O cheiro de pequi e o som do Rio das Almas recebem quem chega a Pirenópolis, cidade fundada em 1727 no coração de Goiás. Apelidada de Piri pelos goianos, ela guarda ruas de pedra, casarões coloniais e uma das festas populares mais antigas do país.
Do ouro ao turismo: três séculos em ruas de pedra
Garimpeiros portugueses liderados por Manoel Rodrigues Tomás fundaram o arraial de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte às margens do Rio das Almas. O ouro atraiu colonos e ergueu igrejas, mas esgotou-se ainda no século XVIII. A estagnação econômica que se seguiu acabou preservando a arquitetura colonial quase intacta.
Em 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1728 e 1732, é considerada a maior construção religiosa de todo o Centro-Oeste. Entre 1830 e 1834, Piri ainda abrigou o Matutino Meia Pontense, primeiro jornal impresso do estado de Goiás.

Cavalhadas de quase 200 anos: a festa que para a cidade
Desde 1819, a Festa do Divino Espírito Santo mobiliza Pirenópolis por quase 30 dias. O ponto alto são as Cavalhadas, que em 2025 chegam ao 199º ano: cavaleiros vestidos de azul (cristãos) e vermelho (mouros) encenam batalhas medievais no cavalhódromo da cidade. A celebração foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2010.
Outro personagem marcante são os Mascarados, figuras com roupas coloridas e máscaras de boi que tomam as ruas a cavalo. Segundo o Ministério do Turismo, a Festa do Divino reuniu 30 mil visitantes em 2023 e recebeu o prêmio internacional Passaporte Aberto de melhor festa do ano em 2022.

Quais cachoeiras valem a visita em Piri?
A região reúne mais de 80 quedas d’água catalogadas, muitas abertas à visitação com estrutura de apoio. As estradas de acesso são de terra, e um carro alto facilita o trajeto.
- Cachoeira do Rosário: águas cristalinas de tom esmeralda formam uma piscina natural profunda. A queda mais alta da região tem acesso por estrada de terra em bom estado.
- Cachoeira do Abade: queda de cerca de 22 metros com poço fundo para mergulho. Trilhas pavimentadas e mirantes acessíveis.
- Cachoeiras dos Dragões: complexo com oito quedas entre fendas de rocha e mata preservada, a 40 km do centro. Para quem busca aventura.
- Reserva Ecológica Vargem Grande: abriga as cachoeiras Santa Maria e Lázaro, com trilhas leves e estrutura para famílias.
- Prainha do Rio das Almas: no próprio centro, ao lado da ponte de madeira. O ponto mais democrático para um banho rápido sem pegar estrada.
O que fazer no centro histórico além das cachoeiras?
A cidade rende boas horas de caminhada a pé. Casarões com fachadas coloridas e argolas de ferro nas calçadas (usadas para amarrar cavalos no período colonial) pontuam o percurso.
- Rua do Lazer: fechada para carros, concentra bares, restaurantes e lojas de artesanato. Ganha vida especial à noite.
- Fazenda Babilônia: antigo engenho do século XIX, tombado pelo IPHAN. Serve o Café Sertanejo, um café colonial com receitas goianas tradicionais. Reserva obrigatória.
- Santuário Vagafogo: reserva particular de educação ambiental, perto do centro, com trilha em meio à mata ciliar.
- Pico dos Pireneus: a 20 km do centro, dentro do Parque Estadual dos Pireneus. Segundo maciço mais alto de Goiás, com 1.385 metros. Do topo, a vista alcança as bacias do Tocantins e do Paraná. Formação rochosa de mais de 1 bilhão de anos.
Quem ama natureza e história, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 270 mil inscritos, onde Bruno mostra um roteiro essencial de 5 dias em Pirenópolis:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical de altitude divide o ano em duas estações bem marcadas: a seca (maio a setembro) e a chuvosa (outubro a abril). Na seca, as cachoeiras ficam mais cristalinas e seguras. Na chuva, a vegetação do Cerrado explode em verde, mas trombas d’água exigem atenção.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade colonial entre duas capitais?
Pirenópolis fica a 150 km de Brasília e a 120 km de Goiânia. De Brasília, o trajeto pela BR-070 até Cocalzinho e depois pela GO-225 leva cerca de 2h. De Goiânia, a rota pela BR-153 (duplicada) até Anápolis e depois pela GO-431 é a mais confortável, em torno de 1h40. Carro é praticamente indispensável para acessar as cachoeiras fora do centro.
Vá a Piri sem pressa
Pirenópolis combina o que poucos destinos brasileiros conseguem reunir: patrimônio colonial preservado, natureza generosa e uma identidade cultural que pulsa há quase três séculos. O Cerrado goiano guarda aqui suas águas mais cristalinas, seus sabores mais autênticos e uma festa de quase 200 anos que ainda emociona cavaleiros e plateia.
Você precisa cruzar a serra, chegar ao vale do Rio das Almas e sentir o ritmo de Piri, a cidade que para no tempo sem deixar de receber o mundo.






