. A meta municipal é plantar 500 mil mudas até 2030. Ainda assim, o título informal de “segunda cidade mais verde do mundo”, repetido por décadas, nunca foi comprovado cientificamente. No Censo 2022 do IBGE, Campo Grande (MS) lidera entre as capitais com 91,4% de vias arborizadas, seguida por Goiânia, Palmas e Curitiba.

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O que fazer em João Pessoa além de caminhar entre árvores?
A capital paraibana reúne falésias, piscinas naturais, centro histórico e parques urbanos em um raio compacto. A lista abaixo cobre atrações para diferentes interesses.
- Ponta do Seixas e Farol do Cabo Branco: ponto mais oriental das Américas, onde o sol nasce primeiro no continente. O farol triangular de 40 metros oferece vista panorâmica de toda a orla.
- Piscinas Naturais do Seixas: recifes que emergem na maré baixa formam aquários naturais com águas cristalinas. Acesso por barco a partir da Praia do Seixas.
- Jardim Botânico Benjamim Maranhão: 20 trilhas guiadas dentro da Mata do Buraquinho, com percursos de 30 minutos a 3 horas. Entrada gratuita, de terça a sábado.
- Parque Sólon de Lucena (Lagoa): cartão-postal do centro da cidade, rodeado por palmeiras imperiais centenárias. Área de caminhada e lazer noturno.
- Estação Cabo Branco: projetada por Oscar Niemeyer, inaugurada em 2008, com mais de 8.500 m² dedicados a ciência, cultura e artes. Acesso gratuito.
- Centro Histórico: igrejas barrocas, casarões coloniais e o Hotel Globo, edifício art déco à beira do rio Sanhauá. Um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados do Nordeste.
Quem planeja as próximas férias no Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Partiu de Férias, que conta com mais de 315 mil visualizações, onde Anderson Mena apresenta os 8 melhores passeios em João Pessoa, na Paraíba:
Quando visitar a capital mais verde do Nordeste?
João Pessoa tem clima tropical úmido, com temperaturas estáveis o ano inteiro. O período mais seco vai de setembro a fevereiro, com céu aberto e mar mais calmo para os passeios de barco até as piscinas naturais. De março a agosto, as chuvas aumentam, principalmente entre abril e julho.
Uma capital que insiste em ser floresta
João Pessoa não é apenas uma cidade com árvores. É uma capital que cresceu ao redor de uma mata atlântica inteira e que disputa, a cada censo, o direito de se chamar uma das mais verdes do país. As falésias do Cabo Branco, o primeiro raio de sol das Américas e as trilhas entre saguis e jaguaribes completam o que os números sozinhos não explicam.
Você precisa respirar o ar da Mata do Buraquinho num fim de tarde e depois descer até a Ponta do Seixas para entender por que essa cidade não abre mão do verde nem quando o asfalto avança.






